3 pilares que o mercado de M&A deve valorizar em 2026

3 pilares que o mercado de M&A deve valorizar em 2026

Por Carlos Morais, cofundador e especialista em M&A da Galapos.

O mercado de fusões e aquisições no Brasil em 2026 tende a operar em um ambiente mais construtivo do que o observado em anos anteriores, período marcado por juros elevados, maior aversão a risco e desalinhamento de expectativas de valuation que travaram diversas transações. A reboque do movimento verificado no segundo semestre de 2025, o cenário atual consolida um ciclo de retomada mais qualitativa do que quantitativa, com foco não apenas no aumento de volume, mas em operações mais estruturadas, com racional estratégico claro e maior disciplina financeira.

Há um amadurecimento perceptível de compradores e vendedores, com expectativas mais realistas e maior atenção à geração de caixa, sinergias e governança. Além disso, observa-se maior presença de investidores estratégicos em busca de consolidação setorial e o retorno gradual de capital estrangeiro interessado em ativos brasileiros negociados com desconto relativo frente a mercados desenvolvidos. O aumento do fluxo estrangeiro na bolsa também tende a se refletir, em alguma medida, no mercado de fusões e aquisições.

Neste contexto, a Selic segue como variável central, ao impactar diretamente o custo de capital e o valuation. Juros mais moderados tendem a ampliar o apetite por aquisições, sustentar múltiplos mais elevados e viabilizar estruturas mais sofisticadas. Já taxas elevadas pressionam avaliações e tornam negociações mais complexas, exigindo premissas realistas e teses claras de geração de valor.

Setorialmente, tecnologia deve continuar como um dos principais motores de M&A, com abordagem mais criteriosa. Ganham espaço empresas de software com receita recorrente, aplicações práticas de inteligência artificial, fintechs, healthtechs, negócios ligados à transição energética e empresas B2B digitalizadas, sempre com prioridade para ativos que combinem tecnologia com fundamentos sólidos e caminho claro para geração de caixa.

O fato de 2026 ser ano eleitoral adiciona uma camada de cautela ao mercado. O impacto costuma se dar mais no timing do que na paralisação das transações. É comum haver aceleração no primeiro semestre, adiamento de decisões estratégicas de maior porte para após a definição do cenário político e maior diligência em setores regulados. Investidores sofisticados incorporam o risco político aos seus modelos de decisão, seguem operando, mas demandam maior previsibilidade e margens de segurança mais amplas. Ao mesmo tempo, momentos de incerteza podem abrir oportunidades para compradores preparados e capitalizados.

De forma geral, para este ano, pensando no perfil dos ativos mais valorizados, o mercado tende a premiar empresas com três pilares bem definidos: previsibilidade, eficiência e diferencial competitivo claro. Governança, mesmo em estágios iniciais, ganha espaço nos critérios de avaliação. Empresas com receita recorrente, baixa perda de clientes, margens saudáveis ou trajetória clara de expansão, governança estruturada, indicadores bem reportados, capacidade comprovada de escalar com tecnologia e baixa dependência de poucos clientes ou contratos devem concentrar maior interesse. 

Após um ciclo em que o crescimento a qualquer custo perdeu espaço, o mercado passa a operar sob uma lógica mais analítica e seletiva, em que disciplina de capital, qualidade da receita e clareza estratégica tornam-se determinantes para precificação e fechamento de negócios. Nesse ambiente, a tendência é de transações menos oportunistas e mais fundamentadas em consolidação, eficiência operacional e geração consistente de valor no médio e longo prazo.



Fonte ==> EconomiaSC

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