O aumento da procura pelas praias, durante a temporada de verão, ocasiona também no aumento das ocorrências relacionadas a queimaduras de águas-vivas, que se reproduzem significativamente durante a estação do ano.
Conforme levantamento do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, a maior parte das lesões foram atendidas por batalhões de Araranguá, no Sul do Estado, e Itajaí, na região Norte.
Entre os dias 30 de dezembro e 5 de janeiro, os guarda-vidas civil e militar realizaram 396 salvamentos de banhistas. Ao todo, foram mais de dois milhões de ações de prevenção desde o início da Operação Verão 2026, na qual atuam mais de dois mil agentes em 153 praias catarinenses.
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Queimaduras de águas-vivas aumentam em SC
O número de acidentes causados pelo animal marinho cresceu acima dos 50% nas praias de Santa Catarina entre os dias 15 de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026, em comparação ao mesmo período da temporada anterior. Conforme dados do Corpo de Bombeiros, foram 16 queimaduras de águas-vivas atendidas nas praias catarinenses, o equivalente a 761 ocorrências por dia.
Corpo de Bombeiros atende centenas de ocorrências do tipo diariamente em Santa CatarinaFoto: Divulgação/CBMSC/ND Mais“Em dezembro, há um aumento no número de turistas e, em janeiro, há outro pico, com queda começando apenas em fevereiro, depois do Carnaval. Isso é algo padrão nas temporadas de verão e, com isso, o número de acidentes aumenta junto. É proporcional ao aumento de turistas”, explica o oceanógrafo e professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), Charrid Resgalla Júnior.
As praias do Centro e Sul do estado possuem maior incidência de águas-vivas em decorrência da temperatura da água, que favorece a reprodução da espécie. “As praias [no Sul] são mais expostas, não tem tanta enseada como ocorre na região Norte. A Ilha, que seria a parte central, está mais avançada para o mar e, por isso, tem mais incidência das águas-vivas”, complementa o pesquisador.
Média de ocorrências por região:
- Araranguá (4º BBM) – 3.000;
- Itajaí (7º BBM) – 2.500;
- Florianópolis (1º BBM) – entre 2.000 e 2.500;
- Imbituba (8º BBM) – 1.500;
- Balneário Camboriú (13° BBM) – 500;
- Palhoça (10º BBM) – 100.
Número de lesões é maior aos finais de semana
Estima-se, de acordo com o docente, que apenas 1% dos banhistas que estão na delimitação das praias sejam atingidos pelas queimaduras de águas-vivas. Esse tipo de ocorrência, segundo levantamento da Univali, feito com base nos registros do Corpo de Bombeiros, aponta o domingo como dia de maior acidentalidade, com cerca de três mil ao dia.
Ocorrências envolvendo lesões por águas-vivas são maiores no Sul catarinenseFoto: Canva/ND Mais“A condição normal é que se tenha, realmente, a incidência das águas vivas e é proporcional: quanto maior for o número de banhistas, maior o número de ocorrências. Quando se há surtos de águas-vivas, são mais de 30 mil casos entre janeiro e fevereiro somados”, destaca Charrid Resgalla Júnior.
Em dezembro de 2025, houve muitos registros de queimaduras de águas-vivas nas quartas-feiras, dia da semana em que caíram véspera do Natal, em 24 de dezembro, e véspera de Ano-novo, dia 31 do mesmo mês. Na data, a média de atendimentos ficou próximo de dois mil.
O que fazer em caso de lesão?
As chamadas queimaduras por águas-vivas são, na verdade, envenenamento pelas toxinas injetadas na pele. O mais indicado, nesses casos, é procurar o posto de guarda-vidas para receber os primeiros atendimentos.
Guarda-vidas já realizaram 396 salvamentos de banhistas em Santa CatarinaFoto: Divulgação/CBMSC/ND Mais“Os bombeiros poderão retirar os tentáculos que podem estar presos à pele e, em seguida, aplicar vinagre, que ajuda a aliviar a dor e inibe novas descargas das células das águas-vivas continuem lesionando a pele”, afirma o professor.
Além disso, não é recomendado coçar a área atingida ou colocar água doce. O inchaço e a vermelhidão deixados pelas queimaduras das águas-vivas passam em poucos dias, enquanto a dor alivia em poucas horas — desde que a vítima saia da água. Em casos mais graves, é necessário encaminhamento hospitalar.
Fonte ==> NDMais