Com o Plenarinho lotado, a Comissão de Pesca, Maricultura, Agricultura e Assuntos do Mar realizou, na tarde desta quarta-feira (8), uma audiência pública para debater, com pescadores, a situação dos serviços essenciais nos ranchos de pesca. Entre os principais temas estiveram o abastecimento de água, a energia elétrica, o saneamento básico, a coleta de resíduos e as condições de acesso.
Participaram do encontro representantes da Companhia Catarinense de Ãguas e Saneamento (Casan), da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), da Polícia Militar Ambiental, da Secretaria Municipal de Pesca, da Secretaria Executiva de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina e da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), além de associações de pescadores de diferentes regiões da cidade.
O presidente da Floram, Alexandre Waltrick Rates, afirmou que é possível implantar infraestrutura básica nos ranchos sem prejuízos ao meio ambiente. “A engenharia oferece soluções viáveis, como sistemas que evitam o contato direto com o solo. No caso da energia elétrica, o impacto é mínimo”, explicou. Ele também ressaltou a importância da atuação conjunta entre os órgãos para que as soluções avancem e deixem de ser um problema recorrente.
Para o subsecretário de Pesca, Gabriel Lemos, a audiência evidenciou o engajamento dos pescadores e permitiu avançar nos encaminhamentos. “Vamos direcionar as demandas aos órgãos competentes para viabilizar a regularização dos ranchos e garantir estruturas permanentes”, disse. Ele acrescentou que, para a próxima safra da tainha, todos os 57 ranchos contarão com banheiros químicos e acesso à energia elétrica, enquanto o município trabalha na regularização de mais de 600 processos de ranchos permanentes.
Pescador desde criança, Hugo Daniel, herdeiro de um rancho tradicional na Praia do Campeche, avaliou que o encontro trouxe expectativa de avanços. “Pela primeira vez, houve alinhamento entre as autoridades e maior clareza sobre os caminhos”, disse, ao destacar a necessidade de que as medidas sejam efetivamente implementadas.
O presidente da Associação de Pescadores Artesanais do Campeche, Walter Chagas, também considerou a reunião positiva. Segundo ele, a integração entre município, estado e União fortalece a esperança de reconhecimento da atividade pesqueira e de soluções concretas.
Proponente da audiência, o presidente da Comissão, vereador Gilberto Gemada, destacou que há um encaminhamento definido para dar continuidade ao processo. “As demandas serão analisadas pelos órgãos responsáveis, o que estabelece um caminho para avançar”, afirmou. Ele também reforçou que a garantia de estrutura básica nos ranchos é uma questão de dignidade e de condições adequadas de trabalho para os pescadores ao longo de todo o ano.
Fonte ==> Semanario-SC