O problema não é falta de recurso, é falta de estratégia

O problema não é falta de recurso, é falta de estratégia

Toda semana, novos editais de inovação, programas de aceleração e linhas de fomento são lançados por diversos países, inclusive aqui no Brasil.

São bilhões de reais disponibilizados para impulsionar negócios, desenvolver tecnologias e fortalecer o ecossistema empreendedor.

Ainda assim, a realidade é clara: a maioria das empresas não acessa esses recursos.

E o problema não é falta de oportunidade, é falta de estratégia.

Minha trajetória profissional começou longe desse universo. Minha primeira função foi como circulante — isso mesmo, uma função hoje praticamente extinta.

Eu era responsável por organizar prontuários e levá-los até médicos em uma clínica de saúde da minha cidade. Foi ali que aprendi, na prática, sobre organização, fluxo e responsabilidade.

Anos depois, atuei no financeiro de grandes empresas, como Grupo Arezzo & CO, onde tive meu primeiro contato com inovação, por meio da Lei do Bem e FINEP.

Em 2014, migrei para contabilidade, sempre com um propósito muito claro: disseminar informação e apoiar o empreendedorismo.

Durante a graduação em Ciências Contábeis, vivi uma rotina intensa. De dia, atuava na área contábil, trabalhando com operadoras de saúde e empresas tradicionais.

À noite, ainda cursava ciências contábeis, nas horas livres, me dedicava como voluntária na consultoria júnior da universidade, atendendo startups que, naquela época, ainda eram pouco compreendidas. e negócios em desenvolvimento.

Mas foi uma mudança de rota, de estado e de contexto, que redefiniu minha atuação. Saí do ambiente tradicional e passei a atuar diretamente com projetos de inovação dentro da indústria catarinense, através da Federação das Indústrias. Foi quando deixei de apenas entender o processo e passei a vivê-lo na prática. 

Nesse mesmo período, me conectei com diversas iniciativas de inovação pelo país. Tornei-me líder de ecossistema e mentora do Programa do MDIC, o InovAtiva Brasil, atuei como mentora no Conecta Startups, uma iniciativa do MCTI, e no mesmo período fui organizadora de Startup Weekend e Community Leaders em SC.

E foi ali que identifiquei um padrão que se repetia:

Empresas com potencial, boas soluções, mercado… mas completamente distantes das oportunidades de fomentos disponíveis.

O que afastava esses negócios não era a falta de capacidade — era a complexidade e falta de conhecimento.

Editais e fomentos de subvenção são técnicos. Os processos são densos. As informações estão dispersas. E, diante disso, muitos empreendedores simplesmente desistem antes mesmo de tentar.

Foi nesse momento que entendi meu papel no mercado: atuar como uma tradutora de oportunidades.

Alguém que conecta empresas ao recurso certo. Que faz curadoria em meio ao excesso de informação.
Que transforma caminhos complexos em estratégias possíveis.

Com esse propósito, criei iniciativas para aproximar empreendedores desse universo, levando informação e acesso para além dos grandes centros.

Estruturei o Startup Round, em parceria com Impact Hub, conectando investidores e startups, e passei a realizar, de forma contínua, a curadoria de programas e fomentos de inovação para empreendedores.

Ao longo dos últimos anos, atuei diretamente na conexão de startups e empresas com o ecossistema, como mentora e colunista da Associação Brasileira de Startups, apoiando mais de 300 negócios nas últimas duas edições, além de atuar como embaixadora do South Summit Brazil e do programa de aceleração do Grupo Boticário, o GB Ventures.

Essa vivência prática reforçou uma percepção que hoje guia muito meu trabalho: o problema não é falta de recurso — é falta de estratégia. E de conhecimento.

Não basta saber que o edital, fomento ou programa de aceleração existe. Não basta se inscrever sem estratégia.
Não basta ter uma boa ideia estruturada.

É preciso direcionamento, preparo e clareza sobre qual oportunidade faz sentido para cada negócio. E é exatamente sobre isso que aceitei o convite para ser colunista aqui no Economia SC.

Nesta coluna, meu objetivo é trazer informação e oportunidades, desde editais de inovação e programas de aceleração até movimentos relevantes no universo da inovação.

Mostrar caminhos, evitar erros comuns e, principalmente, ajudar empreendedores a entenderem como se posicionar para acessar o que já está disponível.

Porque, no fim do dia, a pergunta não é se existem recursos. O recurso existe. A pergunta é: você está preparado? 



Fonte ==> EconomiaSC

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