paratleta de Florianópolis quase perde torneio de surf adaptado no Havaí

paratleta de Florianópolis quase perde torneio de surf adaptado no Havaí

jsajdkjdkFoto: Vitória Diehl/Redes Sociais/Reproução

Na última terça-feira (5), a surfista Vitória Correa Diehl estreou como uma das representantes brasileiras no principal torneio de surf adaptado do Havaí (EUA), o HASC (Hawai’i Adaptive Surfing Championships). Realizado desde 2008 na cidade de Honolulu, o evento é idealizado pela organização sem fins lucrativos AccesSurf Hawaii.

Vitória finalizou o primeiro dia em terceiro lugar na competição, mas ainda irá participar de mais rodadas até a sexta-feira (8), quando o evento chegará ao fim. “Está tudo tão maravilhoso aqui que eu não tenho do que reclamar. Ficar em primeiro ou em segundo seria só a cereja do bolo”, relata a surfista.

Entretanto, os desafios para chegar até o campeonato não foram poucos, incluindo até uma proibição ao tentar embarcar no voo para sair do Brasil. Mas a trajetória nos torneios começou bem antes, quando o Havaí ainda não era uma possibilidade.

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A atleta convive com uma condição degenerativa chamada paraparesia, que causa a perda gradual da força muscular e dos movimentos nas pernas. Natural do Rio Grande do Sul, Vitória se mudou para Florianópolis, em Santa Catarina, no ano de 2012, quando ainda caminhava sem delimitações.

Em 2017, começou a utilizar uma bengala como auxílio para caminhar e, um ano depois, conheceu o projeto que a levaria aos campeonatos de surf. A ASSF (Associação Surf Sem Fronteiras) realiza aulas gratuitas de surf adaptado voltadas para a acessibilidade do esporte na praia da Barra da Lagoa, no Leste da Ilha.

Vitória iniciou como aluna e em pouco tempo começou a competir em campeonatos, até que em 2022, aos 30 anos, a perda dos movimentos fez com que ela necessitasse de cadeira de rodas para se locomover. “Foi algo bem marcante, tive que largar minha profissão de chef de cozinha e tentei iniciar como nutricionista, mas foi muito frustrante porque eu amo muito cozinhar”, conta ela.

Foi participando ainda mais dos projetos voluntários da ASSF, dessa vez dentro da gestão, que Vitória descobriu mais habilidades para além da culinária. Durante esse tempo, amigos e colegas incentivavam que ela participassem de mais competições, e no início de 2026 surgiu a oportunidade de ir para o Havaí.

A AccesSurf Hawaii distribuiu cinco bolsas entre atletas com deficiência de todo o mundo que compartilhassem suas histórias para a organização. Vitória foi uma das selecionadas, se juntando a outros cinco brasileiros que estão na competição.

Participantes do principal torneio de surf adaptado do Havaí, promovido pela AccesSurfA AccesSurf ofereceu cinco bolsas para que surfistas com deficiência ao redor do mundo pudessem participar do HASCFoto: Tommy Pierucki/Divulgação

Paratleta de Florianópolis foi barrada no aeroporto a caminho de campeonato de surf

O início do sonho, entretanto, foi marcado por desafios. Em um vídeo postado nas redes sociais, Vitória conta que comprou todas as passagens aéreas pela empresa United Airlines, mas que os trechos de Porto Alegre até o Panamá, na América Central, e de lá até os Estados Unidos seriam operados pela Copa Airlines.

A surfista, que se locomove com o auxílio de cadeira de rodas, havia ligado para a United avisando que necessitaria de assistência durante o voo.

Mas ao chegar no guichê da companhia aérea, Vitória foi questionada se conseguia se deslocar até o banheiro sozinha, ao que a surfista negou e disse que necessitaria de uma cadeira de bordo, equipamento estreito utilizado por pessoas com mobilidade reduzida para se locomoverem pelos corredores da aeronave.

A atendente do guichê teria informado a situação à tripulação, que negou o embarque da passageira. A justificativa apresentada foi que a informação de que Vitória necessitaria de auxílio não chegou até a Copa Airlines, além de que a surfista não teria apresentado o MEDIF (Medical Information Form) para a companhia aérea com antecedência.

O MEDIF é um formulário médico exigido pelas companhias aéreas para avaliar e autorizar a viagem de passageiros com condições clínicas instáveis, necessidades especiais ou que exijam equipamentos médicos a bordo.

Em nota, a Copa Airlines afirmou que todos os procedimentos adotados pela equipe em atendimento à passageira estão baseados nos termos da Resolução 280 da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A assessora Gisele Gomes esclarece que, sem aviso prévio, não é possível realizar o atendimento necessário à pessoas que necessitam de algum tipo de auxílio.

“A exigência do MEDIF é essencial para que a companhia aérea possa preparar a estrutura necessária para atender o passageiro, principalmente nas questões fisiológicas, que são muito particulares. Então, é difícil que a tripulação consiga fazer isso sem aviso”, explica Gisele.

Pessoa em cadeira de rodas saindo de aeroporto com auxílio de outra pessoaFormulário médico é exigido para passageiros com necessidades especiais Foto: Melhores Destinos/Reprodução

O que diz a Anac sobre a exigência do MEDIF

A Resolução 208 da Anac, em vigor desde 2013, afirma que o passageiro com necessidade de assistência especial deve apresentar documentos médicos ou informar a necessidade de acompanhante com antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas do horário previsto de partida do voo.

O MEDIF se enquadra entre esses documentos, entretanto, ele só pode ser exigido nos casos em que o passageiro:

I – necessite viajar em maca ou incubadora;

II – necessite utilizar oxigênio ou outro equipamento médico; ou

III – apresente condições de saúde que possa resultar em risco para si ou para os demais passageiros ou necessidade de atenção médica extraordinária no caso de realização de viagem aérea.

Como Vitória não necessitava de acompanhante nem apresentava nenhuma das condições acima, o formulário médico não deveria ter impedido seu embarque. Entretanto, o erro de comunicação entre a United e a Copa impossibilitou que a equipe se organizasse para prestar a assistência necessária com antecedência.

A situação foi solucionada após Vitória entrar em contato com United Airlines, que colocou a surfista em outro voo operado pela companhia Azul. Agora, o foco é participar do campeonato e resolver as questões pendentes apenas na volta ao Brasil.





Fonte ND Mais

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