O que parece cena de ficção científica já está sendo desenvolvido em Santa Catarina. Pesquisadores conseguiram produzir protótipos de filés de peito de frango em laboratório a partir de células retiradas de animais vivos, sem necessidade de criação convencional ou abate.
A iniciativa é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, no Oeste catarinense, em parceria com o LNANO (Laboratório de NanobiotecnologIA) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília. O objetivo é desenvolver alternativas para a produção de carne com menor impacto ambiental e menor dependência do uso de animais.
Como é produzida a carne cultivada?
A técnica começa com a retirada de uma pequena amostra de células de um animal vivo, em um procedimento semelhante a uma biópsia. Essas células são então cultivadas em laboratório, em um ambiente controlado e rico em nutrientes, onde se multiplicam até formar tecido muscular.
Película comestível serve como a tripa para o invólucro de embutidosFoto: Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil/ND MaisSegundo os pesquisadores, o processo utiliza conhecimentos da engenharia de tecidos e da biotecnologia celular — áreas também aplicadas na medicina regenerativa.
A partir das células coletadas, é possível selecionar e multiplicar os tipos desejados, como células musculares e de gordura, fundamentais para reproduzir características da carne tradicional.
Um dos desafios da produção é criar estruturas que sirvam de suporte para o crescimento das células. Para isso, os cientistas desenvolvem materiais biomiméticos, capazes de reproduzir as condições encontradas naturalmente no organismo dos animais. Essas estruturas ajudam a formar a textura, a firmeza e outras características sensoriais da carne cultivada.
Frutos do mar estão na lista de produção
Além dos filés de frango, os pesquisadores também trabalham em alimentos produzidos por impressão 3D com ingredientes de origem vegetal. Entre os protótipos já desenvolvidos estão filés de salmão, caviar e anéis de lula.
Outra inovação em desenvolvimento é uma película comestível que poderá substituir as tripas utilizadas na fabricação de embutidos produzidos a partir de carne cultivada.
A expectativa é que o protótipo esteja concluído até 2027.
Entre os protótipos de carne cultivada já desenvolvidos estão filés de salmão, caviar e anéis de lula.Foto: Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil/ND MaisEmbora a tecnologia ainda esteja em fase de pesquisa, o Brasil já possui regras para o setor. Em 2023, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou o marco regulatório para produtos obtidos por cultivo celular, abrindo caminho para futuras aplicações comerciais.
Enquanto países como Singapura, Estados Unidos, Israel e Austrália já avançam na comercialização da chamada carne cultivada, pesquisadores brasileiros trabalham para transformar a tecnologia em uma alternativa viável para a indústria alimentícia nos próximos anos.
Fonte ==> NDMais