‘Deputados e senadores têm o controle do país hoje’, afirma analista político de SC sobre cenário das eleições

Arliss Amaro e Paulo César entrevistaram o analista político Daniel Pinheiro no podcast Voto+Foto: ND Play/Reprodução/ND Mais

Arliss Amaro e Paulo César entrevistaram o analista político Daniel Pinheiro no podcast Voto+Foto: ND Play/Reprodução/ND Mais

O cenário político e os desafios para as eleições de 2026 foram o centro do debate no segundo episódio do podcast Voto+, conduzido pelos jornalistas Arliss Amaro e Paulo César. O convidado da edição foi o analista político e professor de administração pública da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), Daniel Pinheiro.

Durante a entrevista, Pinheiro fez um alerta sobre a influência da tecnologia no processo eleitoral e a necessidade urgente de o eleitorado priorizar a escolha dos cargos legislativos. Ele também destacou que o Brasil enfrenta um grave problema estrutural com o avanço tecnológico devido à lentidão do Poder Legislativo em regulamentar o ambiente virtual.

O “atraso” na legislação e a era da Inteligência Artificial

De acordo com o analista, o país passou décadas discutindo a regulação da internet sem chegar a um consenso robusto, o que deixou a população desprotegida diante das novas tecnologias.

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“Hoje a gente tem que ser rápido, você não pode ficar 30 anos discutindo regulação de internet e quando a gente chegar na inteligência artificial dizer  que isso vai ser um problema na eleição, porque a internet já era. Então já tinha que ter resolvido lá atrás, e este é o papel do legislativo. Ele deveria estar antenado para o futuro e não resolvendo problemas do passado”,  criticou o professor.

Para Pinheiro, o pleito eleitoral de 2026 será profundamente marcada pelo uso da Inteligência Artificial (IA), elevando o patamar do perigo que antes era representado apenas pelas fake news tradicionais. Ele apontou o risco iminente do uso massivo de deep fakes — manipulações profundas de áudio e vídeo de difícil checagem para o cidadão comum.

Inteligência Artificial pode interferir na escolha de candidatos para as eleições de 2026Inteligência Artificial pode interferir na escolha de candidatos para as eleições de 2026Foto: Divulgação

Professor alerta para os perigos da “bolha digital” e o poder dos algoritmos

O professor explicou que, hoje em dia, o eleitorado está inserido em “bolhas digitais”, onde o conteúdo consumido não reflete o debate público amplo, mas sim o que os algoritmos das grandes corporações de tecnologia escolhem entregar.

As esferas funcionam da seguinte maneira: os mecanismos filtram o comportamento do usuário e entregam apenas o que ele quer ver ou aquilo com o que já demonstra afinidade. “Se você recebeu algo nesta bolha, você recebeu porque ele te jogou para que aquilo fosse interessante para você”, pontuou Pinheiro.

O especialista alertou que ninguém tem liberdade real em um ambiente filtrado, pois uma fala relevante pode nunca alcançar o público se o algoritmo decidir não entregá-la. “A internet em si pode até ser uma rede onde a gente tem o acesso público, mas tudo é feito e filtrado por mecanismos particulares, ou seja, privados, de interesse”.

O algoritmo é capaz de tomar decisões com base em dados, podendo prever o comportamento de usuários em plataformas digitaisFoto: Olhar Digital/Reprodução/NDO algoritmo é capaz de tomar decisões com base em dados, podendo prever o comportamento de usuários em plataformas digitaisFoto: Olhar Digital/Reprodução/ND

Poder Legislativo estaria governando o país

Um dos pontos altos da entrevista foi a provocação de Daniel Pinheiro sobre a “obsessão” do eleitor brasileiro com os cargos de presidente e governador, que compõe o Poder Executivo, enquanto o verdadeiro comando político do país, segundo ele, reside no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.

“Num país onde o modelo é de presidencialismo de coalizão, o legislativo é muito mais importante do que o executivo. (…) Eu ser deputado ou senador significa que eu praticamente tenho o controle do país. Porque eu, com meus colegas, a gente pode estabelecer e trancar pautas e definir os rumos do orçamento anual”, explicou.

O analista relembrou ferramentas que dão enorme poder político e financeiro aos parlamentares na atualidade, tais como:

  • O controle de bilhões de reais por meio do fundo eleitoral e partidário;
  • A distribuição de verbas e emendas parlamentares;
  • O mecanismo do orçamento secreto;
  • A prerrogativa de barrar ou trancar temas prioritários de interesse nacional.
Senado FederalRepresentantes do Poder Legislativo no Senado Federal

Pinheiro concluiu reforçando que as grandes mudanças e crises políticas — inclusive os processos de impeachment — nascem dentro do parlamento, e cobrou uma mudança cultural para que o eleitor não esqueça o nome do seu deputado semanas após a eleição.

“Escolha o seu candidato, claro, para o executivo, tanto federal quanto estadual, mas olhe com carinho para o legislativo. Senador, deputado estadual e deputado federal”, indica.

Ao final, o jornalista Paulo César também acrescentou um alerta para que os eleitores fiquem atentos não apenas aos titulares, mas também aos vices e suplentes, que historicamente assumem papéis fundamentais na condução do Estado.



Fonte ==> NDMais

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