Congresso mundial na Coreia debate papel do cabelo na eliminação de substâncias do organismo

Congresso mundial na Coreia debate papel do cabelo na eliminação de substâncias do organismo

Uma pesquisa apresentada durante a 14ª edição do World Congress for Hair Research, principal congresso científico do mundo sobre saúde capilar, levantou uma nova discussão entre especialistas da área: a de que o cabelo pode atuar também como uma via auxiliar de eliminação de substâncias do organismo. O tema foi um dos destaques acompanhados pela dermatologista catarinense Dra. Débora Cadore durante o evento realizado na Coreia do Sul, que reuniu pesquisadores internacionais para debater avanços em terapias regenerativas, transplante capilar e inteligência artificial aplicada à dermatologia.

Entre as palestras mais impactantes para a médica brasileira esteve a do professor e pesquisador Dr. Ralf Paus, da Universidade de Miami, que apresentou estudos relacionando o cabelo a funções biológicas de excreção e eliminação de substâncias do organismo, um mecanismo que lembra, em certa medida, o papel desempenhado pelo fígado.

“Foi uma das discussões mais interessantes do congresso. Ele conseguiu demonstrar cientificamente que o cabelo também participa de processos de excreção do organismo. Isso ajuda a explicar, por exemplo, por que conseguimos detectar substâncias químicas e drogas através dos fios em exames toxicológicos”, explica Débora Cadore.

Segundo a dermatologista, a pesquisa reforça um conceito cada vez mais presente na medicina capilar moderna: o cabelo não deve ser tratado apenas como estética.

“A saúde do cabelo está diretamente ligada ao funcionamento interno do organismo. Hoje a medicina capilar olha para inflamação, microbiota, envelhecimento celular, nutrição, equilíbrio hormonal e regeneração. Existe uma visão muito mais sistêmica”, afirma.

Coreia do Sul dita tendências globais em saúde capilar

Além de acompanhar o congresso científico, Débora aproveitou a viagem para mergulhar na rotina das clínicas coreanas, reconhecidas mundialmente pelo alto nível tecnológico e pelos protocolos extremamente rigorosos de cuidado com pele e couro cabeludo.

Durante a estadia em Seul, a médica viveu experiências como paciente anônima em clínicas dermatológicas e head spas especializados, justamente para observar como funcionam os protocolos de atendimento, avaliação e prevenção utilizados na Ásia.

“O que mais me chamou atenção foi o nível de seriedade com que eles tratam a saúde capilar. O couro cabeludo é visto como extensão da pele do rosto. Existe uma cultura muito forte de prevenção e cuidado contínuo”, relata.

Segundo a especialista, as clínicas coreanas utilizam inteligência artificial para mapear sinais de envelhecimento, flacidez, hidratação, manchas e saúde do couro cabeludo antes mesmo da consulta médica.

“O paciente passa primeiro por uma análise extremamente detalhada feita por IA. O sistema compara dados, identifica prioridades e sugere protocolos personalizados. Existe uma cultura muito forte de monitoramento e prevenção”, explica.

Débora afirma que o padrão de atendimento observado na Coreia vai além da tecnologia.

“Tudo funciona com excelência. Desde a recepção até a experiência sensorial do paciente. Não existe improviso. Cada etapa tem um propósito técnico muito bem definido.”

Terapias regenerativas dominaram debates científicos

Outro destaque do congresso foram as chamadas terapias regenerativas, consideradas hoje uma das principais apostas da medicina capilar e estética mundial.

Tratamentos com plasma rico em plaquetas ativadas, bioestimulação celular, células tronco derivadas de gordura e protocolos voltados à regeneração do próprio organismo dominaram parte importante das apresentações científicas.

“A grande tendência mundial é estimular a capacidade regenerativa natural do corpo. Isso apareceu muito forte no congresso. A medicina está caminhando para tratamentos menos artificiais e mais regenerativos”, afirma a dermatologista — que foi pioneira no mundo no uso de células-tronco extraídas da gordura do próprio paciente para tratar determinados tipos de alopécia.

Segundo Débora, muitas das tecnologias apresentadas no congresso já fazem parte da realidade da medicina brasileira.

“Eu voltei da Coreia muito feliz porque percebi que o Brasil não está atrasado. Muitas tecnologias, equipamentos e terapias discutidos lá já fazem parte da nossa prática clínica”, diz.

Um grande diferencial é o mindset dos pacientes e médicos coreanos. Um olhar cada vez mais voltado à prevenção do que ao tratamento dos problemas capilares e envelhecimento cutâneo. Entre os tratamentos mais discutidos no evento estavam novas formulações de minoxidil oral de liberação lenta, ativos com microespículas capazes de potencializar a entrega de substâncias no couro cabeludo e terapias voltadas ao combate do envelhecimento capilar.

O médico que mais realiza transplantes capilares na Ásia

Durante a viagem, Débora Cadore também teve acesso aos bastidores da Dana Plastic Surgery, clínica referência internacional em transplante capilar comandada pelo Dr. Jae Hyun Park, considerado o médico que mais realiza transplantes capilares em toda a Ásia, com cerca de 1.200 cirurgias por ano.

A dermatologista catarinense passou um dia inteiro acompanhando a rotina do especialista, observando protocolos cirúrgicos, dinâmica das equipes e processos operacionais da clínica.

“O mais impressionante não é apenas a técnica cirúrgica, mas o nível de integração da equipe. Existe uma precisão muito grande em cada etapa do processo. É uma operação extremamente eficiente sem perder qualidade”, relata.

Segundo ela, a experiência reforçou uma percepção importante: a excelência em medicina capilar não depende apenas de tecnologia, mas também de treinamento, padronização e experiência do paciente.

Beleza coreana vai além das tendências do TikTok

A viagem também desconstruiu algumas percepções populares sobre o mercado de beleza coreano. Segundo Débora, muitas marcas que viralizaram internacionalmente nas redes sociais sequer são utilizadas pelas próprias coreanas.

“Muitas marcas famosas no TikTok são feitas para exportação. A coreana busca naturalidade, saúde da pele e prevenção. Existe uma estética muito menos exagerada”, afirma.

Ela também destaca que os cuidados capilares fazem parte da rotina diária das mulheres coreanas desde cedo — incluindo protocolos específicos para microbiota do couro cabeludo, prevenção de envelhecimento e estímulo neural.

Uma das pesquisas apresentadas no congresso, inclusive, mostrou que massagens e estímulos no couro cabeludo podem ativar liberação de serotonina e influenciar positivamente o ciclo capilar.

“Existe muita ciência por trás desses protocolos que às vezes parecem apenas estéticos. Eles estudam fisiologia, neurociência, microbiota e envelhecimento capilar com muita profundidade”, pontua.

Além disso, o cuidado com o couro cabeludo também visa a prevenção do envelhecimento e flacidez facial, afinal, a pele do couro cabeludo também ajuda, e muito, na sustentação da face. “Este olhar coloca sim o couro cabeludo como ponto crucial na rotina de skincare de toda coreana. E agora também já entra na rotina de skincare de todos os pacientes que passam pela Cadore”, conclui a Dra Débora.





Fonte ==> Semanario-SC

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