Na última sexta-feira (10), o governo federal publicou uma portaria ministerial restringindo os anúncios e divulgação sobre bets no país. Fato, não estamos falando apenas de quem perde uma aposta em um jogo de futebol.
Estamos falando de famílias que perderam o controle financeiro, de pessoas que passaram a enxergar a aposta como alternativa de renda, de jovens que cresceram acreditando que ganhar dinheiro depende mais da sorte do que do trabalho. Familías foram destruídas por falta de equilíbrio financeiro pela irresponsabilidade de um chefe de família que se rendeu ao vício do jogo.
Quando isso acontece em escala nacional, deixa de ser uma decisão individual para se transformar em um problema coletivo. A indústria das apostas foi até competente em criar uma sensação de normalidade. As marcas estão nos uniformes, nas transmissões, nos programas esportivos e nas redes sociais.
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O recado, ainda que indireto, foi claro durante muito tempo: apostar faz parte da experiência do futebol. Só que a realidade nunca foi essa. O lucro das empresas nasce justamente da perda da maioria dos apostadores. A falsa promessa do dinheiro fácil é o ‘X’ da questão.
É evidente que ninguém defende a proibição da atividade legal e fechamento das bets. Não! O que se espera é responsabilidade. Durante anos, o debate ficou concentrado na arrecadação de impostos e no tamanho desse mercado bilionário. Enquanto isso, pouco se falou sobre os danos silenciosos: endividamento, compulsão, conflitos familiares e até o crescimento de golpes aplicados em quem busca recuperar o dinheiro perdido.
As novas regras publicadas pelo governo representam um avanço porque reconhecem que publicidade também influencia comportamento. Mas a mudança não pode parar na propaganda. O país precisa discutir educação financeira, prevenção ao vício, atendimento para quem desenvolveu dependência e fiscalização permanente das empresas autorizadas a operar.
Se não bem regulamentadas em termos de conscientização, do processo e reeducação das apostas, as bets serão, muitas vezes, danosas no meio social
Governo divulga licenças de bets e libera 25 mil documentosFoto: Divulgação/Ministério da Fazenda/ND MaisDa mesma forma que hoje a sociedade entende os riscos do cigarro e do consumo abusivo de álcool, será preciso construir uma consciência sobre as apostas. Elas não são investimento. Não são complemento de renda.
E muito menos um caminho seguro para mudar de vida. As pessoas precisam entender que responsabilidade financeiro e uso muito moderado deste tipo de jogo, é o caminho. A portaria publicada pelo governo é apenas o começo.
Fonte ND Mais