Divas do k-pop, Aespa faz show sob chuva em SP; entrevista – 06/09/2026 – K-cultura

Quatro mulheres em pé no palco durante apresentação, vestindo roupas pretas com detalhes em branco e botas pretas. Fundo iluminado em tons alaranjados com silhuetas escuras.

A chuva que pegou o público de surpresa no show do Aespa não afetou o grupo de k-pop. Karina, Giselle, Winter e Ningning cantaram e dançaram (de salto alto) como se a água não fosse problema. Inclusive, mantendo coreografias em que deitavam no chão, demonstrando profissionalismo. Por outro lado, o clima parece ter desanimado parte da plateia.

O quarteto voltou ao Brasil para o segundo show após exatos três anos. Desta vez, elas chegam sob o status de divas do pop da Coreia do Sul. Em 2023, se apresentaram num Espaço Unimed lotado, para cerca de 8.000 pessoas. Nesta sexta (4), ocuparam o Mercado Livre Arena Pacaembu, com capacidade para 30 mil.

Ao todo, 21.652 ingressos foram vendidos. Com o número, o Aespa detém o segundo maior público de um grupo feminino sul-coreano no país, atrás do Twice, que fez dois shows no Nubank Parque, em 2024.

Winter, uma das vocalistas, lembra “com muita clareza” de um momento na primeira passagem pela capital paulista. Durante sua apresentação solo, os fãs acenderam as lanternas dos celulares. “Foi um momento muito bonito, e a energia dos fãs brasileiros realmente ficou comigo”, diz ela em entrevista à Folha.

O Aespa já era popular então, mas de lá para cá se consolidou como um dos maiores nomes do k-pop atualmente.

A guinada veio pouco após o show no Brasil, quando lançaram “Drama”. Escrita por Ejae, a responsável pela trilha de “Guerreiras do K-pop”, a música estourou e acumula meio bilhão de reproduções no Spotify. Apesar dos pedidos dos fãs no estádio, a faixa ficou de fora.

Segundo a produção, a setlist das apresentações nas Américas do Sul e do Norte é diferente daquela das paradas na Ásia. Eles afirmam que todas as músicas apresentadas em São Paulo se basearam no repertório planejado e nenhuma canção foi cortada em decorrência da chuva ou de restrições de horário do local.

Ainda em 2023, o Aespa passou por um rebranding após brigas internas da SM Entertainment. Lee Soo-man, o fundador, saiu da empresa no fim de 2022. Foi ele que criou o conceito futurista do quarteto quando surgiu, no fim de 2020, com avatares alternativas das artistas num mundo virtual.

As chamadas AEs até participavam em videoclipes e performances, mas hoje raramente aparecem. “Spicy”, também de fora da setlist, marcou essa transição ao se destoar dos trabalhos anteriores.

Apesar das mudanças, o grupo construiu uma identidade própria, que mantém parte do caráter experimental proposto por Lee. “Com o tempo, chegamos a um ponto em que, mesmo quando experimentamos um novo gênero ou conceito, as pessoas ainda enxergam aquilo como algo com a cara do Aespa”, afirma a rapper Giselle, de ascedência japonesa.

O que contribuiu para se destacarem na indústria do pop sul-coreano. “Conseguir pegar qualquer tipo de música e torná-la nossa, sem perder essa identidade tão marcante do Aespa, provavelmente é uma das nossas maiores forças”, observa Giselle.

Após “Drama”, o quarteto emendou uma sequência daqueles que seriam os maiores hits da carreira: “Supernova”, “Whiplash” e “Armageddon”, esta também assinada por Ejae.

Além do sucesso nas paradas, as quatro receberam diversos prêmios e se tornaram garotas-propagandas de grandes marcas. Karina, a líder e dançarina principal, é it girl na terra natal. Antes do trecho latino-americano da turnê, atraíram multidão no Lollapalooza Chicago.

Com as experiências, as integrantes ganharam muito mais confiança no palco. Elas debutaram durante a pandemia e, por causa das restrições, se apresentaram para plateias vazias. As performances eram transmitidas na TV e na internet.

“Hoje, mesmo quando acontece algo inesperado, conseguimos manter um pouco mais a calma e lidar melhor com a situação”, diz a chinesa Ningning, vocalista principal e membro mais nova. “Também nos apresentamos juntas há tanto tempo que existe muita confiança entre nós, e isso torna mais fácil relaxar e realmente aproveitar”, completa.

Quando olha para essa trajetória, Karina sente que tudo “ainda parece um pouco surreal”. “Isso me deixa ainda mais grata por podermos ver nossos fãs pessoalmente, criar uma conexão com eles e compartilhar essa energia no palco”, afirma. E reflete: “Chegamos até aqui dando um passo de cada vez”.

O show no estádio em São Paulo começou com os singles mais recentes e os hits: “Lemonade”, “Switchblade” (parceria com o rapper americano Ty Dolla $ign), “Whiplash”, “Black Mamba” e “Whole Different Animal” (feat. com G-Dragon, do Big Bang).

Só depois dessa sequência, ponto alto da noite, as quatro pararam para recuperar o fôlego e se introduzir. Ao longo de 2h30, elas fizeram poucas pausas para falar com o público, em contraste com a norma dos shows do k-pop, que se alongam em depoimentos e conversas. As interações foram curtas, reflexo do mau tempo.

Segundo a produção, a chuva causou alguns atrasos entre as apresentações, em razão das mudanças de palco e de cenário. Nos intervalos, a equipe empurrava a água com rodos. Sempre que retornavam, as cantoras estavam com cabelo e maquiagem impecáveis.

Nas redes sociais, fãs também reclamaram da brevidade da interação com as artistas, vendida em pacotes vips por R$ 3.000.

Os primeiros sucessos, “Black Mamba” e “Next Level”, ganharam versões remix. “Supernova” —já eleita música do ano no país asiático— encerrou a performance antes do bis também com novas batidas.

Houve ainda solos das integrantes e apresentações em duplas. Junto com as “b-sides” do álbum mais recente, estes foram os momentos em que a plateia menos acompanhou animada. Talvez porque São Paulo é a terceira parada da turnê, e não deu tempo dos fãs decorarem tudo, ou por causa da chuva. Ou, ainda, porque grupos de k-pop femininos não recebem a mesma euforia que os masculinos no Brasil.



Fonte ==> Folha SP

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