Autoestima não é pensar positivo: por que gostar de si exige mais do que repetir frases motivacionais

Clínica Afetivismo

Clínica Afetivismo chama atenção para a diferença entre tentar substituir pensamentos negativos e desenvolver uma relação mais segura, compreensiva e realista consigo mesmo

“Eu sou capaz.” “Eu mereço.” “Vai dar tudo certo.” “Preciso acreditar mais em mim.”

Frases como essas se tornaram comuns nas redes sociais e fazem parte de um universo cada vez maior de conteúdos sobre autoestima e desenvolvimento pessoal. O problema começa quando uma questão emocional complexa é reduzida à ideia de que basta pensar positivamente para passar a gostar de si mesmo.

A autoestima não é construída apenas pelo que uma pessoa diz sobre si. Ela envolve a maneira como interpreta suas experiências, reconhece as próprias necessidades, reage aos erros, estabelece limites e se relaciona com aquilo que sente.

Para a Clínica Afetivismo, especializada em psicoterapia e com atuação centrada na compreensão das emoções, desenvolver autoestima passa justamente por construir uma relação mais consciente consigo mesmo, inclusive quando aquilo que aparece internamente não é agradável.

Pensar positivo pode virar outra cobrança

Há uma diferença importante entre cultivar esperança e sentir que é obrigatório enxergar tudo de maneira positiva.

Uma pessoa pode repetir que é competente e, ainda assim, sentir-se profundamente inadequada diante de uma crítica. Pode dizer que merece ser amada, mas aceitar repetidamente relações nas quais suas necessidades são ignoradas. Também pode afirmar que confia em si mesma e passar horas se culpando depois de cometer um erro.

Nesses casos, acrescentar uma frase positiva não necessariamente modifica aquilo que sustenta emocionalmente a insegurança.

É justamente essa distância entre aquilo que racionalmente sabemos e aquilo que emocionalmente experimentamos que merece atenção.

A Afetivismo trabalha a partir de uma perspectiva que coloca as emoções como elementos importantes para a compreensão da experiência humana. Em vez de simplesmente eliminar sentimentos considerados negativos, a proposta é compreender o que eles comunicam e como determinadas experiências influenciam a maneira como uma pessoa percebe a si mesma.

Clínica Afetivismo

Autoestima também aparece nos momentos ruins

Talvez seja relativamente fácil gostar de si quando as coisas estão funcionando.

A questão se torna mais complexa diante do fracasso, da rejeição, da comparação, da vergonha ou da sensação de não corresponder às expectativas.

É nesses momentos que a autoestima deixa de ser apenas uma ideia abstrata.

Como você conversa consigo mesmo quando erra? Um fracasso significa que algo deu errado ou rapidamente se transforma em “eu sou um fracasso”? Uma rejeição é percebida como uma experiência dolorosa ou como confirmação de que você não é suficientemente interessante? Uma crítica é analisada ou imediatamente incorporada como prova de incapacidade?

A forma como essas experiências são processadas pode revelar muito mais sobre a relação de uma pessoa consigo mesma do que qualquer declaração positiva diante do espelho.

Aceitar uma emoção não significa concordar com tudo o que ela diz

Outro equívoco está em imaginar que acolher emoções significa acreditar automaticamente nelas.

Sentir-se incapaz não significa ser incapaz.

Sentir vergonha não significa necessariamente ter algo de que se envergonhar.

Sentir medo não significa que determinada situação seja realmente perigosa.

Mas tentar expulsar essas emoções imediatamente também pode impedir que se compreenda de onde elas surgem.

A proposta defendida pela Clínica Afetivismo é olhar para as emoções como fontes de informação sobre necessidades, experiências e formas de relacionamento construídas ao longo da vida. Esse processo não significa viver submetido ao que se sente, mas desenvolver recursos para compreender essas experiências e responder a elas de maneira mais consciente.

Autoestima não exige sentir-se incrível o tempo inteiro

Existe ainda uma imagem idealizada da pessoa com “boa autoestima”: alguém extremamente seguro, confiante, independente e praticamente imune à opinião dos outros.

A vida emocional real costuma ser bem menos linear.

Uma pessoa pode reconhecer seu próprio valor e ainda sentir insegurança. Pode gostar de quem é e desejar mudar determinados comportamentos. Pode ter consciência de suas qualidades e sofrer diante de uma rejeição.

Uma autoestima mais consistente não elimina vulnerabilidades.

Ela pode, porém, modificar a maneira como a pessoa responde a elas.

Em vez de transformar um erro em condenação pessoal, torna-se possível reconhecer uma falha sem reduzir toda a identidade àquele acontecimento. Em vez de depender constantemente de validação externa, a pessoa pode compreender melhor aquilo de que necessita e estabelecer limites mais coerentes.

O papel da psicoterapia

É nesse ponto que o trabalho psicoterapêutico pode assumir importância.

A Afetivismo oferece psicoterapia online e desenvolve seu trabalho especialmente a partir da Terapia Focada nas Emoções (TFE), abordagem que valoriza as experiências afetivas, a relação terapêutica e a transformação emocional.

Na prática, o objetivo não é ensinar alguém a substituir cada pensamento desagradável por uma frase otimista. O processo envolve compreender padrões emocionais, experiências significativas e maneiras de interpretar a si mesmo e suas relações.

A própria clínica destaca a importância de uma relação terapêutica na qual a pessoa possa se sentir compreendida e segura para entrar em contato com experiências difíceis sem precisar escondê-las ou rapidamente transformá-las em algo positivo.

Uma relação consigo, não uma campanha de convencimento

Talvez uma maneira mais realista de compreender autoestima seja deixar de tratá-la como uma campanha permanente para convencer a si mesmo de que é extraordinário.

Não é necessário acordar todos os dias acreditando ser incrível.

É mais importante conseguir reconhecer a própria dignidade mesmo quando o desempenho não foi incrível.

Autoestima envolve perceber qualidades, mas também suportar limitações. Reconhecer conquistas, mas atravessar fracassos. Escutar elogios sem depender exclusivamente deles e receber críticas sem permitir que elas definam toda uma identidade.

Por isso, o caminho pode estar menos em repetir “eu preciso gostar mais de mim” e mais em investigar uma pergunta diferente:

Como eu me trato quando não consigo ser a pessoa que gostaria de ser?

A resposta talvez revele muito mais sobre autoestima do que qualquer pensamento positivo.

Sobre a Clínica Afetivismo

A Afetivismo é uma plataforma especializada em psicoterapia online e supervisão clínica, fundada pelos psicólogos Karine Laini e Thiago Loreto. A atuação da clínica tem como uma de suas principais referências a Terapia Focada nas Emoções (TFE), valorizando a compreensão das experiências emocionais e a relação terapêutica como partes do processo de transformação.

Além dos atendimentos, a Afetivismo desenvolve iniciativas relacionadas à divulgação de informações sobre psicologia, eventos e formação e supervisão de profissionais.

Atendimento: psicoterapia online para todo o Brasil e brasileiros no exterior.

Site: afetivismo.com.br
Instagram: @afetivismo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 + 1 = ?
Reload

Please enter the characters shown in the CAPTCHA to verify that you are human.