Bolsa e dólar sobem com disparada do petróleo e cenário eleitoral no radar

Bolsa e dólar sobem com disparada do petróleo e cenário eleitoral no radar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa fechou em alta de 0,94%, aos 206.222 pontos, nesta quinta-feira (8), com o avanço do petróleo no exterior e em meio à expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha sobre o segundo turno das eleições presidenciais.

O dólar fechou em alta de 0,20%, cotado a R$ 5,024. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante seis outras divisas fortes, encerrou a sessão em queda de 0,13%.

A moeda norte-americana teve um dia de oscilações estreitas, com leve alta na abertura e perda de força ao longo da sessão. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o movimento reflete um ajuste após os ralis recentes dos ativos brasileiros, enquanto a entrada de fluxo estrangeiro ajuda a limitar a pressão exercida pelos juros mais altos nas economias desenvolvidas.

O petróleo acompanhou as tensões no Oriente Médio. Às 17h09, o Brent, referência internacional, subia 3,61%, a US$ 103,80. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam em alta de 2,11%, a R$ 55,48.

Há temor de novos ataques dos Estados Unidos após reportagem da revista The Atlantic afirmar que o presidente Donald Trump estaria considerando uma ofensiva contra o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. Segundo a publicação, a Casa Branca teria pedido ao Pentágono que elaborasse opções para atacar instalações iranianas antes da votação.

Além disso, um ataque com mísseis dos rebeldes houthis do Iêmen destruiu nesta quinta-feira um avião da estatal saudita Saudia no aeroporto internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita.

O incidente ocorre em meio à intensificação dos ataques dos houthis, aliados do Irã, contra a Arábia Saudita. Nesta semana, o governo saudita havia confirmado a morte de três pessoas em ações contra aeroportos, uma delas em Riad.

Segundo os houthis, dois mísseis balísticos foram disparados contra o aeroporto Rei Khalid. O governo local confirmou apenas que um míssil foi interceptado e que seus destroços atingiram instalações civis.

Antes do início do conflito entre EUA e Israel e o Irã, o estreito de Hormuz era responsável por cerca de 20% da circulação mundial de petróleo. A possibilidade de uma nova escalada aumenta os temores de interrupção do fluxo e de uma inflação global mais persistente.

O conflito também tem pressionado os ativos globais. Na véspera, a perspectiva de retomada das tensões já havia aparecido nos preços, com os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana, atingindo o maior nível desde março de 2002. Na máxima, o rendimento do título de dez anos chegou a 5,3624%. Nesta quinta, a máxima foi de 5,351%, uma variação de 0,01 ponto percentual.

“Temos aqueles encadeamentos tradicionais: isso acaba fortalecendo o dólar, enfraquecendo o ouro e impactando alguns setores específicos. O setor imobiliário, por exemplo, acaba sofrendo, enquanto os bancos também têm apresentado uma performance mais fraca, diante da preocupação com a concessão de crédito em um ambiente de juros elevados”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Em Wall Street, as Bolsas fecharam sem direção única. O Dow Jones teve alta de 0,10%, o S&P 500 caiu 0,45% e o Nasdaq recuou 1,25%.

No mercado doméstico, os investidores continuam atentos ao cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.

Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, os ativos domésticos continuam sendo influenciados pelas declarações de Flávio sobre o “Tesouraço”, como o candidato chama as medidas de ajuste fiscal que pretende implementar caso seja eleito presidente em 2027.

“Na minha visão, esse é o principal driver para destravar valor no Ibovespa. Como o mercado está muito atento às medidas fiscais a serem tomadas em 2027, essa notícia fez com que o mercado se animasse”, afirma.

Parte dos analistas avalia que uma eventual alternância de poder, com Flávio no lugar de Lula, poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida e reduzir a percepção de risco em relação aos ativos brasileiros.

A equipe responsável pelo programa econômico do candidato Flávio Bolsonaro estuda um pacote de medidas fiscais para viabilizar um ajuste inicial da ordem de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões, valor considerado razoável para interromper a trajetória de crescimento da dívida pública bruta.

O plano prevê mudanças na forma de correção da Previdência Social e do BPC (Benefício de Prestação Continuada), além do fim dos pisos constitucionais que vinculam os gastos com saúde e educação à arrecadação federal.

A expectativa de maior controle fiscal está relacionada à forte valorização dos ativos domésticos no começo da semana. Na segunda-feira, a Bolsa superou pela primeira vez o patamar de 200 mil pontos e chegou a 209.605 pontos, novo recorde durante o pregão. O dólar, por outro lado, recuou para abaixo de R$ 5. Na terça-feira, a moeda atingiu o menor patamar desde maio.

Nesse cenário, os juros futuros também continuam repercutindo o resultado do primeiro turno eleitoral. Às 17h16, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,540%, queda de 0,05 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 estava em 12,560%, recuo de 0,21 ponto percentual.

A nova pesquisa Datafolha, prevista para ser divulgada a partir das 18h45, deve mostrar a intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial, entre Lula e Flávio Bolsonaro, e para o governo do Distrito Federal, entre a governadora Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT).

Nesse ambiente, o Tesouro Nacional vendeu R$ 33,28 bilhões em títulos prefixados nesta quinta. Foram R$ 27,86 bilhões em LTNs, com vencimentos entre 2028 e 2032, e R$ 5,43 bilhões em NTN-Fs, com vencimentos entre 2031 e 2037. Foi o maior volume vendido em uma primeira rodada de leilão desde dezembro de 2020, quando a captação chegou a R$ 44,3 bilhões.

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o volume mostra que o Tesouro aproveitou o interesse dos investidores por títulos prefixados para captar recursos a taxas fixas.

A emissão ocorreu também por conto dos efeitos da forte queda dos juros futuros na segunda-feira (5), em reação ao resultado do primeiro turno das eleições.

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Fonte ==> Gazeta do Povo e Notícias ao Minuto

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