Da transição entre o surfe, a vida profissional e a arte, Marcos Pereira Ribeiro transforma experiências em expressão musical e encontra equilíbrio em meio às transformações da vida
Em momentos de mudança, sejam eles profissionais, pessoais ou geográficos, a estabilidade emocional costuma ser colocada à prova. Nesse contexto, a música tem se consolidado como uma importante aliada no enfrentamento dessas transições, funcionando como espaço de expressão, organização interna e reconstrução de identidade.
A trajetória do brasileiro Marcos Pereira Ribeiro exemplifica como a arte pode assumir esse papel ao longo da vida. Antes de se dedicar à música, ele construiu uma história marcada por diferentes ciclos profissionais, que vão do surfe competitivo à atuação técnica na construção civil, até chegar ao atual momento de formação artística nos Estados Unidos.
Marcos iniciou no surfe ainda jovem e integrou o circuito profissional entre 2005 e 2010, período em que foi patrocinado pela marca americana Hurley e participou de competições em diversos países. A rotina exigente, marcada por treinos, viagens e pressão por resultados, moldou sua disciplina, mas também trouxe um desafio comum a muitos atletas: o processo de transição após o fim da carreira esportiva.
Após deixar as competições, ele seguiu conectado ao esporte como professor de surfe e trabalhou também em uma fábrica de pranchas. Em seguida, ingressou na construção civil, onde se formou como técnico em Segurança do Trabalho e técnico em Edificações. Esta fase ampliou sua visão profissional e trouxe uma nova adaptação.
Foi nesse contexto de mudanças que a música passou a ocupar um espaço mais significativo. “A música sempre esteve presente, mas em determinados momentos ela se tornou um ponto de equilíbrio. Quando você está em transição, precisa de algo que ajude a processar o que está vivendo”, afirma.
Influenciado tanto pelo ambiente cultural do surfe quanto por referências familiares, Marcos manteve o contato com instrumentos ao longo dos anos. Com o tempo, essa relação evoluiu de prática ocasional para um processo mais estruturado de aprendizado e expressão.
Hoje, vivendo nos Estados Unidos, ele estuda no California College of Music, onde se dedica ao aperfeiçoamento em violão, piano e produção musical. A formação acadêmica consolidou uma percepção que ele já experimentava na prática: a música como ferramenta de regulação emocional.
“Quando você toca ou cria, existe uma conexão direta com o que você está sentindo. É um momento de desacelerar, organizar pensamentos e transformar experiências em algo que faz sentido”, diz.
Estudos nas áreas de psicologia e educação artística indicam que atividades musicais estimulam funções cognitivas importantes, como memória, concentração e controle emocional. Mais do que isso, oferecem um canal alternativo de expressão, especialmente em momentos em que as palavras não são suficientes.
Para Marcos, esse é um dos principais valores da arte. “Tem fases da vida que são difíceis de explicar. A música permite expressar isso de outra forma. Ela ajuda a entender o que você está sentindo”, afirma.
Sem a pretensão de romantizar os desafios, ele reconhece que a música não elimina as dificuldades, mas contribui para enfrentá-las com mais clareza e equilíbrio. “Não resolve tudo, mas muda a forma como você lida com as situações. Ter um espaço para criar ou simplesmente ouvir música com atenção já faz diferença”, avalia.
Entre o mar que marcou sua juventude, as experiências profissionais que acumulou e a atual inserção no universo musical, Marcos representa uma realidade cada vez mais presente: a busca por equilíbrio emocional em meio às mudanças. Nesse percurso, a música deixa de ser apenas uma forma de entretenimento e passa a atuar como ponte entre diferentes fases da vida, conectando passado, presente e novos começos.