Por Carlos Modolo, CEO da CTM.
A sustentabilidade deixou de ser uma narrativa aspiracional para se tornar um critério concreto de mercado. Não basta mais afirmar que é sustentável; é preciso comprovar, medir e justificar tecnicamente cada escolha feita ao longo da cadeia produtiva.
Hoje, mais de 60% das fibras têxteis produzidas são sintéticas e derivadas de fontes fósseis. O poliéster reciclado, que representa 15% da produção global, avançou, mas ainda não resolve o problema de uma indústria baseada no alto consumo de recursos e na geração de resíduos.
A discussão agora é sobre redesenhar processos inteiros, não apenas substituir matérias-primas.
O avanço dos fios tintos em massa exemplifica essa transição. Ao incorporar o pigmento diretamente ao polímero, como no caso do Tydall®, eliminam-se etapas tradicionais de tingimento, que consomem grandes volumes de água e energia.
O resultado é uma significativa redução de recursos, maior durabilidade e eficiência produtiva. No caso do Tydall®, os fios tintos em massa dispensam corantes e reduzem em pelo menos 70% o consumo de água e energia no processo produtivo, com qualidade tintorial nível 5.
O modelo de reciclagem também evolui. Embora a transformação de garrafas PET em fios tenha sido importante, a indústria agora busca reinserir resíduos industriais no ciclo produtivo.
Tecnologias como a reciclagem química, que permite que materiais retornem ao estado original, ampliam esse potencial, apesar de não serem ainda totalmente viáveis economicamente.
Inovações como o Recnyl®, (poliamida reciclada de resíduos industriais, certificada pelo GRS) e a tendência de transformar roupas usadas em novos fios (text-to-text) mostram que a sustentabilidade não é mais uma alternativa, mas uma evolução do mercado.
Além disso, as fibras de origem renovável, como a Bioamida, fio de biomassa vegetal com propriedades semelhantes à seda e pegada de carbono até 50% menor, estão ganhando espaço, especialmente em segmentos exigentes onde qualidade e responsabilidade ambiental são prioritárias.
Essas soluções convergem para uma conclusão: a sustentabilidade deixou de ser um atributo isolado e passou a ser parte da infraestrutura da indústria. Empresas agora precisam integrar inovação, responsabilidade e eficiência em seus processos.
A transparência, rastreabilidade e impacto ambiental mensurável são exigências básicas, não diferenciais.
Para empresas como a CTM, esse cenário reforça uma convicção: não há mais espaço para soluções superficiais. O futuro da indústria têxtil será definido por quem conseguir integrar inovação e responsabilidade de forma consistente e escalável.
A sustentabilidade, portanto, não é mais uma escolha estratégica, mas uma condição estrutural para competir. Empresas que não conseguirem integrar eficiência, rastreabilidade e inovação em seus processos não enfrentarão apenas uma perda de relevância, enfrentarão uma perda de viabilidade.
O mercado não está mais premiando discursos, está selecionando modelos de negócio.
Fonte ==> EconomiaSC