Influenciador do agro de SC abate mais de 150 javalis e vídeos geram polêmica nas redes sociais

Influencer do agro comemora nas redes sociais o abatimento de centenas de javalis.Foto: Instagram/Cesar Rincon/rincon061/Reprodução/ND Mais

Influencer do agro comemora nas redes sociais o abatimento de centenas de javalis.Foto: Instagram/Cesar Rincon/rincon061/Reprodução/ND Mais

Vídeos que mostram o influenciador do agro de Santa Catarina, Cesar Rincon, fazendo abate de javalis geraram debates nas redes sociais nos últimos dias.

Publicações do influenciador chamaram a atenção ao divulgar números expressivos de animais mortos durante operações de controle populacional em propriedade no Rio Grande do Sul.

Em uma postagem publicada nesta segunda-feira (22), o influenciador comemorou a caçada que terminou com 153 javalis abatidos. Em outro conteúdo, divulgado no dia 20, ele informou o abate de 35 animais em apenas duas horas.

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Outros vídeos compartilhados nas redes sociais do influencer, que conta mais de 6,9 milhões de seguidores, também exibem cenas sensíveis, com javalis sendo atingidos por disparos efetuados a partir de um helicóptero.

Influenciador abate javalis a partir de um helicóptero em propriedade rural.Foto: Instagram/Cesar Rincon/rincon061/Reprodução/ND MaisInfluenciador abate javalis a partir de um helicóptero em propriedade rural.Foto: Instagram/Cesar Rincon/rincon061/Reprodução/ND Mais

Matança de javalis gera debates nas redes sociais

Muitos usuários que assistiram aos vídeos na rede social do influencer defenderam a prática, argumentando que o javali é uma espécie exótica invasora que provoca prejuízos ambientais e econômicos.

Um dos comentários mais curtidos destaca que os animais atacam plantações, predam filhotes de espécies nativas, possuem alta capacidade reprodutiva e não encontram predadores naturais capazes de controlar sua população.

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    Compartilhar registros da caça de javali nas redes sociais pode levar a implicações jurídicas, principalmente se a pessoa não tiver registro no Ibama para realizar a atividade - Reprodução/Redes Sociais/NDMais

    Compartilhar registros da caça de javali nas redes sociais pode levar a implicações jurídicas, principalmente se a pessoa não tiver registro no Ibama para realizar a atividade – Reprodução/Redes Sociais/NDMais

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    Órgãos identificam javalis como espécie invasora que ameaça integridade da fauna e flora de Santa Catarina - Reprodução/ND

    Órgãos identificam javalis como espécie invasora que ameaça integridade da fauna e flora de Santa Catarina – Reprodução/ND

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    Espécie invasora já está presente em 236 municípios de Santa Catarina e 22 estados brasileiros - Reprodução/ND

    Espécie invasora já está presente em 236 municípios de Santa Catarina e 22 estados brasileiros – Reprodução/ND

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    Moradores reclamam da presença de javalis próximos ao Bairro da Juventude, em Criciúma - Divulgação/Valmir Gomes/ND

    Moradores reclamam da presença de javalis próximos ao Bairro da Juventude, em Criciúma – Divulgação/Valmir Gomes/ND

O mesmo comentário ressalta que o javali é atualmente a única espécie cujo abate é autorizado por normas federais de manejo e controle ambiental. “Javalis são invasores, comem plantações, filhotes de animais de outras espécies e não possui predador na natureza”, disse um seguidor de Rincon.

Por outro lado, outros usuários manifestaram indignação com as cenas e questionaram a adoção do abate como principal estratégia de controle populacional. Entre as críticas, há quem considere a eliminação dos animais uma medida cruel e defenda alternativas não letais.

Um comentário compartilhado nas publicações sugere o investimento em vacinas contraceptivas como forma de impedir a reprodução dos javalis, permitindo que a população diminua gradualmente sem a necessidade de extermínio em larga escala.

“Sou totalmente contra a abordagem de tentar reduzir populações animais através do extermínio. Matar animais não é a solução e considero essa prática inaceitável. Em vez disso, poderíamos buscar abordagens muito mais saudáveis e éticas, como o desenvolvimento e a aplicação de vacinas contraceptivas”, disse outro usuário da rede social.

Abate de javalis gera debate nas redes sociais.Foto: Instagram/Cesar Rincon/rincon061/Reprodução/ND MaisAbate de javalis gera debate nas redes sociais.Foto: Instagram/Cesar Rincon/rincon061/Reprodução/ND Mais

Norma no Rio Grande do Sul libera o controle de javalis

A Portaria SEAPPA nº 93/2011 estabelece, no Rio Grande do Sul, medidas de controle ambiental da ocorrência do javali-europeu (Sus scrofa) e de seus híbridos, reconhecidos como fauna exótica invasora.

A norma autoriza o controle populacional por meio de captura e abate, considerando os animais passíveis de eliminação em todas as suas formas, linhagens e graus de cruzamento em situação de liberdade.

A portaria também define procedimentos e condições para a realização do manejo, exigindo autorização do proprietário da área e comunicação prévia às autoridades competentes, além da indicação dos responsáveis pela atividade.

O abate deve ser realizado por meios físicos, sendo proibido o uso de venenos, e não há limitação de quantidade.

IBAMA estabelece regras para abate de javalis

Segundo informações do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), o javali (Sus scrofa) não possui predadores naturais suficientes para controlar sua população, o que gera impactos ambientais, econômicos e prejuízos à agricultura.

Diante da expansão da espécie pelo território brasileiro e dos riscos ao ecossistema, o órgão autorizou seu controle populacional em 2013 por meio de regulamentação. A proliferação dos javalis é apontada pelo órgão como uma ameaça à biodiversidade e à conservação dos recursos naturais.

Ainda segundo o Ibama, o controle populacional de javalis somente pode ser realizado mediante o cumprimento de uma série de exigências legais.

Entre elas estão a inscrição no CTF (Cadastro Técnico Federal), a emissão do Certificado de Regularidade, a solicitação de autorização para manejo por meio do Simaf (Sistema Integrado de Manejo de Fauna) e o envio dos relatórios das ações realizadas na plataforma.

Nos casos em que forem utilizadas armas de fogo durante o manejo, os equipamentos devem estar devidamente registrados junto ao Exército Brasileiro, conforme a legislação vigente.



Fonte ==> NDMais

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