Moradores do Rio Tavares, no Sul da Ilha, convivem há anos com transtornos provocados por alagamentos em áreas mais baixas do bairro, especialmente ao longo da SC-405. Em períodos de chuvas intensas, maré alta ou quando os dois fenômenos coincidem, a água invade pistas, dificulta a mobilidade, afeta residências e comércios e gera preocupação constante para quem vive ou circula pela região.
Os impactos para a comunidade são recorrentes, como relata a moradora Daiane Araújo. “Lembro dos alagamentos desde que eu era criança e passava pelo bairro. E, nos 14 anos que moro aqui no Rio Tavares, continua a mesma coisa. Nada mudou.”
A situação está relacionada às características naturais da região e estudos também apontam que o crescimento urbano e a impermeabilização do solo aumentaram a vulnerabilidade a alagamentos, principalmente nas áreas mais baixas, onde a capacidade de escoamento das águas pluviais é limitada.
Nos últimos anos, intervenções são realizadas para minimizar o problema, como a manutenção e ampliação de canais de drenagem, além de obras de desassoreamento e limpeza. Ainda assim, episódios de inundação se repetem.
André Santos, morador da Costeira e usuário frequente da SC-405, afirma que o problema faz parte da rotina de quem circula pela região. “É com frequência que isso acontece. Hoje mesmo deixei o carro em casa e vim de ônibus para a audiência pública porque sabia que teria maré alta.”
Diante desse cenário, a Comissão de Viação, Obras Públicas e Urbanismo da Câmara Municipal de Florianópolis realizou, na noite de quarta-feira, uma audiência pública no Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares.
O encontro reuniu moradores, representantes do poder público e entidades para discutir alternativas que possam reduzir os impactos dos alagamentos, entre elas a elevação da SC-405 no trecho que corta o bairro.
A iniciativa foi proposta pelo vereador Gilberto Pinheiro (Gemada), com o objetivo de promover o diálogo entre moradores, comerciantes, especialistas e órgãos públicos sobre soluções para os problemas históricos de mobilidade e drenagem da região, além dos impactos que uma eventual elevação da rodovia poderá trazer para a comunidade.
“O Rio Tavares está abaixo do nível do mar. Queremos discutir com os órgãos competentes a possibilidade de elevar a via, como já foi feito em outros momentos. Estamos falando de aproximadamente 750 metros de rodovia, não de toda a SC-405. Essa é uma necessidade urgente não apenas para o Rio Tavares, mas para toda a cidade, porque o Sul da Ilha acaba sendo afetado. Estamos aqui para ouvir a comunidade e iniciar essa construção coletiva.”
Participaram da audiência Eduardo Cavalli, Gerente da Diretoria de Operações da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade; Rafael Hahne, Secretário Municipal de Infraestrutura e Manutenção da Cidade; Bruno Vieira, Subsecretário de Meio Ambiente; e Pedro Neves, Subsecretário de Proteção e Defesa Civil. Já a Casan e a Celesc não enviaram representantes.
Durante o encontro foram debatidas as justificativas técnicas e urbanísticas para a elevação da rodovia, os impactos sociais, econômicos e ambientais da intervenção, experiências de outras localidades que adotaram soluções semelhantes e a importância da participação popular na construção do projeto.
Segundo Eduardo Cavalli, a aproximação com a comunidade é fundamental para o desenvolvimento de projetos mais eficientes.
“Muitas vezes, questões importantes podem passar despercebidas na fase de elaboração dos projetos. Esse diálogo permite identificar necessidades e buscar soluções antes mesmo da obra sair do papel.”
Já o secretário municipal de Infraestrutura, Rafael Hahne, destacou a importância estratégica da SC-405 para a mobilidade da Capital.
“Esse trecho da SC-405 é uma ligação fundamental entre o Sul e o Leste da Ilha. É muito importante que município, Governo do Estado, Câmara de Vereadores e população estejam alinhados para avançar nas obras de infraestrutura. Florianópolis foi a capital que mais cresceu na última década, e precisamos garantir que esse crescimento aconteça com planejamento, sustentabilidade e investimentos em mobilidade. Por isso, essa discussão junto à comunidade é tão importante.”
As contribuições apresentadas durante a audiência pública serão incorporadas aos estudos de viabilidade que integram o pré-projeto da obra.
Fonte ==> Semanario-SC