Conservador demais, Figueirense empata e deixa chance mínima de classificar na Série C

Maílson, atacante do Figueirense, tentando progredir ao ataque no empate sem gols contra a Inter de Limeira

Maílson, atacante do Figueirense, tentando progredir ao ataque no empate sem gols contra a Inter de LimeiraFoto: Patrick Floriani/FFC/ND

O empate sem gols diante da Inter de Limeira praticamente tira do Figueirense a possibilidade de classificação para a próxima fase da Série C. A forma como o time jogou deixa a sensação de uma oportunidade desperdiçada.

Em uma partida na qual precisava vencer para manter chances reais, o Furacão foi conservador, criou muito pouco e terminou os 90 minutos com apenas uma finalização. Faltou senso de urgência, principalmente porque o cenário exigia uma postura diferente.

No primeiro tempo, a Inter de Limeira teve um pouco mais de ações ofensivas, mas também não conseguiu ameaçar de fato o goleiro Fabrício. O Figueirense tentou encontrar algum espaço com Igor Bolt pelo lado esquerdo e Dudu por dentro. O meia chegou a finalizar no começo da partida, mas sem perigo. Foi pouco para uma equipe que entrou em campo sabendo que o empate praticamente não servia.

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O jogo foi tecnicamente fraco, com muitos erros de passe, pouca criatividade e raras situações de gol. O problema é que o Figueirense parecia jogar como se tivesse tempo de sobra para buscar o resultado. Raynan e Dudu pouco se aproximaram, os laterais foram tímidos no apoio e o time não conseguiu criar superioridade pelos lados nem encontrar espaços entre as linhas da Inter.

O meia, Dudu, do Figueirense, teve uma atuação ofensiva muito abaixoO meia, Dudu, do Figueirense, teve uma atuação ofensiva muito abaixoFoto: Patrick Floriani/FFC/ND

Era uma partida para assumir riscos. O Figueirense precisava vencer e, por isso, não havia muito sentido em preservar forças ou controlar excessivamente os espaços. A necessidade da vitória deveria ter empurrado a equipe para frente desde o início. Faltou agressividade, velocidade na circulação da bola e, principalmente, mais jogadores próximos da área adversária.

O gramado ruim, em Limeira, era para os dois times, e não pode servir de muleta. No segundo tempo, a situação ficou ainda mais complicada. A Inter de Limeira começou pressionando e encontrou mais espaço para atacar. O Figueirense resistiu graças a uma boa atuação de Fabrício, que apareceu quando foi exigido e evitou que o adversário transformasse a pressão em vantagem no placar.

Aos 16 minutos, porém, veio outro golpe. Lucas Dias recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Com um jogador a menos, o problema ofensivo que já existia ficou ainda maior. O Figueirense perdeu qualquer capacidade de circulação e passou a jogar cada vez mais distante do gol adversário.

A partir daí, a equipe praticamente abriu mão de construir. Restou esperar uma oportunidade no fim e apostar no abafa, em bolas alçadas à área e em alguma sobra que pudesse produzir o gol da vitória. Não aconteceu. E seria difícil esperar algo diferente de um time que, em 90 minutos, conseguiu apenas uma finalização.

Nesse ponto, também é preciso colocar responsabilidade sobre Raul Cabral. O treinador foi conservador nas trocas e, diante da necessidade absoluta da vitória, faltou ousadia para mexer na estrutura da equipe e colocar mais força ofensiva em campo. Mesmo com a expulsão, era necessário encontrar alternativas para tentar vencer. O empate, na prática, era quase tão ruim quanto uma derrota.

O Figueirense precisava correr o risco. Precisava colocar mais jogadores no campo de ataque, acelerar o jogo e aceitar que poderia sofrer um contra-ataque. Era o preço a pagar para continuar vivo. Ao optar por uma postura mais cautelosa, o time terminou sem perder, mas também sem criar as condições necessárias para vencer.

Os jogos no Scarpelli, tiraram a chance de classificação do Figueirense na próxima fase  da Série C

O atacante Igor Bolt, do Figueirense, passou a ter mais espaço no final do jogo, no empate em 0 a 0 contra Inter de LimeiraO atacante Igor Bolt, do Figueirense, passou a ter mais espaço no final do jogo, no empate em 0 a 0 contra Inter de LimeiraFoto: Patrick Floriani/FFC/ND

Agora, a matemática e os critérios de desempate deixam a classificação praticamente improvável e impossível. O Figueirense chega à última rodada dependendo de uma combinação absurda e muito difícil, sem ter mais controle sobre o próprio destino. O jogo contra o Maranhão, portanto, corre o risco de se transformar em uma espécie de amistoso de luxo, quando deveria ser uma partida decisiva por uma vaga.

O que mais incomoda não é apenas a situação matemática. É o fato que a campanha do Figueirense nos jogos no Scarpelli, é que mais pesa na falta de chances mais plausíveis para buscar classificação à próxima fase da Série C.

Foram muitos pontos perdidos em seus domínios, aí não dá para esperar algo diferente. O Furacão vai tendo um ano que do vexame do rebaixamento no estadual, ainda tem um final melancólico na Série C.



Fonte ==> NDMais

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