As vendas caem, mas o desejo de comprar cresce: o paradoxo do mercado de SC

As vendas caem, mas o desejo de comprar cresce: o paradoxo do mercado de SC

Se a intenção de compra está no maior patamar da história, por que as vendas em Santa Catarina caíram no ano passado? A resposta explica mais sobre 2026 do que sobre 2025.

No primeiro semestre de 2025, as vendas de imóveis caíram 5,4% em Santa Catarina e 2,9% na região Sul como um todo, segundo dados da consultoria Brain Inteligência Estratégica.

No mesmo período, porém, o Brasil como um todo cresceu 6,9% em volume de vendas e 5,9% em valor, de acordo com levantamento da ABRAINC em parceria com a Fipe. 

Enquanto o país vendia mais, Santa Catarina vendia menos, mesmo sendo o estado que mais lança no Sul do país. E a parte mais intrigante é que a intenção de compra nunca esteve tão alta.

Recorde de intenção, recorde de frustração

Segundo a Brain, 56% dos consumidores sulistas afirmam ter intenção de comprar um imóvel. No fechamento do quarto trimestre de 2025, esse índice nacional bateu 50%, a maior marca da série histórica da pesquisa, alta de 5 pontos percentuais sobre o mesmo período de 2024. 

No primeiro trimestre de 2026, o índice segue perto disso, com destaque para a Geração Z, que saltou de 49% de intenção de compra no início de 2025 para 59% um ano depois.

O problema está na conversão. A mesma pesquisa mostrou que, no primeiro semestre de 2025, apenas 7% dos entrevistados haviam efetivamente comprado um imóvel nos últimos 12 meses, abaixo dos 10% registrados em 2023 e 2024.

E outro levantamento da consultoria expõe a distância entre desejo e ação de forma ainda mais direta: 46% dos brasileiros diziam querer comprar um apartamento, mas só 38% de fato compraram. Com casas de rua, o padrão se repete, 41% queriam, 34% conseguiram.

O motivo por trás dessa distância não é mistério. 63% dos brasileiros consideram que contratar financiamento está mais difícil neste ano. Com a Selic em 15%, o crédito imobiliário fica caro justamente para quem mais precisa dele.

Por que isso não é motivo para esperar parado

É tentador ler esse panorama como um sinal para recuar. Eu leio diferente. Um mercado com demanda contida não é um mercado sem demanda, e sim um mercado com demanda represada, esperando a janela certa para se converter em decisão.

E essa janela já tem data prevista, visto que o Boletim Focus do Banco Central projeta a Selic caindo dos atuais 15% para 12,25% até o fim de 2026, com a inflação recuando de 5,17% para algo perto de 4,2%. 

60% dos entrevistados da pesquisa da Brain afirmam que teriam maior intenção de compra se a taxa de juros caísse entre dois e quatro pontos percentuais nos próximos 24 meses.

Ou seja, o consumidor não desistiu. Ele está esperando o crédito ficar viável e, quando ficar, a demanda que se acumulou nesse período vai se converter de uma vez.

É esse raciocínio que me fez entrar, recentemente, como conselheiro estratégico do Sky Tower, um novo projeto residencial em Santo Ângelo/RS. 

Depois de estruturar mais de 15 SPEs em Florianópolis, entendo esse ciclo de que os projetos que se posicionam agora, enquanto o crédito ainda está caro, são os que vão estar prontos para vender no exato momento em que a demanda represada finalmente encontrar juro mais baixo. Quem espera o cenário ficar confortável para agir, geralmente, chega depois de todo mundo.

O mercado catarinense não está fraco, está contido. E contenção, historicamente, é o que vem antes de um movimento forte.



Fonte ==> EconomiaSC

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