Tabagismo volta a crescer em Santa Catarina, e especialista alerta para avanço dos cigarros eletrônicos

Tabagismo volta a crescer em Santa Catarina, e especialista alerta para avanço dos cigarros eletrônicos

A passagem do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, reforça um alerta em Santa Catarina: o estado apresenta índices de tabagismo superiores à média nacional e enfrenta o avanço dos cigarros eletrônicos, principalmente entre jovens e adolescentes.

A pneumologista e coordenadora do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo, Dra. Leila John Marques Steidle, explica que o Brasil reduziu significativamente o número de fumantes nas últimas décadas, resultado de políticas públicas, campanhas de conscientização e ampliação das medidas de controle e tratamento.

Depois de um longo período de queda, a prevalência do tabagismo voltou a crescer, movimento que preocupa pesquisadores e profissionais de saúde.

Cigarro eletrônico pode ser porta de entrada

Uma das possíveis explicações para esse cenário é a popularização dos dispositivos eletrônicos para fumar, especialmente entre adolescentes e jovens.

Pesquisas apontam um aumento na experimentação desses produtos entre as novas gerações. Além disso, usuários de cigarros eletrônicos apresentam maior probabilidade de passar a consumir cigarros convencionais ou utilizar os dois produtos.

A médica ressalta que a nicotina tem alto potencial de dependência e que a experimentação não deve ser considerada inofensiva.

O cenário se torna ainda mais preocupante com o surgimento de novas formulações de nicotina. Algumas delas reduzem a irritação imediata das vias respiratórias, permitindo que o usuário consuma grandes quantidades sem perceber claramente os efeitos.

“No cigarro convencional, sintomas como tosse e pigarro costumavam acompanhar o início do consumo. Com os eletrônicos, essa percepção pode ser diferente, facilitando uma exposição elevada à nicotina”, afirma.

Dependência é uma doença

A dependência da nicotina não deve ser tratada como simples “vício”, “hábito” ou falta de força de vontade. Trata-se de uma doença que pode exigir acompanhamento e tratamento especializado.

A própria terminologia utilizada pelos especialistas começa a refletir as mudanças no padrão de consumo. Em vez de considerar apenas o tabagismo tradicional, cresce a preocupação com o chamado “nicotinismo”, já que a substância passou a ser consumida por meio de diferentes dispositivos e formulações.

Danos vão além do sistema respiratório

Os danos provocados pelo consumo de nicotina e pela exposição às substâncias presentes nos dispositivos para fumar não se restringem aos pulmões. Entre as manifestações iniciais estão tosse frequente, maior produção de muco e infecções respiratórias recorrentes.

A nicotina também atua sobre os vasos sanguíneos e está relacionada ao aumento da pressão arterial e ao comprometimento da circulação, além de contribuir para o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Em quadros avançados de doença arterial, podem ocorrer complicações graves, inclusive amputações.

DPOC e câncer de pulmão estão entre as maiores preocupações

Uma das principais doenças relacionadas ao consumo de cigarro é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui o enfisema pulmonar.

Em estágios avançados, o paciente pode apresentar falta de ar intensa, precisar de oxigênio e medicamentos inalatórios e sofrer internações frequentes por infecções, como pneumonia.

Outro grande alerta é o câncer de pulmão. Agosto também é marcado pela campanha Agosto Branco, dedicada à conscientização e ao diagnóstico precoce da doença.

Segundo a pneumologista, muitos pacientes procuram atendimento quando o câncer já está em estágio avançado, o que reduz as possibilidades de tratamento.

Para pessoas com maior risco, existem estratégias de rastreamento, como a tomografia computadorizada de baixa dose de radiação, que pode ajudar a identificar alterações precocemente.

Procura por ajuda existe, mas tratamento precisa estar disponível

Apesar da dificuldade para abandonar o cigarro, muitos fumantes desejam parar. Leila relata que, em uma das chamadas de um projeto de extensão do qual participa, cerca de 100 pessoas se inscreveram em busca de tratamento.

Embora o Brasil tenha assumido compromissos relacionados à prevenção e ao tratamento do tabagismo, a oferta de serviços ainda não é uniforme.

O tratamento não deve se limitar ao uso de medicamentos. Também é necessário trabalhar mudanças de comportamento e desenvolver estratégias que ajudem o paciente a lidar com a dependência e manter a abstinência.

Prevenção e tratamento


Por que os cigarros eletrônicos preocupam especialistas?

Segundo a reportagem, esses dispositivos têm se popularizado principalmente entre adolescentes e jovens. A pneumologista alerta para a exposição à nicotina e para a possibilidade de usuários passarem posteriormente ao cigarro convencional ou combinarem os dois produtos.

A nicotina pode causar dependência?

Sim. A matéria explica que a nicotina possui alto potencial de dependência e que essa condição pode exigir acompanhamento e tratamento especializado.

Os efeitos do tabagismo atingem apenas os pulmões?

Não. A reportagem apresenta possíveis impactos respiratórios e também cardiovasculares, incluindo aumento da pressão arterial, comprometimento da circulação e maior risco de eventos graves.

Existe tratamento para quem quer parar de fumar?

Sim. Segundo a especialista, o tratamento pode envolver acompanhamento profissional, medicamentos quando indicados e mudanças comportamentais que auxiliem no enfrentamento da dependência e na manutenção da abstinência.

Foto: Bruno Collaço/Agência Alesc



Fonte ==> Semanario-SC

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