Imagine duas frases ditas por dois empresários a um mesmo cliente. A primeira: “Minha empresa faz captação de água da chuva”. A segunda: “Minha empresa capta 300 m³ de água da chuva por mês; metade vai para os banheiros, 40% para a limpeza da área externa e 10% para os jardins”. Qual dos dois você contrataria?
A ação é a mesma. O que muda é que, na segunda, existe um número, e o número carrega uma mensagem que a primeira frase não consegue transmitir: aqui tem gente que mede, acompanha e sabe do que está falando. Credibilidade não vem da ação em si. Vem do dado por trás dela.
Esse é um ponto que costumo repetir em reuniões com empresas de todos os portes. Não basta ter iniciativas ambientais, sociais e de governança. É preciso saber o indicador de cada uma. Quantos m³ de chuva é um exemplo clichê, eu sei. Mas troque pelo que faz sentido para o seu negócio, como: quantas horas extras a equipe fez no mês, quanto a placa solar está economizando de fato na fatura, que nota os colaboradores dão para o clima interno, quantos riscos estão mapeados na matriz e quantos têm plano de ação. Esse tipo de informação, no micro, é o que permite enxergar o gargalo que estava custando dinheiro sem ninguém perceber, corrigir um processo que alguém achava que fazia certo, decidir entre consertar ou trocar uma máquina. E, não raro, é o que fecha o contrato.
Os números do mercado confirmam o que a prática mostra. Uma pesquisa da PwC com 345 investidores em 30 países revelou que 94% deles acreditam que os relatórios de sustentabilidade das empresas contêm afirmações sem comprovação (PwC, 2024). Ou seja, quem coloca dinheiro já desconfia da frase bonita por padrão. Quem tem o dado sai na frente.
Do lado dos clientes, o filtro também apertou. Um levantamento da RSM com mais de 250 organizações em 18 países da América Latina aponta que 45% já exigem informações ESG de seus fornecedores (RSM, 2025). Aqui no Brasil, a Sondagem Especial da CNI de setembro de 2025 mostra o outro lado do balcão: apenas 41% das indústrias publicam informações de sustentabilidade, e entre as pequenas esse percentual cai para 17%. Além disso, 17% das indústrias já tiveram dificuldade para atender exigências de clientes por não cumprirem critérios ESG. Não é hipótese. É contrato perdido, ou seja, dinheiro deixado na mesa por falta de dado.
Na contramão deste contexto, em maio, a CVM publicou a Resolução 244, que tornou voluntária a divulgação do relatório de sustentabilidade no padrão IFRS S1 e S2 pelas companhias abertas. A obrigatoriedade prevista para 2026 caiu, e, a partir de 2027, quem optar por não publicar precisa explicar o motivo ao mercado. Alguém poderia ler isso como alívio. Eu leio como um ponto de alerta, sem a obrigação, fica mais visível quem mede porque precisa e quem mede porque entende o valor disso. E o mercado está prestando atenção.
Na pesquisa mais recente da PwC sobre relato de sustentabilidade, com quase 500 empresas em 40 países, mais da metade afirma que a pressão de investidores, clientes e colaboradores por informação aumentou no último ano, mesmo com o recuo regulatório em várias partes do mundo. Apenas 7% sentiram a pressão diminuir (PwC, 2025).
A mesma pesquisa traz o dado que mais me chamou atenção, entre as empresas que dizem extrair valor significativo dos dados de sustentabilidade, 38% os usam em larga escala na estratégia do negócio. Isso mostra que a diferença não está em ter o relatório, está em usar o número para decidir.
No fim, o dado faz bem para dentro e para fora. Para dentro, porque mostra onde está o desperdício, o risco e a oportunidade. Para fora, porque transforma uma boa intenção em um argumento que fornecedor, cliente, banco e investidor conseguem verificar. Isso tem nome: ganho de valor.
Por fim, a pergunta que deixo é simples. Você tem clareza, hoje, de todas as informações ambientais, sociais e de governança da sua empresa? Se a resposta demorou a vir, é sinal de que existe muita coisa sendo feita sem ser medida. É exatamente aí que a Eco.InPact atua: acelerar a identificação do que pode ser mensurado no seu negócio e fazer com que esses dados gerem valor. Porque fazer é importante. Mas saber quanto é o que convence.
Fonte ==> EconomiaSC