Entrada de cooperativas pode dar salto ao setor de seguros

Entrada de cooperativas pode dar salto ao setor de seguros

Seguro faz parte da vida do brasileiro, mas ainda está longe de proteger a maioria da população. Apenas cerca de 30% da frota de veículos, por exemplo, tem cobertura. É mirando esse déficit de proteção patrimonial que as cooperativas começam a abrir caminho, depois de mais de uma década de discussões para que pudessem atuar diretamente no setor.

A mudança ganhou forma em maio, quando entrou em vigor a regulamentação que permite a constituição e o funcionamento de cooperativas de seguros. Desde então, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), responsável por regular e fiscalizar o mercado, já recebeu os primeiros interessados em apresentar seus projetos. Antes de vender a primeira apólice, contudo, há um longo caminho. Essas cooperativas terão de obter autorização, constituir estrutura própria e demonstrar que têm condições de assumir e administrar os riscos da operação.

Entre a apresentação do projeto, entrevista, processamento do pedido, autorização e homologação para funcionamento, ainda pode demorar um ano. Pelas regras, cada uma das duas etapas (autorização e homologação) tem prazo máximo de 120 dias. Entre uma e outra, a cooperativa ainda tem até 90 dias para realizar os atos societários e outros 30 dias para pedir a homologação.

Segurado e cooperado ao mesmo tempo

Hoje, no Brasil, cooperativas de crédito já vendem seguros aos associados, mas os produtos são de seguradoras parceiras, que assumem o risco e respondem por uma eventual indenização. “Elas atuam como balcão, não como indústria”, resume Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB. Com o marco legal do setor, os participantes vão atuar simultaneamente como segurados e cooperados, compartilhando os resultados da operação.