Santa Catarina no mapa dos marketplaces

Santa Catarina no mapa dos marketplaces

Santa Catarina movimentou R$ 16,8 bilhões em vendas online no ano passado, com crescimento de 20,7% sobre o ano anterior, quase o dobro da projeção nacional para o e-commerce brasileiro, que a ABComm estima em 10% para 2026. No primeiro bimestre deste ano, o estado já contabilizou R$ 2,5 bilhões e 7,4 milhões de pedidos, mantendo a trajetória de expansão.

Esses números, por si só, já seriam relevantes. Mas o que transforma Santa Catarina de mercado consumidor em nó estratégico do varejo digital é um movimento paralelo: a corrida dos três maiores marketplaces do país: Mercado Livre, Shopee e Amazon, para ocupar o estado com infraestrutura de distribuição e operações logísticas.

Não se trata mais de um estado que compra online. Trata-se de um estado por onde o e-commerce brasileiro passa.

A corrida dos marketplaces por Santa Catarina

O Mercado Livre anunciou em março a construção de um mega centro logístico em Criciúma, com investimento de R$ 80 milhões e 60 mil metros quadrados de área, o maior centro de distribuição da empresa entre Florianópolis e Porto Alegre. 

A unidade faz parte de um plano maior: R$ 57 bilhões em investimento total no Brasil em 2026, com a abertura de 14 novos centros de distribuição e 28,2 mil novas vagas em logística.

Em comunicado oficial, a empresa afirmou que a estratégia é levar centros de distribuição para fora do Sudeste com o objetivo de democratizar a entrega rápida e Santa Catarina é peça central nessa rota.

A Shopee, por sua vez, inaugurou em Itajaí seu 15º centro de distribuição no Brasil,  o primeiro do tipo em Santa Catarina, operando no modelo de cross-docking com capacidade para processar cerca de 400 mil pacotes por dia e gerando mais de 700 empregos entre diretos e indiretos. O estado já concentra sete hubs logísticos da empresa: Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Joinville e Tubarão.

A Amazon, em maio confirmou que avalia a instalação de um Centro de Distribuição em Santa Catarina para ampliar sua malha logística na Região Sul. Embora ainda em fase de estudos, o movimento completa o triângulo: os três maiores marketplaces do país apontam para o mesmo estado.

Por que Santa Catarina?

A concentração de investimentos não é acidental e pode ser explicada por três vetores:

1. Crescimento de vendas acima da média nacional 

O e-commerce catarinense cresceu 20,7% em 2025, ante projeção nacional de 10% (ABComm). No primeiro bimestre de 2026, somou R$ 2,5 bilhões e 7,4 milhões de pedidos. Santa Catarina teve ainda a maior taxa de crescimento de entregas por e-commerce do país no Q2 de 2025: 275%, segundo relatório da Loggi – Mapa da Logística – com dados de transporte de pacotes em todo o território nacional.

2. Posição geográfica e complexo portuário 

SC ocupa posição estratégica entre Sul e Sudeste, com os complexos portuários de Itajaí, Navegantes e São Francisco do Sul. O Porto de Itajaí, que retomou operações em setembro de 2024, registrou crescimento de 1.494% no volume de cargas em 2025, segundo dados oficiais do próprio porto, e recebeu o anúncio de R$ 844 milhões em investimentos federais para modernização e expansão. 

As importações catarinenses cresceram 15,3% no primeiro trimestre de 2025, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), desviando operações antes concentradas em Santos (SP).

3. Consumidor digitalmente maduro 

Os dados revelam um padrão de consumo que interessa diretamente aos marketplaces: o ticket médio caiu 3,3% em 2025 (para R$ 358,60), enquanto o número de pedidos cresceu 24,5%. 

Os consumidores catarinenses compram com mais frequência e em valores menores, exatamente o comportamento que plataformas como Mercado Livre e Shopee buscam consolidar em suas estratégias de recorrência e fidelização. 

“Em análise sobre os dados do e-commerce catarinense divulgada em parceria com o E-Commerce Brasil, Pedro Chiamulera, CEO da CONFI, observou que o movimento sugere um consumidor mais seletivo e atento a promoções, realizando compras mais fracionadas ao longo do mês.” (Fonte: E-Commerce Brasil)

O que esse movimento revela?

Os investimentos de Mercado Livre, Shopee e o interesse da Amazon apontam para uma transformação estrutural, não conjuntural.

Até recentemente, o e-commerce brasileiro era prisioneiro do eixo Rio-São Paulo. A decisão do Mercado Livre de expandir CDs fora do Sudeste para democratizar a entrega rápida é a confirmação de que a competitividade futura dos marketplaces passa pela capilaridade regional. 

Santa Catarina, com crescimento de 275% em entregas e 20,7% em faturamento de e-commerce, oferece a demanda e a infraestrutura para esse reposicionamento.

“Marketplace deixou de ser apenas uma plataforma de vendas e virou um ecossistema integrado entre produtos, pagamentos, logística e publicidade“, afirma Joel Cunha, CEO e fundador da Conecta Ads.

Em Santa Catarina, isso se traduz na chegada de centros de distribuição que não são apenas armazéns, são nós de uma rede que acompanha o comportamento do consumidor e promove melhor experiência de compra.

Nesse sentido, o e-commerce passa a funcionar quase como uma infraestrutura econômica, os R$ 16,8 bilhões movimentados no estado em 2025 não representam apenas vendas online, representam um setor que gera empregos diretos, atrai investimento estrangeiro e reconfigura cadeias de suprimento inteiras.

A próxima fronteira

A consolidação do estado de Santa Catarina no ecossistema das vendas online abre portas para um movimento que ainda está em estágio inicial, mas importante: a entrada de novos vendedores, lojas físicas, fabricantes e indústrias nas vendas em marketplaces. Com isso, SC deixa de ser apenas rota de passagem para polo de origem de venda direta via marketplaces.

Para Joel Cunha, esse é o movimento natural de maturação do ecossistema: 

“Quando um marketplace instala um centro de distribuição em um estado com base industrial forte como Santa Catarina, não é apenas o consumidor que se beneficia. O fabricante, lojas e distribuidores locais ganham um canal de venda direta com logística, pagamento e anúncios integrados, algo que até pouco tempo exigia estrutura própria ou dependência de intermediários. A próxima onda do e-commerce catarinense não vem do consumo, vem da oferta”. 

SOBRE A CONECTA ADS

A Conecta Ads é assessoria especializada em Marketplace Ads, certificada como Consultoria Platinum no Mercado Livre e Parceira Premier do Mercado Ads. A empresa gere mais de R$ 2,9 bilhões em receita anual de clientes e administra mais de R$ 72 milhões em anúncios patrocinados no Mercado Livre. Fundada em Blumenau, a empresa atua exclusivamente na gestão de publicidade em marketplaces, com foco em estratégia, otimização e performance de campanhas patrocinadas. Saiba mais sobre a Conecta Ads.



Fonte ==> EconomiaSC

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