Durante décadas, empresas buscaram produzir onde os custos fossem menores, mesmo que isso significasse manter fornecedores a milhares de quilômetros de distância. A pandemia, conflitos geopolíticos e problemas logísticos começaram a mudar essa lógica.
Nesse cenário, ganhou força o nearshoring, estratégia que consiste em aproximar fornecedores e operações produtivas dos principais mercados consumidores.
Para o Brasil, esse movimento pode representar uma oportunidade de atrair investimentos, ampliar exportações e integrar empresas nacionais a novas cadeias globais de produção.
O que é nearshoring?
Nearshoring significa transferir ou contratar atividades produtivas em países geograficamente mais próximos do mercado que será atendido.
Uma empresa norte-americana que antes comprava determinado componente produzido na Ásia, por exemplo, pode buscar fornecedores na América Latina.
A lógica é reduzir distâncias e tornar a cadeia de suprimentos mais resiliente. Entre os objetivos estão:
- reduzir tempo de transporte
- diminuir exposição a problemas logísticos
- diversificar fornecedores
- aproximar produção e consumidores
- aumentar previsibilidade
- reduzir dependência de determinadas regiões
- responder mais rapidamente às mudanças de demanda
Isso não significa necessariamente abandonar fornecedores distantes, mas distribuir melhor os riscos.
Nearshoring é diferente de reshoring
Outro conceito que aparece nessa discussão é o reshoring. No reshoring, a empresa leva uma operação produtiva de volta ao próprio país. No nearshoring, a produção continua em outro país, mas em uma região mais próxima.
Existe ainda o friendshoring, estratégia que prioriza fornecedores localizados em países considerados parceiros comerciais ou geopoliticamente mais confiáveis. Todos esses movimentos fazem parte de uma transformação maior das cadeias globais.
Por que as empresas estão revendo suas cadeias?
Durante muito tempo, eficiência significava principalmente reduzir custos. Empresas criaram cadeias globais altamente integradas, com estoques menores e fornecedores concentrados em determinadas regiões.
O problema aparece quando uma parte dessa cadeia deixa de funcionar. Uma interrupção em portos, uma guerra, novas tarifas comerciais ou problemas de fornecimento podem afetar fábricas localizadas do outro lado do mundo.
Por isso, muitas organizações passaram a colocar resiliência ao lado de eficiência nas decisões sobre fornecedores.
Brasil pode encontrar oportunidades
O país reúne características que podem ser relevantes nesse processo. O Brasil possui uma economia diversificada, base industrial, produção de alimentos, disponibilidade de energia renovável e proximidade relativa com grandes mercados das Américas.
Também possui empresas inseridas em cadeias internacionais de setores como:
- alimentos
- máquinas e equipamentos
- autopeças
- papel e celulose
- produtos químicos
- tecnologia
- mineração
- metais
- produtos industriais
Para empresas brasileiras, nearshoring não significa apenas receber novas fábricas estrangeiras. Também pode representar a oportunidade de se tornar fornecedor de multinacionais que estejam redesenhando suas cadeias.
O Economia SC já mostrou como Santa Catarina vem ganhando espaço na nova geografia dos investimentos no Brasil.
Infraestrutura pode definir quem captura os investimentos
Ter capacidade produtiva não é suficiente. Empresas que reorganizam cadeias analisam também logística, energia, conectividade, disponibilidade de profissionais, segurança jurídica e facilidade para fazer negócios. Portos, aeroportos, rodovias e ferrovias podem influenciar diretamente a escolha de uma nova operação.
Quanto maior a previsibilidade para transportar insumos e produtos, maior tende a ser a competitividade de uma região. É por isso que infraestrutura e nearshoring estão diretamente relacionados.
São Paulo pode exercer papel estratégico
São Paulo concentra um dos maiores mercados consumidores e industriais da América Latina, além de uma extensa rede de fornecedores e serviços empresariais.
Essa combinação pode tornar o estado relevante para empresas que buscam produzir mais perto dos consumidores e integrar fornecedores locais.
O Economia SP acompanha justamente como empresas estão reorganizando estratégias de expansão e investimento diante das transformações do mercado.
Em uma estratégia de nearshoring, a proximidade não é apenas geográfica. A existência de fornecedores, tecnologia, profissionais e infraestrutura também pesa na decisão.
Paraná pode se beneficiar da integração logística
O Paraná também possui características importantes para essa nova configuração. A combinação entre indústria, agronegócio, infraestrutura logística e acesso portuário permite conectar diferentes cadeias produtivas ao comércio internacional.
O Economia PR vem acompanhando como logística e infraestrutura ganharam importância na competitividade das empresas.
Esse tipo de estrutura pode se tornar ainda mais estratégico caso empresas internacionais busquem fornecedores e operações mais próximas de seus mercados.
Nearshoring também pode beneficiar pequenas e médias empresas
Nem todas as oportunidades estarão relacionadas à instalação de grandes fábricas. Quando uma multinacional cria ou amplia uma operação em determinada região, uma rede de fornecedores pode crescer ao redor dela.
Empresas locais podem oferecer:
- componentes
- logística
- manutenção
- tecnologia
- softwares
- serviços profissionais
- embalagens
- equipamentos
- alimentação
- treinamento
Assim, investimentos internacionais podem gerar oportunidades para negócios de diferentes portes.
Competitividade será decisiva
O nearshoring cria oportunidades, mas não garante que os investimentos virão automaticamente para o Brasil. Outros países também disputam essas operações.
México, países da América Central e outras economias latino-americanas podem apresentar vantagens específicas dependendo do setor e do mercado consumidor.
Para ganhar espaço, o Brasil precisará avançar em fatores como infraestrutura, produtividade, ambiente de negócios, qualificação profissional e integração comercial.
Cadeias globais estão entrando em uma nova fase
A globalização não está necessariamente terminando. O que está mudando é a forma como as empresas avaliam suas cadeias.
Custo continua importante, mas distância, segurança, previsibilidade e diversificação ganharam peso nas decisões.
Nesse cenário, o nearshoring pode abrir uma janela para empresas brasileiras se tornarem fornecedoras de cadeias internacionais e para o país disputar novos investimentos produtivos.
A oportunidade estará principalmente nas regiões e empresas capazes de combinar capacidade produtiva, infraestrutura, tecnologia e competitividade.
Fonte ==> EconomiaSC