A segunda leitura

Leandro Pereira

Algumas coisas só revelam seu verdadeiro significado na segunda leitura.

Um livro.

Uma obra de arte.

Uma conversa.

Uma decisão.

A primeira leitura costuma responder às perguntas mais evidentes.

A segunda revela aquilo que permaneceu invisível.

Experiência e tempo caminham próximos por uma razão simples: ambos oferecem a oportunidade de reler.

Reler um mercado.

Reler uma estratégia.

Reler uma convicção.

Nas organizações, porém, existe uma resistência silenciosa à segunda leitura.

Depois que um diagnóstico é estabelecido, passamos a procurar evidências que o confirmem.

Depois que uma estratégia é definida, começamos a interpretar o ambiente a partir dela.

Não por falta de inteligência.

Mas porque toda interpretação ilumina uma parte da realidade e, ao mesmo tempo, obscurece outra.

O Executivo Nexialista cultiva um hábito pouco percebido.

Ele relê.

Relê indicadores que pareciam conclusivos.

Relê comportamentos que pareciam compreendidos.

Relê relações de causa e efeito tratadas como definitivas.

Não para encontrar erros.

Mas porque reconhece que sistemas complexos continuam mudando enquanto acreditamos estar observando o mesmo cenário.

Essa é uma disciplina silenciosa.

Desconfiar da primeira explicação, inclusive quando ela parece convincente.

É nesse ponto que informação e compreensão deixam de ser sinônimos.

A informação oferece respostas.

A compreensão melhora as perguntas.

Algumas das decisões mais importantes de uma organização não surgem de uma nova ideia.

Surgem de uma nova leitura da mesma realidade.

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