Anak Tech aposta em tecnologia para tirar treinamentos de SST das planilhas e transformar gestão nas empresas

Anak Tech

Empresa brasileira desenvolveu plataforma própria para integrar treinamentos, certificados, vencimentos e evidências em uma operação voltada às particularidades da Segurança e Saúde no Trabalho

Planilhas para acompanhar vencimentos, certificados armazenados em diferentes lugares, treinamentos tratados como ações isoladas e equipes administrativas tentando reunir evidências quando surge uma auditoria ou fiscalização. Em muitas empresas, a gestão da capacitação de colaboradores ainda depende de processos fragmentados.

Foi olhando para problemas como esses que a Anak Tech, empresa brasileira de tecnologia educacional corporativa, desenvolveu uma plataforma voltada à gestão de treinamentos de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), Normas Regulamentadoras (NRs) e capacitação contínua de colaboradores.

A proposta é transformar o treinamento, muitas vezes percebido apenas como uma obrigação a ser cumprida, em uma operação contínua, capaz de reunir tecnologia, educação, controle documental e gestão.

“Treinamento de segurança não pode ser tratado apenas como um vídeo assistido ou um certificado emitido. Empresas precisam de rastreabilidade, controle, evidências e uma operação que faça sentido para a realidade delas”, afirma a engenheira elétrica Katia Albany, fundadora da Anak Tech.

Da experiência com NR10 para uma empresa de tecnologia

A origem da Anak está diretamente ligada à trajetória profissional de Katia.

Antes da criação da plataforma, a empreendedora já atuava com treinamentos técnicos e projetos ligados à área elétrica, especialmente à NR10. A experiência aproximou Katia de engenheiros, técnicos e outros profissionais que encontravam dificuldades para estruturar a oferta de cursos online.

Antes da consolidação da Anak como plataforma, Katia já havia formado mais de mil instrutores de NR10, segundo dados internos da empresa. Foi justamente a relação com esses profissionais que ajudou a revelar uma oportunidade.

Parte deles queria comercializar treinamentos online com a própria marca, mas precisava de uma estrutura capaz de organizar alunos, cursos, certificados e diferentes empresas atendidas.

A Anak Tech foi oficialmente fundada em dezembro de 2021 e começou atendendo essa demanda. Com o desenvolvimento do negócio, a solução evoluiu para uma plataforma própria, white-label e multiempresa, direcionada às particularidades dos treinamentos corporativos.

“A Anak nasceu de uma dor real do mercado. Profissionais de SST queriam vender treinamentos online com marca própria, mas precisavam de uma estrutura profissional, confiável e pensada para as exigências desse setor”, explica Katia.

O treinamento termina, mas a gestão continua

Uma das ideias defendidas pela empresa é que a capacitação não deveria terminar no momento em que o colaborador conclui um curso.

Depois disso, permanecem questões como validade dos treinamentos, certificados, histórico, avaliações, carga horária, necessidade de novas capacitações e organização das evidências.

É justamente aí que uma operação baseada apenas em planilhas pode se tornar mais complexa conforme aumenta o número de funcionários, unidades e treinamentos.

A plataforma da Anak foi desenvolvida para reunir diferentes etapas dessa gestão. Entre os recursos estão acompanhamento de progresso, notas e status dos alunos, gestão de certificados e vencimentos, trilhas de aprendizagem, controle de turmas e gerenciamento de treinamentos online, presenciais e semipresenciais.

Também é possível registrar informações relacionadas à jornada do aluno, incluindo acesso, aulas concluídas, carga horária, avaliações e histórico de realização, criando evidências que auxiliam a organização documental das empresas.

“Nosso objetivo é ajudar empresas e parceiros a enxergarem treinamentos como uma operação contínua, não como um evento isolado. Isso muda margem, previsibilidade, gestão e conformidade”, diz Katia.

Tecnologia especializada em um mercado com regras próprias

A especialização em SST também determina como a Anak desenvolve sua tecnologia.

A empresa parte do princípio de que uma plataforma destinada a esse mercado precisa considerar particularidades que vão além da disponibilização de conteúdo em vídeo.

Dependendo da capacitação, podem existir requisitos relacionados à modalidade, carga horária, parte prática, responsável técnico e outras exigências previstas na norma aplicável.

Por isso, a Anak não defende que todos os treinamentos sejam transformados em cursos integralmente online. A plataforma permite trabalhar com modalidades online, presenciais e semipresenciais, além de gerenciar turmas, instrutores, certificados externos e etapas práticas quando necessárias.

A NR-01, por exemplo, estabelece diretrizes e requisitos mínimos para a utilização das modalidades de ensino a distância e semipresencial nas capacitações previstas nas Normas Regulamentadoras. A aplicação concreta também depende das exigências relacionadas a cada treinamento.

“O mercado de SST tem muitas particularidades. Não basta pegar uma plataforma EAD genérica e chamar isso de solução para NR. É preciso entender modalidade, evidência, certificado, responsável técnico, carga horária e prática quando aplicável”, afirma a fundadora.

Tecnologia também para quem vende treinamentos

A atuação da Anak não se restringe às empresas que precisam capacitar os próprios funcionários.

Uma das frentes da companhia é direcionada a consultorias de SST, clínicas de medicina ocupacional, empresas de engenharia, instrutores e outros negócios que comercializam treinamentos para terceiros.

Por meio do Clube ANAK, esses parceiros podem utilizar uma escola personalizada com sua própria marca, catálogo de cursos, certificados personalizados, gestão de alunos e recursos comerciais.

Um dos pontos centrais desse modelo é o que a empresa chama de Capacidade Operacional.

Em vez de estruturar a relação exclusivamente em torno de um custo individual por matrícula ou certificado emitido, o parceiro contrata uma capacidade de operação. A proposta é permitir maior previsibilidade para negócios que comercializam treinamentos de maneira recorrente.

Na prática, a mudança busca aproximar a gestão dos treinamentos da lógica de capacidade utilizada em outras operações empresariais: o parceiro passa a planejar quanto consegue atender e vender dentro da estrutura contratada, em vez de observar apenas o custo de cada matrícula individual.

Universidade corporativa para empresas

Outra frente, denominada ANAK Education, atende organizações que precisam gerenciar a capacitação dos próprios colaboradores.

A solução é direcionada, entre outros públicos, a indústrias, empresas de construção, facilities e operações com múltiplas unidades ou equipes próprias e terceirizadas.

Nesse modelo, a plataforma funciona como uma estrutura de universidade corporativa em SST, centralizando treinamentos, certificados, vencimentos, progresso dos colaboradores e evidências de capacitação.

A necessidade tende a ganhar importância à medida que cresce a complexidade da operação. Uma organização com diferentes unidades, funções e exigências de capacitação precisa saber não apenas quem realizou determinado treinamento, mas também quando ele ocorreu, qual é sua situação e quais documentos estão relacionados ao processo.

Da obrigação para a gestão

A tese que sustenta a estratégia da Anak é que tecnologia pode ajudar a mudar a maneira como empresas enxergam treinamentos de segurança.

Em vez de uma atividade que começa com uma convocação e termina com a emissão de um certificado, a capacitação passa a integrar uma estrutura mais ampla de gestão de pessoas, prevenção, documentação e controle operacional.

A tecnologia, nesse caso, não substitui instrutores, responsáveis técnicos ou etapas presenciais exigidas em determinadas situações. Sua função é organizar e registrar a operação, reduzindo a fragmentação das informações.

É uma mudança aparentemente simples, mas que aponta para uma discussão maior dentro das empresas: quando treinamento deixa de ser apenas um evento obrigatório e passa a produzir informação organizada, ele também se torna parte da gestão.

Para Katia, esse é justamente o caminho que a Anak pretende desenvolver.

“A tecnologia da Anak foi construída para dar mais autonomia ao parceiro e mais controle para empresas que precisam treinar equipes com seriedade.”

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