Crescer exige mais do que uma boa ideia

Lilian Primo participa do programa Visão & Negócios, apresentado por Janguiê Diniz, em entrevista sobre inovação, empreendedorismo e transformação digital.

Com mais de duas décadas de experiência em tecnologia e negócios, Lilian Primo analisa os desafios do crescimento empresarial e defende que estratégia, indicadores e liderança são essenciais para transformar boas ideias em empresas sustentáveis.


Por Lilian Primo

O crescimento de uma empresa raramente depende apenas de uma boa ideia. Ele exige visão estratégica, capacidade de execução, decisões sustentadas por dados e, principalmente, disposição para evoluir junto com o próprio negócio. Foi a partir dessa perspectiva que participei do programa Visão & Negócios, apresentado pelo empresário Janguiê Diniz, em uma conversa sobre empreendedorismo, gestão e os desafios de transformar potencial em resultados consistentes.

A entrevista teve um significado especial para mim. Além de ser um dos nomes de destaque do empreendedorismo brasileiro, Janguiê é meu mentor, alguém com quem tenho a oportunidade de trocar experiências, ampliar perspectivas e aprofundar discussões sobre liderança, estratégia e construção de negócios. Estar nesse ambiente foi também uma oportunidade de compartilhar aprendizados acumulados ao longo de uma trajetória que reúne tecnologia, gestão, inovação e desenvolvimento empresarial.

Minha relação com o universo dos negócios começou muito antes de assumir posições de liderança. Ao longo de mais de duas décadas de atuação profissional, construí uma trajetória marcada pela tecnologia e pela transformação de ideias em projetos concretos. Foram mais de 15 anos na IBM, experiência que contribuiu para ampliar minha visão sobre grandes organizações, processos, soluções tecnológicas e a importância de alinhar estratégia à execução.

Posteriormente, aprofundei minha atuação no empreendedorismo, no universo das startups, nos investimentos e na mentoria empresarial. Essa combinação de experiências me permitiu observar realidades bastante diferentes: de empresas estruturadas, com processos consolidados, a negócios em fase inicial, nos quais cada decisão pode determinar a velocidade e até a sobrevivência da operação.

Foi justamente dessa vivência que nasceu uma convicção que levo para minha atuação como empresária e mentora:

“Crescer não significa simplesmente vender mais. Significa construir uma empresa capaz de sustentar o próprio crescimento”

Lilian Primo

Quando o fundador se torna o limite do negócio

Um dos desafios mais recorrentes entre empreendedores é compreender que as competências necessárias para iniciar uma empresa nem sempre são suficientes para conduzi-la ao próximo estágio.

No começo, é natural que o fundador concentre praticamente todas as responsabilidades. Ele vende, negocia, acompanha clientes, resolve problemas e toma decisões operacionais. Essa proximidade pode ser essencial na fase inicial, mas também cria uma dependência perigosa quando o negócio começa a crescer.

Se todas as decisões precisam passar pelo proprietário, a empresa acaba limitada à disponibilidade, à energia e à capacidade individual de uma única pessoa.

É nesse momento que processos, delegação e formação de lideranças deixam de ser conceitos associados apenas às grandes corporações e passam a ser necessidades concretas de gestão. Processos não existem para burocratizar a operação. Quando bem desenhados, ajudam a reduzir erros, dar clareza às responsabilidades e permitir que as atividades aconteçam com consistência.

Uma startup precisa de agilidade, assim como uma empresa consolidada precisa de governança. O segredo está em encontrar o nível de estrutura adequado à realidade de cada negócio, sem copiar modelos que não fazem sentido para sua etapa de desenvolvimento.

Decidir com dados, não apenas com intuição

Outro ponto fundamental para o crescimento sustentável é a gestão por indicadores. A experiência e a intuição continuam tendo valor, mas não podem ser os únicos instrumentos utilizados para orientar decisões empresariais.

Conhecer o faturamento é importante. Entender a margem de contribuição, o custo de aquisição de clientes, a taxa de conversão e a retenção é igualmente necessário para compreender a saúde financeira e comercial da empresa.

Indicadores como CAC, que representa o custo para conquistar um cliente, e LTV, que estima o valor gerado por esse cliente ao longo do relacionamento com a empresa, ajudam a avaliar se a estratégia comercial é economicamente sustentável. Quando analisados em conjunto com margem, custos operacionais e capacidade de entrega, esses números oferecem uma visão mais consistente sobre as possibilidades de expansão.

Não se trata de transformar a gestão em uma coleção interminável de planilhas. O objetivo é identificar quais informações realmente influenciam as decisões e utilizá-las para corrigir rotas antes que pequenos problemas se tornem grandes prejuízos.

Também é importante diferenciar crescimento de escala. Uma empresa pode aumentar as vendas e, ao mesmo tempo, ampliar suas despesas praticamente na mesma proporção. Nesse cenário, o negócio cresce, mas não necessariamente conquista ganhos de escala. Escalar exige encontrar maneiras de ampliar resultados sem que os custos aumentem no mesmo ritmo.

Transformar experiência em direção

Hoje, como CEO da LPA Group, atuo na conexão entre tecnologia, empreendedorismo, estratégia, educação e investimentos. Também dedico parte da minha trajetória à mentoria, ao aconselhamento empresarial e ao fortalecimento do ecossistema empreendedor.

Acredito que a experiência profissional ganha uma dimensão ainda maior quando pode contribuir para o desenvolvimento de outras pessoas. Compartilhar aprendizados não significa oferecer fórmulas prontas, porque cada empresa tem seu mercado, suas limitações e seus objetivos. Significa ajudar o empreendedor a fazer perguntas melhores, enxergar riscos que talvez ainda não tenha identificado e avaliar alternativas com mais clareza.

Esse é um dos propósitos da minha atuação como mentora: transformar experiência em direção. Em vez de prometer atalhos ou resultados automáticos, busco contribuir para que empresários tomem decisões mais conscientes, desenvolvam uma visão estratégica e construam negócios menos dependentes do improviso.

A mentoria também envolve escuta e aprendizado contínuo. Nenhuma trajetória empresarial está concluída, e mesmo profissionais experientes precisam rever suas premissas diante de novas tecnologias, mudanças de mercado e transformações no comportamento dos consumidores.

Por isso, valorizo tanto o contato com outros líderes, o networking qualificado e os ambientes que estimulam trocas de conhecimento. A participação no Visão & Negócios representa justamente essa possibilidade de compartilhar ideias e, ao mesmo tempo, continuar aprendendo com diferentes perspectivas.

O próximo nível exige novas decisões

Ao olhar para minha trajetória, percebo que os avanços mais importantes não vieram apenas da capacidade de identificar oportunidades, mas também da disposição para me adaptar, assumir responsabilidades e aprender com cada etapa. É essa visão que procuro levar às empresas, aos empreendedores e aos profissionais com quem trabalho.

Participar da conversa com Janguiê Diniz foi uma oportunidade de reforçar publicamente princípios que orientam minha atuação: estratégia precisa estar conectada à execução; crescimento exige estrutura; indicadores devem apoiar decisões; e liderança significa preparar pessoas e organizações para avançar com autonomia.

Para quem empreende, talvez uma das perguntas mais importantes não seja apenas “como posso crescer?”, mas “o que preciso mudar para sustentar esse crescimento?”.

A resposta pode envolver processos, pessoas, tecnologia, posicionamento ou modelo de negócio. O essencial é reconhecer que a estrutura que trouxe uma empresa até determinado patamar nem sempre será suficiente para levá-la ao próximo.

Continuo acreditando no poder das boas ideias, mas acredito ainda mais na capacidade de transformá-las em negócios consistentes. Porque começar exige coragem. Crescer exige método. E permanecer relevante exige continuar aprendendo.



LPA Group

Grupo empresarial liderado por Lilian Primo, com atuação voltada à conexão entre tecnologia, inovação, empreendedorismo, educação e investimentos. Sua proposta é contribuir para o desenvolvimento de negócios, apoiando decisões estratégicas, evolução da gestão e crescimento sustentável das empresas.

Site: https://lpa.group


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