O homem por trás de uma das maiores fabricantes de lanchas da América Latina começou a trajetória profissional produzindo tobogãs e projetos especiais em fibra de vidro. Márcio Braz Ferreira, fundador da Fibrafort, transformou a experiência em parques aquáticos em uma carreira na indústria náutica e, há mais de três décadas, comanda a empresa criada em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina.
Ainda criança em Itajaí, ele acompanhava o pai, que trabalhava como barbeiro durante o dia e passava as noites inventando máquinas e equipamentos. Quando Márcio tinha seis anos, o pai montou um rádio que, para o menino, parecia impossível de funcionar. Quando o equipamento finalmente funcionou, veio a primeira lição que ele levaria para a vida: “É possível fazer coisas impossíveis”.
“Um dia ele começou a montar um rádio e um mês depois estava funcionando. Aquilo me deixou muito surpreso, porque era algo impossível na minha visão de criança. E essa foi minha primeira lição: é possível fazer coisas impossíveis”, afirma Márcio Braz Ferreira.
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Criado em uma cidade cercada por barcos, pesca e atividades ligadas ao mar, Márcio começou a carreira profissional trabalhando com venda de equipamentos e projetos para parques aquáticos. Antes de construir sua primeira lancha, ele chegou a trabalhar na fabricação de tobogãs e outros projetos especiais feitos em fibra. A experiência acabou sendo importante para o caminho que viria depois.
Márcio alugou um pequeno galpão e, com a ajuda de alguns conhecidos que navegavam, começou a desenvolver o primeiro modeloFoto: EGD Filmes/Divulgação/ND Mais“Começamos fazendo customizações de peças de fibra, serviços de fibra e lá atrás a possibilidade então de fazer tobogãs. Fazia muitos projetos especiais e fizemos alguns tobogãs pelo Brasil”, contou Márcio em um vídeo publicado nas redes sociais.
Primeiro lancha fabricada também foi a primeira em que Márcio navegou
A mudança de rumo aconteceu em Itajaí. Em uma cidade onde o cotidiano era marcado pela presença de barcos, navios, pesca e navegação, ele decidiu apostar em uma nova ideia: construir um barco e navegar nele.
Márcio alugou um pequeno galpão e, com a ajuda de cerca de 10 conhecidos que navegavam, começou a desenvolver o primeiro modelo. O resultado foi a Lagoon 17, construída em fibra de vidro e que acabou chamando a atenção pelo acabamento e pelas combinações de cores e estofados.
A primeira lancha também foi a primeira que o próprio Márcio navegou. O modelo foi vendido e abriu caminho para novos projetos. Na época, a empresa funcionava em um galpão de cerca de 300 metros quadrados, com uma equipe de apenas dez pessoas, incluindo o fundador. O dinheiro obtido com as vendas era reinvestido no desenvolvimento de novas embarcações.
Lagoon 17, construída em fibra de vidro, foi a primeira lancha da empresaFoto: EGD Filmes/Divulgação/ND MaisA Fibrafort cresceu e passou a produzir modelos que ganharam espaço no mercado nacional, entre eles a linha Focker. A Focker 180, lançada há mais de 30 anos na primeira edição do São Paulo Boat Show, ajudou a consolidar a marca no país.
Hoje, a empresa fundada em Itajaí tem mais de 19 mil embarcações entregues e presença em 57 países, segundo a própria Fibrafort. A fábrica atualmente ocupa uma área de mais de 16 mil metros quadrados.
A Fibrafort já exportou para mais de 40 países. Mesmo depois de décadas à frente da empresa, Márcio continua envolvido no desenvolvimento dos barcos.
“Desanimei várias vezes e pensei em desistir. Mas isso não era uma opção, eu gosto e acredito no nosso trabalho, e todos ao meu redor sempre me incentivaram a continuar. Eu sabia que os desafios precisavam ser vencidos, faz parte do crescimento. E aí, mais uma vez, eu entendi que há coisas que parecem impossíveis e, com carinho e determinação, você vai lá, faz e supera”, afirma Márcio.
Márcio continua envolvido no desenvolvimento dos barcosFoto: Divulgação/ND Mais
Fonte ==> NDMais