Florianópolis está entre as sete cidades escolhidas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para aplicar o medicamento lenacapavir, uma injeção semestral de prevenção ao HIV. A ação integra um estudo para avaliar a entrada do remédio no SUS (Sistema Único de Saúde).
As doses do medicamento já estão no Brasil, mas o início das aplicações ainda não foi definido, visto que dependem da chegada de agulhas específicas necessárias para a administração.
A pesquisa utilizará o medicamento produzido pelo laboratório norte-americano Gilead Sciences, que já foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A iniciativa é uma forma de ampliar as opções de prevenção ao vírus no Brasil.
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Com base nos resultados, o Brasil poderá passar a oferecer a injeção como parte das estratégias de prevenção ao HIV no SUS. A aplicação semestral seria uma alternativa capaz de melhorar a adesão à prevenção, principalmente entre pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário de medicamentos.
Se resultados forem positivos, medicamento poderá ser disponibilizado no SUSFoto: Paulo Pinto/Agência Brasil/ND MaisQuem poderá receber injeções para prevenir o HIV?
Nesta etapa inicial, a pesquisa será direcionada a públicos considerados mais vulneráveis à infecção pelo HIV. Todas devem ter idades entre 16 e 30 anos. Poderão participar:
- Homens gays e bissexuais;
- Pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer;
- Pessoas transgênero;
Para ingressar no estudo, será obrigatório realizar testagem prévia e apresentar resultado negativo para o vírus HIV. Segundo a Anvisa, o lenacapavir é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam sob risco de contrair o HIV.
Como funciona o lenacapavir?
Conforme a Anvisa, o medicamento, comercializado com o nome Sunlenca, é um antirretroviral inovador de primeira classe. Seu mecanismo de ação atua sobre o capsídeo do HIV-1, inibindo múltiplos estágios do ciclo de vida do vírus.
O mecanismo de ação da injeção atua sobre o capsídeo do HIV-1, inibindo múltiplos estágios do ciclo de vida do vírusFoto: Reprodução/ND MaisCom isso, o lenacapavir impede a replicação viral e compromete processos essenciais, como a transcrição reversa, necessária para que o HIV utilize as células do hospedeiro para se multiplicar.
Em julho de 2025, o lenacapavir passou a ser recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como opção adicional para a PrEP. A entidade classificou o medicamento como a alternativa mais promissora desde o surgimento das vacinas, que ainda não estão disponíveis para a prevenção do HIV.
A PrEP integra a chamada prevenção combinada, estratégia adotada pelo Ministério da Saúde que reúne diferentes medidas para reduzir a transmissão do HIV.
Além do uso de antirretrovirais por pessoas soronegativas em situação de risco, a abordagem inclui testagem regular, uso de preservativos, tratamento antirretroviral para pessoas vivendo com HIV, profilaxia pós-exposição (PEP) e ações específicas voltadas a gestantes soropositivas.
Veja quais cidades vão receber o medicamento
Segundo a Fiocruz, a escolha das cidades considera critérios epidemiológicos e a capacidade de condução do estudo clínico. Veja quais são:
- Florianópolis (SC);
- São Paulo (SP);
- Campinas (SP);
- Rio de Janeiro (RJ);
- Nova Iguaçu (RJ);
- Salvador (BA);
- Manaus (AM).
Fonte ==> NDMais