Lula começa novo mandato sob forte pressão por ajuste fiscal

Lula começa novo mandato sob forte pressão por ajuste fiscal

Sem espaço para soluções fáceis, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de enfrentar a rigidez do Orçamento a partir de 5 de janeiro, quando começa o quarto mandato. Entre as alternativas para conter o avanço da dívida estão rever regras de aposentadorias e benefícios sociais, cortar despesas de custeio da máquina pública e limitar as emendas parlamentares.

Mais de 90% do Orçamento de 2027 está comprometido com despesas obrigatórias. Segundo analistas consultados pela Gazeta do Povo, sem mudanças estruturais, a dívida pública continuará crescendo e poderá ultrapassar 100% do PIB nos próximos anos.

O mercado reagiu negativamente à vitória de Lula no segundo turno, na segunda-feira (26), diante do temor de continuidade da política econômica atual. O dólar teve a maior alta diária em cerca de 27 anos, enquanto o Ibovespa caiu quase 14%. O circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações, foi acionado pela primeira vez em seis anos. Os juros futuros também registraram forte alta.

Um dos principais desafios do próximo mandato será montar uma equipe econômica comprometida com o ajuste fiscal e o controle dos gastos. Ao contrário de 2022, o mercado sinaliza que espera medidas concretas antes de rever suas expectativas. Um dos nomes citados para assumir o Ministério da Fazenda é o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).