Novo Plano Diretor de Florianópolis marca grande virada

Foto/Divulgação: Gustavo Bulcão Vianna, Daniel Dimas, Rafael Lima, Tatiane Filomeno e Michel Mittmann.

Foto/Divulgação: Gustavo Bulcão Vianna, Daniel Dimas, Rafael Lima, Tatiane Filomeno e Michel Mittmann.

Debatido no Summit Cidades 2026, o instrumento criado pela revisão do
Plano Diretor reorienta o desenvolvimento urbano da capital catarinense,
cria recursos inéditos para habitação social e exige monitoramento
permanente para garantir resultados.
Florianópolis está diante de um momento de inflexão. A revisão do
Plano Diretor da cidade não apenas atualizou regras de uso e ocupação
do solo, mas também abriu caminho para um modelo de crescimento urbano
em que o espaço público, a mobilidade e as pessoas passam a ocupar o
centro das decisões. Foi esse o diagnóstico que guiou o debate no
Palco Cidades Inteligentes do Summit Cidades 2026, mediado pelo vereador
Rafael de Lima e por Gustavo Bulcão Viana, diretor do Sinduscon Grande
Florianópolis.
Um dos efeitos mais concretos do novo marco regulatório é o salto na
arrecadação com outorga onerosa, que passou de valores abaixo de 10
milhões por ano para potenciais R$ 100 milhões ao ano. Os recursos
vão para os fundos de desenvolvimento urbano e fundo de habitação,
que podem ser usados para construção de moradias sociais e para a
qualificação de espaços públicos. O resultado é inédito: pela
primeira vez, Florianópolis tem uma linha de financiamento prevista em
orçamento para habitação de interesse social. “Cada edifício
erguido com potencial construtivo adicional contribui diretamente para
esses fundos”, explicou Michel Mittmann, que foi um dos coordenadores
da revisão do Plano Diretor.
No espaço físico da cidade, os efeitos já começam a aparecer. Mais
de 17 ruas estão com projetos de melhoria em andamento. A fruição
urbana, mecanismo que obriga novos empreendimentos a abrir passagens e
espaços permeáveis no térreo, deve ampliar em 15% a área disponível
para os pedestres. Antigas servidões que não se conectavam entre si
poderão ser integradas, criando novos percursos e pontos de
convivência nos bairros. Para Mittmann, o instrumento ainda está em
fase inicial e precisa de tempo para revelar seu alcance. “O novo
sempre causa medo. A hora que as coisas acontecerem, as pessoas vão
entender, afirmou.
O Laboratório de Urbanismo Aplicado (LUA) é um dos agentes que opera
nessa nova configuração. O laboratório reúne arquitetos, urbanistas,
empresas e prefeitura em torno de boas práticas e soluções inovadoras
desenvolvidas em cidades de todo o mundo, e atua no espaço que a
gestão municipal, sozinha, não consegue cobrir: a qualificação do
espaço público viabilizada pela pressão sobre os terrenos privados.
Tatiana Filomeno, diretora executiva do LUA, apontou uma mudança de
postura que considera estrutural no setor. “Os arquitetos estão
virando urbanistas, desenhando para fora”, disse.
O empresário Daniel Dimas da Silva, CEO da Dimas Construções, trouxe
a perspectiva de quem atua no mercado imobiliário local há mais de
quatro décadas. Para ele, o Plano Diretor abriu um debate que antes
não encontrava espaço no setor. “A outorga deu um poder de
transformação muito grande. A gente vê urbanistas, pesquisadores,
pessoas que não são da construção civil, falando da cidade. Esse
debate é fundamental para continuarmos crescendo com qualidade”,
afirmou. Daniel defendeu que o setor privado precisa incorporar esse
olhar de forma sistemática. “O empreendedor tem que olhar a cidade
como um todo, não só para o empreendimento”, disse.
Um dos consensos do painel foi a necessidade de monitoramento contínuo.
“Instrumentos novos exigem acompanhamento de indicadores, abertura
para correções de rota e compromisso de longo prazo de todos os atores
envolvidos, públicos e privados. Nos próximos cinco anos teremos a
primeira onda concreta dos efeitos da revisão do Plano Diretor”,
avaliou Daniel Dimas. Mittmann reforçou: “O grande legado é pensar a
cidade a partir do espaço público, mas os conceitos precisam ser
verificados no tempo. Acredito no monitoramento de longo prazo e no
compromisso de todos”, disse.



Fonte ==> Semanario-SC

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