O que R$ 13 bilhões em transações B2B revelam sobre o financeiro da indústria catarinense

O que R$ 13 bilhões em transações B2B revelam sobre o financeiro da indústria catarinense

Santa Catarina foi apontada como o estado mais produtivo do país em valor industrial em um levantamento da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, apresentado pela Confederação Nacional da Indústria e divulgado pela FIESC em outubro de 2025. O estudo também destacou a cultura de inovação dos polos catarinenses e a vocação do estado para a digitalização industrial.

Essa eficiência, no entanto, não termina quando o produto deixa a linha de produção. Depois da venda, pedidos precisam ser acompanhados, notas fiscais devem estar acessíveis, títulos precisam chegar ao cliente e cobranças devem ser realizadas. Quando essas etapas dependem de e-mails, telefonemas e buscas manuais, parte da produtividade construída na fábrica perde velocidade na área administrativa.

Em 2025, a Simplifica+, plataforma de autoatendimento B2B sediada em Jaraguá do Sul, facilitou R$ 13 bilhões em pagamentos e registrou uma economia estimada de 1 milhão de horas em tarefas manuais, segundo dados divulgados pela empresa. Os números não representam toda a indústria catarinense, mas ajudam a dimensionar um fenômeno comum em operações B2B: o tempo ainda consumido por solicitações repetitivas de clientes.

Um milhão de horas equivale a 500 pessoas trabalhando um ano inteiro

Considerando uma jornada anual de aproximadamente 1.900 horas por profissional, esse volume equivale a mais de 500 jornadas de trabalho de um ano. Isso não significa a eliminação de 500 postos. Significa capacidade que pode ser direcionada para análise de crédito, gestão de exceções, relacionamento com clientes, planejamento de caixa e outras atividades que exigem julgamento humano.

Nas rotinas mais operacionais, o tempo costuma ser gasto localizando uma segunda via de boleto, reenviando uma nota fiscal, informando saldo, verificando o status de um pedido ou conciliando um pagamento. Cada solicitação parece pequena quando observada isoladamente. Em escala, porém, ela se transforma em custo, interrupção e perda de foco.

“Quando consolidamos essas horas, o número deixou de parecer apenas uma conquista e passou a funcionar como diagnóstico. Grande parte desse tempo era consumida por solicitações que o próprio cliente poderia resolver em segundos, inclusive fora do horário comercial“, destaca Ricardo Baehr, CEO da Simplifica+.

Por que o retorno da automação financeira é difícil de defender na planilha

O retorno de uma nova máquina costuma ser percebido de forma direta: mais peças produzidas por hora, maior capacidade e um número claro para defender na planilha.

Na automação financeira, o retorno também é mensurável. Ele pode ser calculado a partir do custo da hora da equipe, do volume de atendimentos evitados, do tempo médio por solicitação, da redução de retrabalho, da incidência de erros e do prazo entre faturamento e recebimento. Tempo é custo de mão de obra, e a capacidade recuperada possui valor econômico mesmo quando não há redução do quadro de pessoas.

O desafio é que esse ganho costuma aparecer distribuído entre diferentes atividades e áreas. Sem uma linha de base, a empresa percebe o alívio operacional, mas nem sempre consegue transformar esse alívio em uma justificativa de investimento.

Por dentro a automação continua complexa

Há ainda uma camada técnica. Para quem usa, a automação deve ser simples. Nos bastidores, porém, ela precisa conectar o ERP, instituições de pagamento, regras bancárias, segurança de dados e atualizações de diferentes sistemas.

Construir e manter essa estrutura internamente consome tempo de TI e exige conhecimento especializado. Uma plataforma concentra essa complexidade e a reaproveita em diferentes operações. Atualmente, a Simplifica+ informa estar conectada a mais de 120 bancos, cooperativas, factorings e FIDCs, além de possuir integração com mais de 60 ERPs.

A tecnologia continua complexa. O que se torna simples é a experiência, porque essa complexidade deixa de ser administrada individualmente por cada indústria.

Esse movimento está alinhado ao diagnóstico da FIESC e da CNI, que inclui a digitalização e o uso intensivo de dados entre os caminhos para ampliar a competitividade industrial. A mesma lógica aplicada ao chão de fábrica pode alcançar toda a cadeia administrativa.

O atrito operacional não explica toda a inadimplência

Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian registrou 8,9 milhões de CNPJs inadimplentes em março de 2026, com 62 milhões de dívidas negativadas que somavam R$ 212,8 bilhões. A indústria representava 8,1% das empresas negativadas. Segundo a instituição, o cenário está relacionado principalmente aos juros ainda elevados, ao crédito restrito, à desaceleração da atividade e à dificuldade de recomposição do caixa.

Essa distinção é importante: a falta de acesso ao boleto não explica a inadimplência empresarial do país. O atrito operacional, contudo, pode prolongar atrasos que estavam ao alcance do fornecedor evitar. Documento indisponível, boleto desatualizado, dificuldade para obter uma segunda via e atendimento restrito ao horário comercial acrescentam obstáculos a uma jornada de pagamento que já pode estar sob pressão.

automação não resolve a falta de caixa do cliente nem substitui uma política de crédito. Ela remove barreiras que estão sob o controle da própria empresa e permite que a equipe concentre energia nos casos que realmente exigem negociação.

O que muda quando o cliente consegue resolver sozinho

As soluções de autoatendimento para a indústria mudam a divisão do trabalho. O cliente passa a consultar títulos vencidos e a vencer, copiar a linha digitável, baixar boletos e notas fiscais, e acompanhar pedidos sem depender da disponibilidade do time financeiro. A equipe, por sua vez, passa a atuar nas exceções, negociações e análises.

Segundo a Simplifica+, mais de 500 mil usuários utilizam a plataforma e, dependendo do processo e do ponto de partida da empresa, a redução pode chegar a 80% das tarefas manuais do contas a receber.

O primeiro ganho percebido é a redução de interrupções. Depois aparecem a rastreabilidade, a consistência do processo e a agilidade de resposta. Na cobrança, lembretes automáticos e acesso disponível a qualquer horário contribuem para uma rotina mais previsível, embora não garantam o pagamento em dia.

Esse é o principal avanço: o financeiro deixa de funcionar como uma central de solicitações e ganha espaço para atuar em análise, relacionamento e planejamento.

A produtividade que a indústria construiu na fábrica ainda não chegou ao financeiro

A indústria catarinense alcançou uma posição de destaque ao combinar especialização, inovação e melhoria contínua. Levar essa cultura para o financeiro não reduz a importância do chão de fábrica. Ao contrário, amplia a produtividade para toda a jornada que sustenta a venda e o recebimento.

Os R$ 13 bilhões em pagamentos e o 1 milhão de horas economizadas não provam que todas as empresas possuem o mesmo gargalo. Eles mostram, porém, a escala da capacidade operacional envolvida quando interações repetitivas deixam de depender de atendimento manual.

“Ninguém corta fita para inaugurar um processo de contas a receber automatizado. Ainda assim, é nesse tipo de rotina que muitas empresas podem recuperar tempo, reduzir custos e dar mais previsibilidade à operação“, complementa o CEO.

Alguns casos de indústrias e distribuidores que adotaram esse modelo estão reunidos no portal de conteúdos da Simplifica+.



Fonte ==> EconomiaSC

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