Daniella Marques já tem lugar definido na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL): o senador confirmou que a executiva, ex-braço direito de Paulo Guedes e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, vai ajudá-lo a formular propostas econômicas e sociais.
Integrar a pré-campanha, no entanto, é diferente de ser anunciada para a Economia de um eventual governo, caso ele seja eleito. Até lá, a preferência do mercado por um nome para a pasta é apenas sinalização.
Esse intervalo explica por que ninguém na pré-campanha fala em definição para um eventual governo. Comprometer um nome para a Economia a esta altura afastaria outros quadros que a campanha quer ativos no debate de propostas.
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Mercado financeiro recebe bem o nome de Daniella Marques
A confirmação de que Daniella Marques ajudará a formular propostas econômicas e de responsabilidade social na campanha de Flávio Bolsonaro ocorreu na segunda-feira (15), durante o evento “Veja Fórum Rumos do Brasil”. Para se dedicar à pré-campanha, a executiva licenciou-se por seis meses da Legend, gestora da qual atuava como sócia.
De acordo com pessoas próximas a ela, profissionais de bancos e corretoras teriam procurado a executiva nas últimas semanas, num movimento lido pela campanha como sinal de aceitação da Faria Lima.
A apuração da Gazeta do Povo constatou que Marques não é amplamente conhecida pelo mercado, no entanto, o fato de estar vinculada a Paulo Guedes e a um perfil econômico liberal torna a recepção ao nome dela como positiva.
Daniella Marques é considerada nome favorável à campanha de Flávio
Assim como Daniella Marques, outros nomes são ventilados como possíveis integrantes de uma eventual futura equipe econômica de Flávio Bolsonaro, caso ele seja eleito. Entre eles, Adolfo Sachsida e Mansueto Almeida, o mais bem visto pelo mercado.
No entanto, a avaliação é que Mansueto dificilmente deixará a posição que ocupa, de economista-chefe no BTG Pactual, para integrar uma gestão pública. O mesmo cenário é atribuído a Paulo Guedes, que atua em consultoria própria.
Sachsida é o nome mais bem visto pelo núcleo mais duro da família Bolsonaro, por ter um perfil reconhecido como mais fiel ao grupo e mais independente a outros interesses econômicos. Porém, é este fato que justamente faz com que ele agrade menos o mercado financeiro.
A favor de Daniella pesa, também, o fato de ela ser mulher e a campanha de Flávio Bolsonaro identificar que ele precisa atrair mais o eleitorado feminino. Motivo que, inclusive, tem feito com que ele procure um nome feminino para vice da chapa.
Antes da oficialização da entrada de Daniella Marques na equipe econômica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, uma pessoa próxima à família citou à Gazeta do Povo que houve inicialmente resistência ao nome, por ela, supostamente, ter mais ligação com o mercado financeiro que com a família Bolsonaro.
De acordo com essa informação, o jantar reservado promovido no dia 1º de junho no hotel Five Seasons, em Portugal, por André Esteves, presidente do BTG Pactual, teve entre as pautas a menção ao nome de Daniella Marques como prioritário para compor a equipe econômica de Flávio Bolsonaro.
O jantar ocorreu durante o Fórum Jurídico de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”. Entre os presentes no jantar estavam o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Pessoas próximas a Kassab afirmaram à reportagem da Gazeta do Povo que Daniella Marques já vinha manifestando interesse em compor a equipe econômica de Flávio Bolsonaro, porém, faltava-lhe alguém para apadrinhá-la.
A reportagem procurou a campanha de Flávio Bolsonaro; a assessoria de imprensa de Daniella Marques; de Alexandre de Moraes; de Michel Temer e de Gilberto Kassab, mas não obteve retorno até esta publicação. O espaço segue aberto para manifestação sobre o tema.
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Efeito sobre os juros depende de ampla agenda de ajuste fiscal
Apesar de todos os nomes citados defenderem os pilares do liberalismo econômico, o ingresso de qualquer um deles na equipe econômica não é sinônimo de, automaticamente, ajuste fiscal. Especialistas lembram que o efeito concreto sobre a economia depende menos do nome e mais de um plano de governo capaz de sustentar o ajuste fiscal que os investidores cobram para recuperar a credibilidade do país.
“O Banco Central não vai sair reduzindo a Selic sem o respaldo de fundamentos. E esses fundamentos viriam de uma agenda de ajustes bem desenhada, com a liderança do presidente e o convencimento do Congresso”, afirma Silvio Campos Neto, sócio da Tendências.
Nesse cenário, a queda da percepção de risco fiscal derrubaria os juros de mercado e as expectativas de inflação, abrindo espaço para o Banco Central cortar a Selic com mais segurança. “Em um suposto cenário de vitória, Flávio tem que comprar e liderar uma agenda de ajuste que é necessária, além de ter a capacidade de aprovar medidas importantes no Congresso”, complementa ele.
Os sinais de aproximação com o mercado, enquanto isso, se multiplicam: Flávio Bolsonaro tem participado de almoços e eventos no ambiente financeiro. De um lado, o pré-candidato do PL está conseguindo transpor as barreiras de um setor inicialmente resistente à família Bolsonaro por preferir o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome da direita a disputar as eleições presidenciais; e, também, por ter aumentado a desconfiança em relação a Flávio após o vazamento do áudio enviado por ele para Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Do outro lado, no entanto, Flávio Bolsonaro ainda não convenceu parte do mercado financeiro sobre a sua capacidade de vencer Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.
Fonte ==> UOL