Zema critica STF em SP e propõe mandato de 15 anos

Plano de Romeu Zema prevê “novo STF”, fim da saidinha e privatizações em massa

Plano de Romeu Zema prevê “novo STF”, fim da saidinha e privatizações em massaFoto: André Groh/ND Mais

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema deu o tom de sua campanha à Presidência da República ao apresentar as diretrizes iniciais de seu plano de governo. Com uma retórica que opõe frontalmente o que chama de  “brasileiros de bem” aos “intocáveis de Brasília”, Zema focou sua ofensiva na atual gestão do PT (Partido dos Trabalhadores) e no STF (Supremo Tribunal Federal), prometendo uma guinada na condução política e institucional do país.

Romeu Zema também firmou seu discurso como pré-candidato a presidente, sem alianças, pelo menos até o primeiro turno, com a família Bolsonaro e o PL numa possível chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro. E disse ainda que quer “privatizar 100% das estatais no Brasil”.

A formulação das diretrizes apresentadas foi liderada pelo Instituto Libertas, ligado ao Partido Novo. A equipe conta com nomes da área econômica, como Carlos da Costa, ex-secretário especial de Produtividade e Emprego do Ministério da Economia, e na segurança como Rogério Greco, atual Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.

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Zema promete em limites ao STF

Um dos pontos mais contundentes do discurso foi direcionado ao STF. Zema prometeu encerrar o que classificou como uma “farra” e detalhou propostas de mudança estrutural na Corte.

Zema diz que proporá “novo Supremo”, com mandato de 15 anos, idade mínima de 60 e restrições a parentes de ministrosFoto: Reprodução/ND MaisZema diz que proporá “novo Supremo”, com mandato de 15 anos, idade mínima de 60 e restrições a parentes de ministrosFoto: Reprodução/ND Mais

“Minha primeira medida será propor ao Congresso um novo Supremo. Um Supremo em que seus membros prestem contas dos seus atos”, cravou o candidato. O plano prevê que parentes de ministros sejam proibidos de manter negócios jurídicos, além de estabelecer uma idade mínima de 60 anos e um mandato fixo de 15 anos para os magistrados. Para Zema, esta seria a primeira etapa para a “moralização do Judiciário” brasileiro.

Fim da “farra de gastos”

No campo econômico, o candidato usou sua gestão em Minas Gerais como seu principal trunfo, afirmando ter recuperado um “estado arruinado pelo PT”, fazendo críticas à antiga gestão de Fernando Pimentel (PT). Zema culpou o governo federal atual por promover uma “farra de gastos” que, segundo ele, endividou as famílias, elevou os juros e causou a explosão da dívida pública.

“Cortei gastos e fiz o governo trabalhar para os mineiros e não para quem antes vivia pendurado nele. Chega de governo rico e povo pobre”, disparou. Relembrando sua trajetória de 35 anos na iniciativa privada, Zema argumentou que o Brasil ficou estagnado devido à “receita fracassada da esquerda e do PT”, traçando um paralelo de como o país foi ultrapassado pela China em termos de desenvolvimento ao longo das últimas décadas.

Romeu Zema apresenta plano com “novo STF” e mira Judiciário e segurançaFoto: André Groh/ND MaisRomeu Zema apresenta plano com “novo STF” e mira Judiciário e segurançaFoto: André Groh/ND Mais

Zema também sinalizou que pretende flexibilizar as regras trabalhistas no país e apresentar uma alternativa à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No que tange aos programas sociais, como o Bolsa Família, ele prometeu manter os auxílios, condicionando os mesmos à exigência de que os beneficiários do sexo masculino aceitem propostas de emprego. Além disso, o pré-candidato defendeu um amplo plano de privatizações e a transferência de serviços públicos para a iniciativa privada.

Combate a facções criminosas e tolerância zero: detalhes sobre a segurança

Na segurança, o tom do pré-candidato foi o de “tolerância zero”. Zema criticou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo ele, ficar de “braços cruzados” enquanto o país é tomado por facções criminosas.

Zema adota tom de “tolerância zero”, critica Lula e acusa governo de omissão diante de facçõesFoto: Sebastián Torre (Pixabay)/ReproduçãoZema adota tom de “tolerância zero”, critica Lula e acusa governo de omissão diante de facçõesFoto: Sebastián Torre (Pixabay)/Reprodução

A proposta de seu plano de governo inclui o tratamento de facções como grupos terroristas, com pena mínima de 25 anos sem direito à progressão de regime, a “saidinha”. O candidato também prometeu o fim da maioridade penal aos 18 anos. “Vamos acabar também com aquela hipocrisia da maioridade penal aos 18 anos. Crime de adulto, vai ter pena de adulto”, declarou.

Zema: “Brasil é um país roubado”

Durante o evento, que foi marcado pela presença de dirigentes do partido e secretários do seu governo, o candidato do Partido Novo dividiu as atenções do eleitorado com a Copa do Mundo, estabelecendo que, enquanto o torneio define o hexacampeonato, as eleições decidirão “quem manda no Brasil”. A estratégia da campanha se apoia na resolução de três crises principais: a moral, a econômica e a de segurança pública.

Embora o plano ainda não seja definitivo e vá ser submetido ao debate com a sociedade, o diagnóstico da chapa já está traçado. Ao finalizar seu discurso de lançamento, Zema buscou capitalizar sobre o sentimento de frustração do eleitorado, resumindo sua visão sobre o cenário nacional: “O Brasil não é um país fracassado. O Brasil é, sim, um país roubado. E não faltam recursos aqui, mas, infelizmente, sobram ladrões”.



Fonte ==> NDMais

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