O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na sexta-feira (30), 3 milhões de novas páginas do caso Jeffrey Epstein, financista acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores nos Estados Unidos.
Entre os arquivos, há menções aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) em conversas de Epstein com outras figuras públicas, como o linguista Noam Chomsky e o estrategista Steve Bannon.
Em dezembro de 2018, o linguista americano relatou a Epstein que visitou Lula, então preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, ao lado da esposa Valéria Chomsky. Ele classificou o brasileiro como “o prisioneiro político mais importante do mundo”.
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“Acho que, de alguma forma, somos animais sociais. Valéria e eu vimos um caso muito triste disso recentemente. Conseguimos visitar Lula, o prisioneiro político mais importante do mundo, preso logo antes da eleição que ele provavelmente venceria, na última etapa do golpe da direita que vem ocorrendo há vários anos”, escreveu Chomsky no email, segundo informações da BBC.
“Ele está em confinamento solitário, sem acesso a qualquer material impresso, com direitos de visita muito limitados, uma TV sintonizada em um canal do governo e sem o direito de fazer qualquer declaração pública. A sentença é de 12 anos, mas com o atual governo neofascista no poder, ele pode sucumbir a alguma ‘doença misteriosa’. É chocante a falta de atenção do mundo a isso”, criticou.
Planalto nega ligação entre Chomsky, Lula e Epstein na prisão
Os arquivos Epstein já haviam revelado outra menção ao presidente do Brasil em novembro: “Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo”, escreveu o financista estadunidense em mensagem a Steve Bannon, em setembro de 2018.
Valéria Chomsky, no entanto, negou à CNN que a ligação entre Chomsky, Lula e Epstein tenha acontecido. Ela chamou a alegação de “infundada e mentirosa” e explicou que os visitantes tinham os celulares confiscados na carceragem da Polícia Federal.
O Palácio do Planalto também contestou a declaração. “Essa informação não procede. A citada ligação telefônica nunca aconteceu”, disse à CNN.
Jeffrey Epstein foi um magnata do mercado financeiro, acusado de exploração e abuso sexual de menores. Ele foi encontrado morto em sua cela em Nova York em agosto de 2019, pouco mais de um mês após sua prisão. A autópsia concluiu que o multimilionário cometeu suicídio por enforcamento.
‘Bolsonaro mudou o jogo’, disse Epstein a Bannon
Em trocas de mensagens com Epstein, o estrategista político ex-conselheiro de Donald Trump, Steve Bannon, fez elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Após o financista afirmar que supostamente conversou com Lula e Chomsky pelo telefone, Bannon respondeu: “Fale para ele que o meu cara vai ganhar no primeiro turno”, em referência a Bolsonaro.
Epstein diz em seguida: “Durante a coletiva de imprensa na quinta-feira, uma mensagem de Lula ao Partido dos Trabalhadores (PT) sobre a militância da organização foi transmitida. Bolsonaro é o cara”.
Os novos documentos revelam uma longa conversa sobre o apoio de Bannon à família Bolsonaro. Epstein afirma: “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO. PIB de 1,8 TRILHÃO”.
Bannon pede um conselho: “Eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”. O magnata do mercado financeiro rebate: “É meio o argumento ‘reino no inferno’ de novo”.
Jeffrey Epstein ainda criticou o ex-presidente do Brasil por negar a aliança com Steve Bannon em 2018, após Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participar do jantar de aniversário do estrategista nos Estados Unidos.
“Não gostei de Bolsonaro chamando qualquer associação com você de ‘fake news’, mas eu entendo. Eu preferiria um boné MGBA [possível referência a ‘Make Brazil Great Again’]”, escreveu o financista.
Bannon retruca: “Tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem do fato de não ter ninguém para me defender”.
Fonte ==> NDMais