Mortal Shell 2 é a sequência de um dos melhores soulslike lançados nos últimos anos. O game original impressionou os jogadores ao trazer elementos inovadores, como o uso de “carcaças”, onde cada uma delas representa classes bem diversificadas, e uma espécie de segunda chance ao morrer, habitando um corpo cru em busca da recuperação de seus pertences.
Desde que foi revelada, a sua sequência promete um jogo ainda mais ambicioso. A começar pelas carcaças, agora com um número maior de opções, e um mapa aberto que pode ser explorado pelo jogador da forma que ele desejar. Mas será que tudo isso deu certo? Confira o review completo!
O retorno de um dos melhores souslike fora da From Software
Eu, como grande fã de soulslike, sempre coloquei Mortal Shell no meu top cinco de melhores jogos do gênero. Mesmo assim, reconheço que ele ficou devendo em dois pontos. O primeiro deles é em relação ao seu tempo de duração. Apesar de passar facilmente das 20 horas, ainda assim é curto quando comparado a outros “concorrentes”, já que esse mesmo tempo engloba a quantidade de mortes ao longo da jornada, caminhadas repetidas para evoluir o personagem, etc.
E o outro ponto é em relação a algumas limitações, como a repetição de inimigos, que em alguns casos até me confundia, pois não sabia se era o mesmo o outro que surgiu, e elementos para compor os cenários, o famoso “Copiar e Colar”. Fora isso, era um soulslike inovador na sua jogabilidade, graças a seu sistema de defesa que petrificava o personagem, e as trocas de carcaça, onde era possível alternar para classes totalmente distintas.
A desenvolvedora Cold Symmetry fez o dever de casa e soube focar justamente nestes dois pontos para que Mortal Shell 2 brilhasse. Agora, há uma variedade considerável de inimigos. Me arrisco a dizer que só na parte inicial são mais de 20 diferentes, que variam desde zumbis vestindo armaduras e farrapos, até lesmas gigantes carregando sinos nas costas, e bebês demoníacos com asas e cabeças enormes.
Os cenários seguem o mesmo exemplo de evolução. Embora eu tenha achado o sistema de masmorras com um design reciclado, já que boa parte delas mantém as mesmas escadas circulares e conjuntos de elevadores, ainda assim há uma temática bem diversificada, como cidades submersas, igrejas antigas, etc.
E por falar em diferenciação, cada uma das regiões do game possuem construções que fogem do básico, ou seja, nada de caminhos marcados por trilhas, estradas ou algo assim, é preciso prestar atenção no cenário para achar pontes, plataformas, e até mesmo paredes que podem ser destruídas para prosseguir.
Todos esses elementos foram muito bem inseridos em um jogo que consegue manter os elementos básicos de um bom soulslike, e ainda ter espaço para arriscar. Principalmente em um dos principais pilares do gênero: a jogabilidade. E ao longo deste review eu conto tudo isso nos mínimos detalhes.

O retorno do Arauto em um mundo colapsado
Em Mortal Shell 2, mais uma vez assumimos o controle de um ser desconhecido, dessa vez chamado de O Arauto. Sua missão é reunir os Ovos (Ovuns) da Mãe Umbral, uma espécie de deusa do submundo, que foram roubados por falsos deuses no que sobrou do mundo. Mundo este que se encontra em colapso e dominado por monstros e criaturas sem qualquer pingo de compaixão.
Para isso, você contará mais uma vez com carcaças de guerreiros que, durante a vida, se destacaram por conta de suas respectivas habilidades. Esses feitos podem ser acompanhados à medida com que você evolui cada uma delas, mostrando tudo que foi feito de bom, e ruim, para atingirem à fama, e terem suas trajetórias repercutidas por toda eternidade.

Assim como em quase todos os jogos do gênero soulslike, não espere por um enredo envolvente e repleto de reviravoltas. Por mais que a introdução do game tenha conseguido conquistar a minha atenção, boa parte da jornada é composta por caminhadas e batalhas contra inimigos, que por sua vez não agregam muito em relação à história.
Entretanto, se mesmo assim você quer saber o que houve com o mundo, ou mais especificamente cada parte das regiões do mapa, é preciso vasculhar os cenários em busca de anotações, pergaminhos, ou até mesmo diálogos com alguns NPCs perdidos pelo mapa. Curiosamente, quem jogou o primeiro game deve se lembrar do plot twist na parte final do enredo. Será que Mortal Shell 2 reserva algo parecido? Bom, só jogando para descobrir.

Uma jogabilidade repleta de particularidades
Como dito anteriormente, o primeiro Mortal Shell me conquistou por mudanças pontuais na jogabilidade padrão do gênero, e que caíram como uma luva. A principal delas é o sistema de defesa, onde era possível petrificar o personagem para conter um ataque. Pode parecer algo simples, mas ajudou a construir uma estratégia única, principalmente naquele momento crucial do jogo que é a parte inicial, onde qualquer inimigo pode te levar a óbito com poucos golpes.
Esse mesmo sistema de defesa está de volta em Mortal Shell 2, junto com uma outra leva de novidades que agregam demais a este novo game. A que mais chama atenção é a ausência de uma barra de estamina. Isso mesmo, o personagem não cansa ao correr muito e, principalmente, não para de bater ou perder a defesa quando cansado. Essa é de longe a grande adição ao game, e posso garantir que não altera em nada a dificuldade do jogo.
Com isso, é possível se preocupar somente com o tempo exato para golpear e defender, já que o sistema de parry se mostra presente, e eficiente quando usado no tempo correto. Já a esquiva, também precisa ser dominada, tanto na área que ela protege o contato com o seu personagem, como no momento exato em que o movimento será executado.

O game também traz um sistema de arma secundária que é crucial nos combates. Com ele, é possível equipar uma simples besta, ou bugigangas que simulam escopetas e metralhadoras. Para isso, você precisa preencher a Barra de Determinação para recuperar os tiros que a sua respectiva arma possui. E para completá-la, é preciso derrotar inimigos, ou achar totens que, quando golpeados, liberam círculos luminosos para preencher esta barra.
Essa mesma barra também é usada para ativar golpes secundários. Eles variam de acordo com a carcaça usada, mas a vantagem é que, em alguns casos, o gasto só é contabilizado quando acertam o alvo, como na garra de Prox, uma das primeiras carcaças do game, que funciona como o gancho de Scorpion em Mortal Kombat.
Já em relação aos inimigos, eles seguem à risca o padrão do gênero. Ou seja, simples criaturas que qualquer descuido podem te levar a óbito, monstros enormes que aparecem nos piores momentos e que dificilmente você vai derrotá-los no primeiro combate, chefes que testam sua paciência ao te eliminar dezenas de vezes, etc. Entretanto, também há particularidades. A principal delas é em relação ao comportamento destas criaturas. Quase todas possuem um sistema de ataque que não é algo “ensaiado”, por isso, não adianta ficar esperando sempre a mesma sequência ou tipo de golpe, pois isso dificilmente acontecerá.
E para completar, os seus inimigos também são inimigos dos seus inimigos. O que quero dizer com isso: quando você menos espera, é possível se deparar com criaturas brigando entre si. E não estou falando de um simples “um contra um”, mas de uma pancadaria generalizada, e que ignora completamente a minha presença. Isso aconteceu por várias vezes no jogo, e além de proporcionar boas risadas, contribuíram bastante para a minha campanha, já que essas mortes também geram pontos de experiência e itens. Só faltou a pipoca para acompanhar a pancadaria.

Por fim, para os que gostam de dificuldade, é possível deixar tudo ainda mais desafiador. No Covil Lúgubre, que é uma espécie de “casa” do personagem e onde é possível aprimorar armas, comprar e vender itens, e falar com a Mãe para desbloquear memórias de carcaças, você pode conversar com Thestus e alternar o período do tempo do Dia para a Noite. Isso faz com que os inimigos fiquem mais fortes e resistentes, e assim causem mais danos.
Em contrapartida, os pontos de experiência, moedas e outros itens surgem em maior número. Além disso, algumas áreas secretas só possam ser acessadas no horário noturno. Um elemento que parece simples, mas que diverte e dá uma nova dinâmica ao jogo.
8 carcaças e centenas de itens e habilidades à sua escolha
Outra grande novidade de Mortal Shell 2 é a presença de oito carcaças diferentes. Para quem não sabe, esse é um sistema, que foi adotado desde o primeiro game, onde você assume os corpos de guerreiros de classes distintas. Com isso, é possível criar estratégias para determinadas áreas ou inimigos, e ao mesmo tempo optar por evoluir aquelas que você mais se identificou ao longo da jornada.
Mesmo que o seu foco inicial seja desbloquear o máximo de carcaças possíveis, ainda assim me incomodou um pouco o ritmo com que isso acontece. Em outras palavras, na parte inicial do jogo, dificilmente você conseguirá mais de três diferentes tipos de carcaças. Ao mesmo tempo, é crucial evoluí-las por uma questão de sobrevivência, ou seja, se não fizer isso você não conseguirá dar mais danos, ter uma defesa melhor, etc.

Sendo assim, boa parte do jogo usei a mesma carcaça para explorar e liberar as regiões principais, e optei por usar outras para revisitar um determinado local, como uma masmorra que ficou para trás, ou um bastião que precisava ser purificado. Em contrapartida, é instigante começar uma nova jogada, ou revisitar boa parte das regiões à noite, com uma carcaça secundária para desbloquear suas respectivas memórias e habilidades.
Em relação às respectivas classes, me agradou muito como cada uma delas se comporta. Por exemplo, Tiel é um assassino que traz habilidades curiosas para um jogo do gênero. Além de ser extremamente rápido, ele possui a perícia de se tornar invisível por um curto período, mas suficiente para passar despercebido por inimigos, e até mesmo atacá-los de surpresa, o que foi crucial para eliminar dois chefes que surgem juntos em uma batalha.
Já Prox, se mostrou a carcaça mais completa. Ela é uma espécie de cavaleira com armadura pesada, que possui grande resistência, e ao mesmo tempo causa um dano considerável. Principalmente com sua garra, mencionada anteriormente, que além de puxar seus oponentes, ainda descarrega uma boa carga de eletricidade neles.

No geral, é possível notar que determinadas áreas, e até mesmo inimigos, foram feitos para uma determinada carcaça. Mas isso não quer dizer que você obrigatoriamente precisa usá-la. E é justamente essa falta de obrigação que torna tudo mais divertido, deixando para o jogador escolher se ele quer usar uma única forma do início ao fim, ou se quer de adaptar às diferentes situações que o game traz ao longo da campanha.
Sobre as habilidades, Mortal Shell 2 traz um leque imenso de opções. Elas podem ser usadas tanto nos combates, como para evoluir atributos de uma determinada carcaça. E isso pode ser feito com Pontos de Carcaças, ou através de Pedras de Tar, que por sua vez são uma das grandes coadjuvantes do game. Com elas, é possível obter uma série de vantagens, que variam desde danos maiores causados por uma determinada arma, até uma espécie de barra extra de vida que, quanto mais for usada, maior ela vai ficando. Além disso, todas elas possuem respectivos níveis que à medida com que você acumula pontos de experiência elas também evoluem, mas sem precisar gastar esses mesmos pontos em cada uma delas.
E como um bom soulslike, não poderiam faltar os itens consumíveis. Ao contrário de outros jogos do gênero, em Mortal Shell 2 eles basicamente servem para curar status como envenenamento, perfuração, entre outros, ou para serem vendidos. Entretanto, alguns itens específicos podem ser dados para NPCs em troca de outros itens, ou favores, como o sapo gigante no começo do jogo viciado em cogumelos.

Gráficos impressionam mais uma vez
Embora eu tenha citado anteriormente os elementos que me fizeram gostar do primeiro Mortal Shell, devo dizer que o seu visual foi o que mais me chamou atenção antes de pôr as mãos no game. O título foi lançado na reta final da geração passada, mas mesmo assim fez bonito e não ficou devendo nada aos outros jogos do gênero em relação à parte visual.
Porém, me incomodou muito a ambientação do mesmo na reta final, principalmente a última região, um mundo repleto de cristais e plataformas. Essa localidade tinha uma aparência de elementos repaginados, o famoso “CTRL + C e CTRL + V”, além de destoar completamente das regiões anteriores, mesmo que fizesse sentido para o enredo proposto pelo game.
Mortal Shell 2 parece que aprendeu com os erros, e essa mesma parte visual agora merece muitos elogios. A começar pelo mundo que foi criado, um mapa aberto que dá uma ampla liberdade ao jogador. Me arrisco a dizer que ele é uma espécie de “mini Elden Ring”, já que traz uma proposta similar, mas com proporções muito menores. Ou seja, ainda é um mapa grande, mas nada comparado ao gigantesco mundo do título da From Software.

Logo no começo da campanha, mais precisamente a sua chegada ao mundo principal, você se depara com um universo que te convida para a exploração. Como dito anteriormente, não há trilhas ou estradas que ajudam a te guiar, você é livre para vasculhar tudo. E quando digo vasculhar é no sentido literal, pois um pequeno deslize e um caminho ou ponte pode passar despercebido por você, assim como aconteceu comigo, onde uma simples elevação escondia uma ponte crucial para adentrar uma nova região.
E por mais que as regiões respeitem padrões de vegetação, relevo, e até mesmo clima, é fácil notar como as partes delas se diferenciam. Ou seja, você pode ficar perdido pela várias de formas de chegar a um mesmo local, mas não por ele ser similar a um outro. Além disso, vale destacar também o capricho nos elementos dos cenários. Na parte inicial do jogo, há um vilarejo destruído onde é possível notar marcas de incêndios, casas destelhadas e corpos espalhados. Estes por sua vez são tão realistas que a todo momento eu esperava que algum deles iria se levantar na minha direção.
Para a produção deste review, foi usada uma cópia do jogo na versão para PC, que rodou em uma máquina com as seguintes configurações:
- Placa de Vídeo: GeForce RTX 4090
- Placa Mãe: Asus Rog Strix Z790-h Gaming
- Processador: Intel i7 14700k
- Memória RAM: 32GB Kingston Fury Renegade
Com isso, pude rodar o game com as configurações gráficas no modo Ultra, e com todas as outras opções no máximo. E o resultado foi um dos mais belos soulslike já produzidos, além de um desempenho sem quedas de fps durante todas as dezenas de horas de jogo.

Além disso, o game se mostrou eficiente na reprodução de efeitos visuais como o Ray Tracing. Com ele, foi possível notar, por exemplo, não apenas o reflexo do meu personagem sobre águas e pisos, mas também o de inimigos e outros personagens. Isso sem falar nos efeitos de luz e sombra, como na troca do Dia pela Noite mencionada anteriormente.
Vale destacar também algumas animações, como na hora de derrotar seus inimigos. Há uma variedade de “finalizações” que vão desde o padrão de uma morte simples, até desmembrar sem piedade braços, pernas e cabeças de seus oponentes, e que podem até mesmo incomodar os mais sensíveis diante de tamanho realismo.
Mas como nem tudo são flores, há também o que se criticar em relação à parte visual de Mortal Shell 2. E essa crítica é referente a um erro que podemos chamar de amador: a forma com que alguns cenários mais apertados são apresentados.
Antes é preciso dizer que o game permite que você escolha entre dois tipos de câmera: uma quase em cima do ombro do personagem, e uma padrão em terceira pessoa. Como um bom soulslike pede, optei pela segunda opção durante todo o jogo, talvez por isso esse problema tenha sido mais frequente para mim. Também é preciso ressaltar que esse é um erro pontual que acontece na incursão às masmorras do game, e que não ocorre na exploração do mapa principal. Mas estamos falando de cerca de 60 masmorras em todo o jogo, o que não é pouco tempo.
O que acontece, ao adentrar nesses locais, que por sua vez quase sempre são bem apertados, a câmera do jogo acaba escondendo alguns elementos do cenário, principalmente os inimigos. Isso acaba prejudicando demais a jogabilidade, já que é preciso encontrar um ponto de visão onde eles apareçam.

Curiosamente, o primeiro jogo da franquia Lords of The Fallen, lançado originalmente em 2014, foi muito prejudicado pelo mesmo problema. Na época, o game foi muito elogiado, e considerado um dos melhores títulos fora da From Software. Porém, o seu Calcanhar de Aquiles foi justamente cenários muito apertados, aliados a uma câmera que deixava o jogador perdido sem enxergar o ambiente e seus inimigos. Por conta disso, considero um erro amador que já prejudicou um game do gênero, e poderia prejudicar outro novamente mais de 22 anos depois.
Além disso, também tive alguns problemas com bugs, e muitos relacionados a elementos dos cenários. Por diversas vezes, meu personagem foi prejudicado por uma falha na ambientação, ficando preso entre uma tocha e uma parede depois de uma explosão, e até mesmo foi atravessado em um cenário na hora de puxar um inimigo. Em um desses bugs, perdi um número alto de vultos, que são os pontos de experiência do game, o que me deixou bem irritado.
Felizmente, a própria desenvolvedora se prontificou a receber as notificações de problemas ao longo do jogo, e prometeu uma grande atualização no dia do lançamento de Mortal Shell 2, que será 20 de agosto para PS5, Xbox Series S/X e PC.

Vale a pena?
Mortal Shell 2 não é só um dos melhores soulslike já lançados até hoje, como tem potencial para criar pequenas revoluções no gênero. A mecânica de carcaças, que permite experimentar classes distintas ao longo do game, não só diverte como é crucial para criar estratégias ao longo da campanha. Assim como as respectivas habilidades, e pequenas mudanças nos combates tradicionais, como a ausência de uma barra de estamina.
Tudo isso em uma ambientação muito bem reproduzida, e que te instiga e explora cada ponta do mapa. E por mais que este mapa não seja gigantesco como em Elden Ring, ele é grande o suficiente para fazer o jogador gastar cerca de 80 horas sem sentir o tempo passar. Mesmo com problemas em alguns cenários apertados e bugs ocasionais, ele consegue fazer história e cravar a franquia como uma das referências no gênero.
Nota do Voxel: 95
Pontos positivos (Prós):
- Um dos soulslikes mais divertido de todos os tempos
- Mudanças pontuais na jogabilidade podem revolucionar o gênero
- Gráficos impressionantes
- Sistema de carcaças diversifica demais os combates
- Mundo aberto que traz uma liberdade imensa ao jogador
Pontos negativos (Contras):
- Bugs que chegaram a prejudicar a minha jogada várias vezes
- Ritmo lento para encontrar carcaças
- Masmorras com cenários apertados que prejudicam a visão e a jogabilidade
E você, quais suas expectativas para Mortal Shell 2? O jogo chega oficialmente em 20 de agosto no PC, PS5 e Xbox Series S e X. Conte para a gente aqui nos comentários!
Fonte TecMundo