Corrida nudista que atrai até atletas de 80 anos e exige apenas o tênis já tem data para sua 20ª edição

Corrida nudista que atrai até atletas de 80 anos e exige apenas o tênis já tem data para sua 20ª edição

Naturistas correm nu em corrida que já chega a 20ª edição na Argentina.Foto: Divulgação/Arquivo Jornal Olho Nu/ND Mais

Marcada para o dia 6 de dezembro de 2026, a tradicional Corrida de Cross Country Nudista chegará à sua 20ª edição na reserva natural Yatán Rumi, localizada em Tanti, na província de Córdoba, Argentina.

O evento, que combina esporte, sustentabilidade e naturismo a mais de 1.500 metros de altitude, desafia os participantes a percorrerem trajetos de 3 km e 6 km pelas montanhas e riachos da região — tudo isso sem nenhuma peça de roupa.

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A idealização do evento remonta a 2005, fruto do desejo de atrair um público mais jovem para o espaço naturista.

Em entrevista ao Canal C, da Argentina, Miguel Suárez, organizador da prova, explicou a origem do projeto.

“Eu pratico o nudismo e, por ser praticante e não haver nenhum lugar nudista em Córdoba, decidimos criar a reserva Rumi”, inicia.

Ao notar que os frequentadores eram majoritariamente pessoas acima dos 50 anos, a organização decidiu inovar “para diminuir a idade dos nossos visitantes e aí nos ocorreu fazer uma prova atlética como uma corrida trail ou cross country”.

Regras da corrida nudista e suas implicações aos tabus

Para participar, a regra é estrita: “É preciso correr totalmente nu, apenas de tênis, boné e óculos de sol”, detalha Suárez.

Corredores ganham pódio em corrida nudista.Foto: Divulgação/Arquivo Jornal Olho Nu/ND MaisCorredores ganham pódio em corrida nudista.Foto: Divulgação/Arquivo Jornal Olho Nu/ND Mais

A única exceção é voltada para as mulheres que sentem desconforto físico ao correr; para elas, “se manifestarem expressamente porque têm seios grandes e sentem dor. Nesse caso, é permitido correr de top”, diz o organizador.

Suaréz também desmistifica o medo das assaduras, comuns entre corredores tradicionais, garantindo que “há mais assaduras correndo vestido do que correndo nu”.

O uso de cremes e vaselina é totalmente liberado. A nudez, no entanto, não se restringe aos atletas e se estende também ao público que vai apenas apoiar os corredores: “o nudismo é obrigatório tanto para os corredores quanto para os espectadores”.

Privacidade e respeito ao corredor

Para garantir um ambiente seguro e livre de constrangimentos, o evento possui um sistema inteligente de identificação de imagem.

“As fotografias são proibidas. […] apenas os nossos fotógrafos oficiais podem fotografar e filmar”, ressalta Miguel.

Os atletas que aceitam ser fotografados recebem um número pintado em preto no peito. Já para “os que manifestarem expressamente que não querem que sua imagem seja divulgada publicamente, pinta-se o número de cor vermelha e, nesse caso, de quem tem a cor vermelha não se faz nenhuma imagem”, explica.

Crescimento com adesão internacional

A corrida, que começou com 63 participantes em 2005 e bateu seu recorde de 103 corredores em 2024, rompe barreiras geracionais.

“O mais jovem, 18 anos, porque a corrida é para maiores de idade. […] E até agora o mais velho que tivemos foi de 80 anos”, lembra o organizador.

Menores de 18 anos são proibidos de competir, embora o espaço Yatán Rumi seja aberto a famílias.

Corrida nudista reúne atletas de diferentes gerações.Foto: Divulgação/Arquivo Jornal Olho Nu/ND MaisCorrida nudista reúne atletas de diferentes gerações.Foto: Divulgação/Arquivo Jornal Olho Nu/ND Mais

O sucesso da prova já atrai o turismo internacional esportivo. Para a edição de 2026, a organização já conta com inscritos do Equador, Chile e Uruguai. A taxa de inscrição, fixada em 70.000 pesos argentinos, algo em torno de R$ 230. O investimento garante toda a infraestrutura de segurança, medalhas para os concluintes e troféus artesanais em vitrofusão para os primeiros colocados.

Enfrentando as variações climáticas da região serrana — na última edição os atletas correram sob garoa e 8°C —, o evento se consolida como uma celebração do corpo e da natureza.

Como conclui o idealizador da prova, é uma excelente oportunidade esportiva e social, pois “há um monte de preconceitos em relação ao nudismo, que é bom irmos quebrando aos poucos”.





Fonte ND Mais

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