A inteligência artificial está transformando a gestão financeira das empresas, especialmente em processos que envolvem controle de despesas, prestação de contas e aprovação de pagamentos.
A automação dessas atividades tem se tornado uma alternativa para reduzir tarefas manuais e acelerar o fechamento financeiro das organizações.
De olho nesse mercado, a Payfy, fintech fundada em Florianópolis e investida pelo Banco do Brasil, projeta movimentar R$ 1 bilhão em despesas corporativas em 2026.
A expectativa acompanha a expansão da base de clientes e o lançamento da Payfy Intelligence, solução que utiliza agentes de inteligência artificial para automatizar etapas da gestão de gastos empresariais.
Atualmente, a plataforma atende 1,7 mil organizações em todo o Brasil e gerencia aproximadamente 250 mil prestações de contas por mês. Em 2023, eram 500 empresas atendidas, o que representa um crescimento de 240% na base de clientes em três anos.
A nova tecnologia prevê 8 agentes especializados, com funcionalidades que vão desde a leitura automática de comprovantes até a recomendação de aprovação ou recusa de despesas.
Fundada em 2017 por André Apollaro e Matheus Anzzulin, iniciou suas atividades em Florianópolis com o nome KM Online, oferecendo uma solução para reembolso de quilometragem rodada.
Em 2019, a empresa passou por uma mudança no modelo de negócios e adotou a marca atual, ampliando sua atuação para a gestão de despesas corporativas.
A plataforma reúne diferentes meios de pagamento e controle financeiro, incluindo cartões corporativos de crédito, cartões pré-pagos e virtuais, Pix corporativo e reembolsos.
O objetivo é centralizar informações que tradicionalmente ficam distribuídas entre planilhas, comprovantes, sistemas bancários e processos de aprovação.
Entre os setores atendidos estão logística, transportes, agronegócio, construção civil, marketing e empresas com múltiplas unidades.
A empresa também informa manter um índice de satisfação NPS de 98%, além de atendimento realizado por profissionais, com tempo médio de resposta de 12 minutos.
Oito agentes de IA vão automatizar a gestão de despesas
O principal investimento tecnológico da Payfy em 2026 está concentrado na Payfy Intelligence, arquitetura de inteligência artificial organizada em três modos de operação: Scan, Audit e Review.
A solução contará com oito agentes especializados, cuja ativação completa está prevista para o fim de 2026. O primeiro módulo, Scan Mode, já está em funcionamento e automatiza a leitura de comprovantes.
Na prática, o colaborador fotografa uma nota fiscal pelo aplicativo, e o sistema identifica as informações e preenche os campos necessários para o registro da despesa.
Segundo indicadores divulgados pela empresa, 87% dos registros chegam aos gestores sem necessidade de correção humana, enquanto 93% das notas são conciliadas em até dois dias.
A fintech também aponta que a automação tornou o fechamento mensal cinco vezes mais rápido e permitiu uma economia de até dois dias de trabalho por semana para equipes contábeis.
Para André Apollaro, CEO da Payfy, o objetivo é reduzir a dependência de processos manuais e permitir que os profissionais financeiros concentrem sua atuação em situações que exigem análise.
“Empresas ainda perdem dias fechando o mês porque o controle de despesas depende de digitação manual e conferência retroativa. A Payfy Intelligence inverte essa lógica com três camadas: captura automática de comprovantes, auditoria em tempo real contra a política de gastos e recomendação de decisões para o aprovador. O gestor deixa de revisar lançamento por lançamento e passa a atuar só nas exceções”, afirma.
IA também será utilizada para identificar irregularidades
Além da captura automática de documentos, a Payfy Intelligence prevê funcionalidades voltadas à auditoria e à análise de despesas corporativas.
No Audit Mode, os lançamentos são confrontados com as políticas de gastos definidas pelas empresas. A tecnologia também busca identificar possíveis irregularidades e sugerir regras a partir de padrões de consumo.
De acordo com a fintech, a utilização da solução elevou de 55% para 90% o índice de despesas categorizadas corretamente.
Já o Review Mode foi desenvolvido para analisar informações como orçamento disponível, histórico de gastos e regras internas, recomendando a aprovação, recusa ou encaminhamento de cada despesa para análise adicional.
Com isso, a proposta é que os gestores deixem de revisar individualmente todos os registros e passem a concentrar esforços nos casos considerados excepcionais.
A empresa prevê disponibilizar os oito agentes para todos os usuários até o encerramento de 2026.
Fintech mantém atendimento humano mesmo com avanço da IA
Embora esteja ampliando a utilização de inteligência artificial no produto, a Payfy optou por manter o atendimento ao cliente realizado por pessoas.
A estratégia é utilizar a automação para diminuir erros operacionais e dúvidas relacionadas à plataforma, sem substituir os profissionais responsáveis pelo suporte.
Segundo Carlos Apollaro, diretor de operações da Payfy, a tecnologia deve atuar principalmente na prevenção de problemas.
“A IA atua antes do problema aparecer, não no lugar do atendente. A plataforma ficou mais clara e o colaborador comete menos erros, o que reduz dúvidas. E, quando o cliente precisa falar com alguém, fala com uma pessoa, não com chatbot”, explica.
Os indicadores divulgados pela empresa mostram que, entre julho e agosto, o volume de chamados caiu 29,6%. No mesmo período, a satisfação dos clientes passou de 97,1% para 98,2%.
Em agosto, quatro em cada dez solicitações foram solucionadas no primeiro contato, enquanto apenas 3% dos atendimentos precisaram ser reabertos.
Os resultados são apresentados pela fintech como reflexo da combinação entre melhorias no produto e atendimento especializado.
Investimento do Banco do Brasil fortaleceu expansão
Um dos marcos da trajetória da Payfy ocorreu em 2023, quando a empresa recebeu um investimento seed do BB Ventures, fundo de investimento do Banco do Brasil.
A parceria também resultou no desenvolvimento do BB Expenses, solução de gestão de despesas corporativas vinculada ao banco.
O relacionamento com a instituição financeira integra a estratégia de crescimento da fintech, que busca ampliar sua presença no mercado de gestão financeira empresarial.
Com a projeção de movimentar R$ 1 bilhão em 2026, a Payfy aposta na inteligência artificial como um dos principais motores de expansão.
A expectativa é que a automação de processos financeiros ganhe espaço entre empresas que precisam administrar grandes volumes de despesas, pagamentos e prestações de contas.
Para o ecossistema de tecnologia de Santa Catarina, a trajetória da fintech representa mais um exemplo de empresa criada em Florianópolis que ampliou sua atuação nacional a partir de soluções desenvolvidas para o mercado corporativo.
Fonte ==> EconomiaSC