A educação financeira de crianças e adolescentes está ganhando espaço entre as instituições financeiras brasileiras, que buscam desenvolver soluções para aproximar as novas gerações do planejamento e da gestão do dinheiro.
Nesse cenário, a XP anunciou o lançamento da Conta Menor, uma solução digital e gratuita que permite a menores de 18 anos utilizar serviços bancários e acessar produtos de investimento com acompanhamento dos pais ou responsáveis legais.
A novidade reúne funcionalidades como Pix, pagamentos, cartão de débito digital, aplicações em renda fixa e negociação de ações na B3, a bolsa de valores brasileira.
A conta já está disponível para toda a base de clientes da instituição e pode ser aberta diretamente pelo aplicativo do responsável legal, desde que o menor possua CPF válido. Não há exigência de idade mínima.
Apenas 21% dos brasileiros tiveram acesso a cursos de educação financeira
O lançamento ocorre em um cenário no qual o acesso à educação financeira ainda é limitado no Brasil. Segundo a 9ª edição do Raio-X do Investidor Brasileiro, pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), divulgada em 2026, apenas 21% dos brasileiros afirmam já ter participado de alguma aula, palestra ou curso sobre educação financeira.
O levantamento também aponta que a idade média dos investidores brasileiros é de 43 anos. Os dados evidenciam a oportunidade de ampliar o contato com conceitos financeiros desde a infância, especialmente por meio de experiências relacionadas ao planejamento, à organização de gastos e à definição de objetivos.
Para Mauricio Ribeiro, head de Produtos Digitais da XP, o objetivo não é antecipar decisões complexas de investimento, mas estimular uma relação mais consciente com o dinheiro.
“A educação financeira na infância não é sobre transformar crianças em investidoras, mas sobre criar uma relação mais consciente com o dinheiro desde cedo. Conceitos como planejamento, escolhas e o valor do tempo podem ser introduzidos de forma simples no dia a dia da família”, afirma.
Como funciona a Conta Menor da XP
A Conta Menor permite que crianças e adolescentes tenham acesso individualizado ao aplicativo, utilizando um login próprio. A partir dos 12 anos, também é possível habilitar a validação por biometria facial.
O produto reúne duas modalidades de serviços:
- Conta Digital: permite realizar pagamentos, transferências via Pix e utilizar cartão de débito digital.
- Conta de Investimento: oferece acesso a produtos de renda fixa e à negociação de ações na B3.
Como medida de proteção aos investidores menores de idade, a instituição não permite operações no segmento BM&F, que inclui derivativos e contratos futuros.
Os responsáveis legais podem acompanhar as movimentações, consultar saldos e extratos e utilizar mecanismos de segurança e limites operacionais disponíveis na plataforma. O vínculo entre a conta do menor e a do responsável permanece até a maioridade ou a emancipação.
A proposta é permitir que os jovens desenvolvam gradualmente autonomia financeira, mantendo a supervisão dos responsáveis durante o processo.
Educação financeira pode começar com decisões do dia a dia
Além do acesso a ferramentas digitais, especialistas destacam a importância de incorporar o tema à rotina familiar.
Atividades como acompanhar gastos, estabelecer metas de economia e definir prioridades podem ajudar crianças e adolescentes a compreender conceitos financeiros de maneira prática.
Segundo Wanádia Martins, assessora de investimentos da XP no Ceará, o aprendizado não deve se limitar à poupança ou à escolha de produtos financeiros.
“Não se trata apenas de ensinar a poupar ou investir, mas de mostrar, na prática, a importância de planejar, estabelecer prioridades e compreender o valor do dinheiro”, afirma.
A participação dos responsáveis é especialmente importante para diferenciar necessidades de desejos, explicar o funcionamento dos pagamentos digitais e apresentar os riscos associados aos investimentos.
Embora a tecnologia facilite o acesso ao mercado financeiro, produtos como ações estão sujeitos a oscilações e possíveis perdas, o que exige orientação e compreensão dos riscos.
Instituições financeiras ampliam relacionamento com novas gerações
O desenvolvimento de contas voltadas ao público infantojuvenil também acompanha a digitalização dos serviços financeiros e a busca das instituições por relacionamentos de longo prazo com seus clientes.
Ao integrar pagamentos, transferências e investimentos em uma única plataforma, a XP amplia seu portfólio de serviços e passa a oferecer uma experiência financeira supervisionada para crianças e adolescentes.
A iniciativa também reforça a importância da educação financeira como parte da formação dos futuros consumidores e investidores.
Para as famílias, o desafio é utilizar essas ferramentas como instrumentos de aprendizado, combinando autonomia gradual, acompanhamento dos responsáveis e compreensão dos riscos envolvidos nas decisões financeiras.
Fonte ==> EconomiaSC