Arthur Lira pode entrar na disputa pelo comando do Senado?

Arthur Lira chega ao Senado em 2027 e pode buscar protagonismo na disputa pelo comando da Casa

Arthur Lira (PP-AL) foi eleito senador por Alagoas e deve assumir protagonismo na Casa AltaFoto: Bruno Spada /Câmara dos Deputados

A eleição de Arthur Lira (PP-AL) para o Senado abre espaço para o ex-presidente da Câmara ampliar seu protagonismo nas articulações políticas da Casa a partir de 2027.

Após comandar a Câmara dos Deputados por dois mandatos consecutivos, o parlamentar chega ao Senado com experiência na negociação entre diferentes grupos políticos e uma vitória expressiva em Alagoas, onde derrotou Renan Calheiros (MDB).

Lira, porém, ainda não anunciou a intenção de disputar a Presidência do Senado no próximo ano.

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Pelo contrário: em entrevista à TV Gazeta de Alagoas, um dia após ser eleito para o Senado, afirmou que uma candidatura ao comando da Casa “não passa na minha cabeça”.

Enquanto isso, aliados próximos esperam que o senador eleito ganhe protagonismo nas negociações para definir o sucessor de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas não projetam uma candidatura de Lira já na próxima eleição da Mesa Diretora.

O cenário mantém o ex-presidente da Câmara no centro das conversas sobre a reorganização política do Senado, sem que isso represente uma decisão de concorrer ao cargo.

Vale lembrar que Lira, ao deixar o comando da Casa, foi o principal articulador da campanha de Hugo Motta (Republicanos-PB), que com o apoio do alagoano, conseguiu reunir apoio do PT ao PL para se eleger no início de 2025.

A disputa está prevista para fevereiro de 2027 e envolve interesses de diferentes partidos.

Enquanto o atual presidente, Davi Alcolumbre busca apoio para permanecer na Presidência, o PL trabalha para lançar Rogério Marinho (PL-RN).

A formação de uma maioria, no entanto, deverá depender de acordos com bancadas de centro e de negociações que ainda estão em andamento e devem ganhar força após o segundo turno das eleições, com a retomada regular das atividades parlamentares.

Davi Alcolumbre articula apoio para continuar no comando do Senado FederalFoto: Reprodução/ND MaisDavi Alcolumbre articula apoio para continuar no comando do Senado FederalFoto: Reprodução/ND Mais

De olho no poder, Alcolumbre se aproximou do Planalto antes do primeiro turno

A movimentação de Alcolumbre para tentar permanecer no comando do Senado começou antes mesmo do primeiro turno das eleições de outubro. Em agosto, o senador retomou o diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após meses de desgaste na relação entre os dois.

Aliados de Alcolumbre avaliavam que a reaproximação, naquele momento, poderia facilitar o apoio do PT à sua permanência na Presidência do Senado em 2027.

A aproximação ocorreu em meio a divergências sobre a agenda legislativa e após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O governo buscava avançar com propostas consideradas prioritárias, entre elas o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança.

No final de agosto, Alcolumbre se reuniu com Lula e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no Palácio da Alvorada. O encontro serviu para definir prioridades legislativas para os dias seguintes, num esforço concentrado do Congresso antes das Eleições 2026.

Vitória em Alagoas fortalece Arthur Lira

Arthur Lira foi eleito senador por Alagoas com 948.703 votos, o equivalente a 28,87% dos votos válidos, segundo os resultados da eleição de 4 de outubro. Marina JHC (PSDB) conquistou a segunda vaga, com 926.860 votos.

Renan Calheiros recebeu 731.045 votos, ou 22,24% dos válidos, e não conseguiu renovar o mandato. A derrota encerra uma trajetória de 32 anos do emedebista no Senado.

O resultado representa uma mudança importante na política alagoana e amplia o peso de Lira na composição do Congresso a partir de 2027. A vitória também tem dimensão nacional, porque retira da Casa uma liderança histórica do MDB e adversário político de Lira no estado.

O senador eleito presidiu a Câmara dos Deputados de 2021 ao início de 2025.

Durante o período, conviveu com os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Lula e construiu relações com partidos de diferentes campos ideológicos, sendo um dos principais articuladores da Reforma Tributária, aprovada após décadas de tramitação na Casa e considerada uma das prioridades do governo Lula no início do terceiro mandato.

Essa experiência pode facilitar sua participação nas conversas sobre a nova Mesa Diretora. A presidência de uma Casa legislativa exige a construção de maiorias e a negociação de espaços entre partidos, e Lira já comandou esse processo na Câmara.

PL prepara candidatura de Rogério Marinho, enquanto De Toni já afirmou que pode colocar nome na mesa

Com a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 28 parlamentares, o Partido Liberal, que apoiou Alcolumbre em 2025, trabalha para lançar Rogério Marinho à Presidência da Casa.

O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto,já afirmou que a legenda pretende apoiar Marinho, líder da oposição na Casa, e atual coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto; e descartou o apoio a uma eventual tentativa de reeleição de Alcolumbre.

A bancada do PL, sozinha, não reúne os votos necessários para assegurar a eleição. O partido precisará negociar com outras legendas, especialmente as de centro, para formar uma maioria. Um exemplo do que está por vir ocorre dentro do próprio PL.

Após ser eleita senadora por Santa Catarina, Carol De Toni já afirmou que não concorda com um eventual apoio do PL à recondução de Alcolumbre, e descartou apoiar uma eventual tentativa de reeleição de Alcolumbre.

Centrão também será decisivo para decidir futuro comando do Senado

Além do PL, PP e União Brasil terão peso na futura eleição do Senado. As bancadas do MDB e do Republicanos também entram nas contas das articulações futuras.

Nesse cenário, Lira poderá ter influência por sua capacidade de interlocução com diferentes grupos e pelo peso político que acumulou na Câmara.

Uma eventual candidatura própria, porém, não está colocada neste momento. Entre aliados, há também avaliações de que uma disputa pelo comando da Casa poderia ficar para 2029.



Fonte ==> NDMais

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