El Niño: Rio Tavares tem novo trecho limpo pela primeira vez desde a construção do canal

O trecho a ser limpo, no canal artificial de drenagem do Rio Tavares, totaliza 4 quilômetros de extensão. Foto/Divulgação

O trecho a ser limpo, no canal artificial de drenagem do Rio Tavares, totaliza 4 quilômetros de extensão. Foto/Divulgação

Dentro do pacote de medidas para enfrentamento dos efeitos do El Niño, a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, inicia nesta terça-feira, 1, o desassoreamento de um novo trecho do canal artificial de drenagem da bacia do Rio Tavares, no Sul da Ilha. Com cerca de 4 km de extensão, o trecho nunca passou por limpeza desde a construção do canal, em 1985. A previsão de conclusão é de 15 dias.
“Em 2023 nós fizemos o que ninguém tinha feito em quase quarenta anos, que foi limpar pela primeira vez o canal do Rio Tavares desde a sua construção, em 1985. Agora avançamos para um trecho que também nunca havia sido tocado. A diferença é que desta vez estamos nos antecipando. Sabemos que o El Niño vem, avaliamos os pontos críticos e é ali que a gente chega primeiro, para que a chuva não vire um problema dentro da casa das pessoas”, afirma o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto.
A intervenção ocorre a montante da SC-405. O local é uma área úmida de difícil acesso por terra, o que inviabiliza a entrada de maquinário pelas margens. Por isso, a remoção dos sedimentos, em aproximadamente 1 km de extensão, será feita com escavadeira hidráulica instalada sobre um pontão flutuante, estrutura que funciona como uma balsa e sustenta o equipamento sobre a própria lâmina d’água.
“O canal é um sistema de drenagem que depende de gravidade, ele não tem nenhum tipo de bombeamento. A água escoa apenas pelo desnível, assim como a água que corre numa calha inclinada. Conforme o sedimento se acumula no fundo, esse desnível diminui e a água perde velocidade. Com o desassoreamento, a gente devolve o espaço para o escoamento livre da água”, explica o subsecretário de Saneamento Básico, Bruno Vieira Luiz.
A máquina avança pelo canal e retira o material acumulado no fundo. Onde for possível o acesso de veículos, os resíduos serão transportados por caçambas basculantes. Os demais serão dispostos sob as margens. Uma equipe de apoio em solo dará suporte à operação.
A escolha do método também responde à sensibilidade ambiental do trecho. A intervenção pela água dispensa a abertura de acessos e a supressão de vegetação nas margens, o que reduz o impacto sobre a região de transição entre trechos de Mata Atlântica, áreas de restinga e mangue.
O trabalho no Rio Tavares integra a limpeza hidrográfica executada diariamente em todos os bairros da cidade. Ao final da manutenção, a expectativa é de assegurar a vazão do canal. O serviço foi intensificado nos últimos meses e está previsto no decreto de Estado de Alerta Climático publicado pelo município em 11 de junho.
“Até o momento já concluímos a limpeza de mais de 106 pontos da rede hidrográfica e temos outros 129 programados até outubro, com meta de 65 mil metros de cursos d’água desobstruídos. O Rio Tavares entra nesse conjunto porque é um dos locais com histórico de alagamento após fortes chuvas”, destaca o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer.



Fonte ==> Semanario-SC

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