O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

Por Felipe Berneira, CEO da Pronnus Tecnologia, uma empresa do Grupo Sancon.

Toda empresa sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem faturar nada. Essa é uma conta que quase nunca aparece nas reuniões de planejamento. Até o momento em que um sistema crítico fica indisponível e a discussão deixa de ser tecnológica para se tornar financeira.

Quando isso acontece, o problema deixa de ser o servidor que saiu do ar, o banco de dados inacessível ou os arquivos comprometidos. A preocupação passa a ser outra: pedidos que deixam de ser emitidos, notas fiscais que não são processadas, equipes paradas, entregas atrasadas, contratos descumpridos e clientes sem atendimento. Em poucas horas, a interrupção de um sistema se transforma na interrupção da capacidade de gerar receita.

Esse é um dos maiores equívocos que ainda observo nas empresas. A cibersegurança costuma ser avaliada pelo investimento que exige, quando deveria ser medida pelo prejuízo que ajuda a evitar. Afinal, o ativo mais importante não é apenas a informação armazenada nos sistemas, mas a continuidade da operação que sustenta o negócio.

É comum que as decisões sobre segurança digital fiquem restritas às áreas de tecnologia. No entanto, seus impactos extrapolam qualquer departamento. Eles chegam ao financeiro, comprometem indicadores comerciais, afetam a experiência do cliente e colocam em risco a reputação construída ao longo de anos. Em muitos casos, o incidente cibernético é apenas o gatilho de uma cadeia de perdas muito mais ampla do que a falha técnica em si.

A questão central para a diretoria precisa mudar de foco. Pergunte ao seu time financeiro: qual é o valor exato de um dia inteiro com a empresa de portas fechadas?

A resposta para essa pergunta determina a prioridade da segurança da informação na estratégia do negócio. Empresas resilientes investem em proteção contínua para garantir a previsibilidade do faturamento e a sobrevivência da operação.

A cibersegurança precisa ser vista como uma espécie de apólice operacional. Não porque elimina todos os riscos — isso simplesmente não existe —, mas porque reduz a probabilidade de que um incidente comprometa a continuidade do negócio. 

Empresas resilientes não investem em segurança apenas para proteger servidores ou dados. O objetivo final é manter sua capacidade de operar. 

O custo real de um ataque não vem do sistema danificado, mas do faturamento que é interrompido durante a crise. 



Fonte ==> EconomiaSC

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