A restrição das plataformas de apostas esportivas e jogos online, as chamadas bets, gerou onda de otimismo no setor produtivo brasileiro. Após um período amargando prejuízos comerciais e lidando com o impacto das plataformas no consumo, 38% dos donos de micro e pequenas empresas projetam um aumento imediato nas vendas com a derrubada das jogatinas virtuais.
Esse otimismo não é em vão. Um estudo do centro de pesquisa Made (FEA/USP) revela que as famílias brasileiras transferiram um valor líquido de R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas em 2025.
O levantamento revela ainda que as bets retiraram entre R$ 117 bilhões e R$ 141 bilhões das demais atividades econômicas, o que equivale a cerca de 1% do PIB (Produto Interno Bruto). Na prática, as perdas com as apostas anularam entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia nacional no ano.
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Asfixia das bets sobre o orçamento chegou nos balcões comerciais
A asfixia econômica apontada pela USP se materializou nos balcões das lojas e comércios espalhados pelo Brasil. É o que prova uma pesquisa inédita do Sebrae, que ouviu 1.028 empreendedores, mostra que 26% das empresas relataram redução direta no faturamento.
O comércio de vizinhança sentiu o golpe principalmente na perda de poder de compra: 48% dos entrevistados perceberam mudanças no comportamento do consumidor, como a diminuição de dinheiro disponível para consumo (33%) e o aumento da inadimplência (18%).
A fuga de capital também deixou um rastro de endividamento e desigualdade. Enquanto o saldo de crédito às pessoas físicas subiu R$ 450 bilhões em 2025 — com as apostas respondendo por até 14% desse aumento —, a concentração de renda no topo da pirâmide (o 1% mais rico) saltou até 2,1%, segundo a USP.
O rombo atingiu até os cofres públicos: mesmo com a arrecadação de impostos sobre as plataformas, o governo amargou uma perda líquida de arrecadação que variou de R$ 21 bilhões a R$ 46 bilhões, valor que representa até 20% de todo o orçamento da saúde pública no ano.
Empresas viram funcionários terem problemas com as bets
O prejuízo também atravessou o ambiente interno das empresas. Entre os negócios que possuem funcionários, 40% relataram problemas nas equipes, lidando com o endividamento de colaboradores, pedidos constantes de adiantamento salarial, apostas durante o expediente, queda drástica na produtividade e até desfalques financeiros.
Diante desse cenário, 66% dos pequenos negócios apoiam a proibição das bets, segundo o Sebrae. Para Décio Lima, presidente da instituição, a restrição que entrou em vigor em outubro estanca uma “lesão profunda” nas famílias e redireciona o capital para a economia real.
“Com a perspectiva de fim das bets, vemos um horizonte claro de recuperação: a expectativa de mais de 38% dos empresários é de retomada imediata nas vendas, injetando novamente esses recursos na atividade produtiva do país”, avalia.
Apenas 0,6% dos empresários preveem alguma queda nas vendas com a proibição.
Fonte ==> NDMais