Por que o posicionamento de marca fica ainda mais importante com a evolução da IA

Por que o posicionamento de marca fica ainda mais importante com a evolução da IA

O que realmente diferencia uma marca quando qualquer empresa consegue criar um site bonito, produzir conteúdos aparentemente profissionais e escrever textos razoáveis em poucos minutos? Se a execução está ficando mais fácil e todo mundo começa a ter acesso às mesmas ferramentas, o que passa a ter mais valor?

Foi mais ou menos essa reflexão que ficou na minha cabeça depois de uma conversa recente em Brasília. Encontrei um amigo que estudou comigo no ensino médio e que, depois da escola, seguiu para a área de tecnologia. Eu lembro que, quando ele se formou, já entrou no mercado ganhando um salário muito acima do que era comum para pessoas da nossa idade e, realmente, fazia sentido: ele tinha passado anos desenvolvendo uma habilidade técnica difícil, que poucas pessoas dominavam e pela qual empresas grandes estavam dispostas a pagar bastante.

Nessa conversa mais recente, porém, apareceu um assunto que provavelmente pareceria estranho alguns anos atrás. Ele comentou sobre como a inteligência artificial já consegue executar parte de um trabalho que levou anos para aprender e sobre a possibilidade de algumas funções da área mudarem bastante daqui para frente.

Eu trabalho com posicionamento e, talvez por isso, automaticamente levei essa conversa para outro lugar. Porque, em outra escala, uma transformação parecida está acontecendo na construção das marcas e, principalmente, na forma como percebemos valor quando aquilo que antes era raro começa a ficar muito mais acessível.

Parecer bom ficou mais fácil de reproduzir

Há pouco tempo atrás, ter um bom site, por exemplo, já era um diferencial relevante para uma empresa. Construir uma página realmente boa envolvia desenvolvimento, design, texto, fotografia e um investimento que nem todo negócio estava disposto ou conseguia fazer. Hoje você consegue partir de uma referência, usar inteligência artificial para pensar qual vai ser a estrutura, testar diferentes textos, criar imagens, ajudar no código e chegar a uma primeira versão razoavelmente boa numa velocidade que seria inimaginável antes da IA.

E site é só um exemplo. A mesma coisa está acontecendo com apresentações, vídeos, imagens, identidade visual, textos e, principalmente, conteúdo. Uma pessoa que até pouco tempo atrás dizia que não sabia o que publicar consegue abrir uma ferramenta de inteligência artificial, explicar a própria profissão e receber cinquenta sugestões em alguns segundos. Pode pedir um roteiro, uma legenda, uma headline, uma sequência de stories e, dependendo da forma como usa a ferramenta, chegar a um resultado tecnicamente bastante aceitável sem dominar nenhuma dessas habilidades.

Isso não quer dizer que todo mundo virou bom em comunicação da noite para o dia, obviamente, mas quer dizer que ficou muito mais fácil chegar ao básico bem feito e acredito que essa mudança traz uma consequência que poucas pessoas pensam: quanto mais acessível fica parecer profissional, menos isso, sozinho, consegue diferenciar alguém.

Hoje esse piso está subindo para todo mundo e, de certa forma, isso é ótimo. Algumas empresas menores conseguem acessar recursos que antes estavam concentrados em estruturas muito maiores, alguns profissionais conseguem apresentar melhor o próprio trabalho e uma boa ideia não precisa mais morrer porque alguém não sabe programar, editar ou escrever. Só que o outro lado dessa facilidade é que podemos ter marcas cada vez mais bem executadas e, ao mesmo tempo, cada vez mais parecidas entre si.

O valor começou a migrar para as escolhas

É por isso que eu acredito que a evolução da inteligência artificial aumenta, e não diminui, a importância do posicionamento. Se executar está ficando mais fácil, o que começa a ter mais peso é aquilo que vem antes: o que essa marca quer representar, pelo que ela quer ser lembrada, quais ideias ela vai escolher defender, qual tipo de cliente ela quer atrair e quais padrões do próprio mercado realmente fazem sentido para ela.

E isso fica ainda mais evidente quando falamos de marcas pessoais. Duas profissionais podem ter a mesma formação e, depois de anos trabalhando, chegar a conclusões completamente diferentes. Uma pode ter desenvolvido critérios que a outra não tem, outra pode discordar de algumas práticas consideradas normais naquele mercado, preferir determinados tipos de projeto ou até ter mudado de opinião depois de situações que viveu no próprio trabalho.

É esse tipo de informação que me interessa quando penso em posicionamento, porque quando o conhecimento se torna cada vez mais acessível, o repertório, o contexto e o critério continuam dependentes das experiências individuais para serem construídos.

Afinal, ter acesso a cinquenta boas ideias não resolve muita coisa se você não sabe qual delas faz sentido para a marca que está buscando construir, assim como produzir mais conteúdo não necessariamente ajuda se, no final, ele continua dizendo praticamente as mesmas coisas que todo mundo naquele mercado já diz.

Pra mim, o posicionamento vai precisar passar cada vez mais pelo filtro de entender o que vale a pena reforçar, o que merece ser associado ao seu nome e o que você não precisa repetir só porque virou padrão na sua área. A inteligência artificial provavelmente vai facilitar ainda mais a execução daqui pra frente, e eu não vejo isso como um problema. Mas quanto mais fácil ficar produzir algo bom, menos produzir algo bom, por si só, vai conseguir diferenciar uma marca.



Fonte ==> EconomiaSC

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

7 - 1 = ?
Reload

Please enter the characters shown in the CAPTCHA to verify that you are human.