Gestão de riscos financeiros: o desafio não é eliminar incertezas, mas compreender a exposição da empresa

Gestão de riscos financeiros: o desafio não é eliminar incertezas, mas compreender a exposição da empresa

Por Hermínio Gonçalves, Country Manager da SoftExpert.

Administrar riscos financeiros não significa eliminar toda incerteza. Na verdade, o objetivo dessa gestão é compreender a exposição da organização, estabelecer critérios para a tomada de decisões e manter as vulnerabilidades dentro de níveis considerados aceitáveis.

Vale ressaltar que esse trabalho precisa ir além do departamento financeiro. Um problema operacional, uma falha de fornecedor ou uma não conformidade, por exemplo, pode gerar consequências financeiras, mesmo que sua origem não esteja diretamente relacionada às finanças da companhia.

Na prática, isso envolve conhecer as vulnerabilidades às quais a empresa está exposta, avaliar a probabilidade de ocorrência e o impacto dos riscos, definir respostas adequadas e acompanhar continuamente a efetividade dos controles e das medidas adotadas.

A ISO 31000, por exemplo, apresenta a gestão de riscos como uma abordagem que inclui identificar, analisar, avaliar, tratar, monitorar e comunicar as fragilidades, de maneira integrada à governança, à estratégia, ao planejamento e aos processos organizacionais. Essa norma pode ser utilizada por organizações de diferentes tamanhos e setores.

Quando riscos relevantes não são identificados ou acompanhados adequadamente, a organização pode enfrentar consequências como comprometimento do fluxo de caixa, redução da rentabilidade, dificuldades de planejamento e maior exposição a vulnerabilidades, além de tomar decisões pouco efetivas pela falta de informações estruturadas.

A questão central, portanto, não é apenas saber quanto a empresa perdeu, mas compreender quais exposições podem produzir perdas e como elas estão sendo administradas.

Nesse contexto, as companhias precisam lidar com diferentes categorias de riscos financeiros, como os de crédito, liquidez, mercado, incluindo o cambial, e também com exposições decorrentes de questões fiscais, tributárias e operacionais.

Para gerenciar esses pontos, o primeiro passo é compreender o contexto da organização. Isso inclui objetivos estratégicos, operações, ambiente externo, processos críticos e requisitos aplicáveis.

Também é importante definir o apetite ao risco. A partir desse entendimento, é fundamental identificar eventos que possam comprometer o alcance dos objetivos financeiros. Isso inclui riscos associados a contratos, fornecedores, investimentos, obrigações fiscais e mudanças no ambiente externo. O objetivo não é criar uma lista infinita de possibilidades, mas construir uma visão consistente das exposições mais relevantes para a organização.

Por fim, a gestão de riscos financeiros precisa fazer parte da governança corporativa, uma vez que as decisões relacionadas a essas exposições afetam diretamente a estratégia e a capacidade da empresa de alcançar seus objetivos.

Dessa forma, a organização consegue compreender não apenas os riscos financeiros de maneira isolada, mas também como fatores operacionais, regulatórios, estratégicos e relacionados a terceiros podem comprometer seus resultados. Essa visão integrada contribui para decisões mais consistentes, maior capacidade de resposta e uma gestão alinhada aos objetivos do negócio.



Fonte ==> EconomiaSC

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