Novo tarifaço dos EUA pode afetar 54,5% das exportações de SC, diz FIESC

Novo tarifaço dos EUA pode afetar 54,5% das exportações de SC, diz FIESC

A nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ampliar os impactos sobre a indústria catarinense.

Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) aponta que 54,5% da pauta exportadora do estado será atingida pelo chamado “Segundo Tarifaço”, anunciado nesta semana pelo governo norte-americano.

Segundo a entidade, a medida confirma a recomendação apresentada anteriormente pelo United States Trade Representative (USTR) e aumenta a pressão sobre setores estratégicos da economia catarinense, especialmente nas regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte, onde parte importante da atividade industrial depende das exportações para o mercado americano.

Além das novas tarifas, a FIESC destaca que 40,3% das exportações catarinenses para os Estados Unidos já estavam sujeitas às tarifas previstas na Seção 232 da legislação americana. Com isso, apenas 5,2% das vendas do Estado para o mercado norte-americano permanecem livres de sobretaxas, segundo a entidade.

FIESC pede intensificação das negociações

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a dimensão da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos exige maior articulação diplomática.

“O tamanho do mercado americano dá aos Estados Unidos uma elevada capacidade de negociação com qualquer parceiro do mundo. Por isso, esperávamos do governo federal maior empenho diplomático e técnico nas negociações”, afirma.

Na avaliação da entidade, a adoção de medidas de reciprocidade tarifária neste momento pode ampliar os impactos sobre a indústria brasileira e dificultar uma solução negociada para o impasse comercial.

A entidade também afirma ter participado, em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), de ações de diplomacia empresarial junto a representantes norte-americanos para tentar reverter a recomendação do USTR.

Indústria teme novos impactos sobre empregos

A FIESC avalia que o novo aumento das tarifas poderá repetir os efeitos registrados após a primeira rodada de medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Segundo a entidade, naquele período as exportações catarinenses para o mercado americano recuaram 38,2%, resultado que teria impactado a geração de aproximadamente 7,6 mil empregos no Estado.

Para o presidente da entidade, além de afetar a indústria brasileira, a medida também tende a elevar os custos para consumidores e empresas norte-americanas:

“O tarifaço prejudica Santa Catarina e o Brasil, mas também aumenta o custo dos produtos importados para os próprios consumidores americanos. Esse é um argumento que precisa ser explorado durante as negociações”, afirma.

Programa para apoiar empresas exportadoras

Desde a primeira rodada de tarifas, a FIESC vem ampliando ações para apoiar empresas na diversificação de mercados internacionais. Segundo a entidade, mais de 500 indústrias catarinenses já receberam orientação para ampliar sua presença em novos destinos de exportação.

Agora, a Federação prepara a segunda fase do Programa Destarifaço, iniciativa voltada ao apoio das empresas afetadas pelas novas medidas comerciais.

A proposta inclui ações em parceria com o Governo de Santa Catarina, governo federal e entidades do setor produtivo para minimizar os impactos sobre a competitividade da indústria, preservar empregos e ampliar oportunidades em mercados alternativos.



Fonte ==> EconomiaSC

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