relembre tudo que aconteceu depois da aprovação

Figueirense, Orlando Scarpelli, Foto: Patrick Floriani/FFC/ND

Figueirense, Orlando Scarpelli, Foto: Patrick Floriani/FFC/ND

O que começou com uma aprovação praticamente unânime e a promessa de uma nova era para o Figueirense terminou, quatro meses depois, com uma ruptura. Entre a noite de 2 de junho e a saída anunciada por Edson Silva nesta semana, a SAF alvinegra passou por aportes financeiros, dívidas, negociações frustradas, mudanças de cenário e uma busca ainda inconclusa por investidores. A linha do tempo ajuda a dimensionar o tamanho da distância entre a expectativa criada no início do processo e o cenário encontrado agora.

O primeiro capítulo foi de confiança. Logo no começo de junho, o Conselho Deliberativo do Figueirense escolheu a proposta da PanSports para avançar nas negociações pela SAF. O grupo liderado por Guillermo Arturo Vieira e representado por Edson Silva recebeu 57 votos favoráveis, contra nenhum da Kactus Capital, além de três abstenções. O placar deu ao projeto uma demonstração política expressiva dentro do clube, embora a aprovação ainda não significasse a venda definitiva da SAF. Naquele momento, restavam discussões contratuais, análises jurídicas, garantias e tratativas relacionadas às dívidas.

No dia seguinte, Edson Silva projetava um período de 30 a 60 dias para conduzir a transição. A expectativa era de que as questões burocráticas fossem resolvidas e que, paralelamente, a PanSports pudesse ajudar o clube a enfrentar pendências financeiras e esportivas. O discurso, naquele início, era de uma transformação próxima. Mas o calendário avançou e o processo encontrou um obstáculo que se tornaria central para toda a história: o vínculo com a Clave/Lift.

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Edson Silva anunciou saída das negociações no FigueirenseFoto: Arquivo Pessoal/ND MaisEdson Silva anunciou saída das negociações no FigueirenseFoto: Arquivo Pessoal/ND Mais

Em 14 de junho, a PanSports fez o primeiro aporte ao Figueirense, de R$ 1,5 milhão. Cerca de R$ 300 mil acabou retido pela instituição financeira por conta de obrigações bancárias e saldos devedores vinculados à conta da SAF. Pouco depois, em julho, representantes da PanSports e da SAF alvinegra se reuniram com a Clave/Lift em busca de um acordo para a rescisão do contrato. A empresa paulista demonstrava não ter interesse em permanecer, mas cobrava o valor investido acrescido dos juros previstos, em uma quantia estimada em mais de R$ 30 milhões. Para a PanSports, resolver a questão era fundamental para garantir segurança jurídica e concluir a aquisição.

Enquanto a negociação travava o processo, o Figueirense seguia convivendo com problemas urgentes. Em julho, a ASFIG aprovou o uso de 20% do imóvel onde fica o CFT do Cambirela, como garantia para um novo contrato de mútuo. A medida viabilizaria um adiantamento de R$ 3 milhões da PanSports, destinado principalmente ao pagamento de salários atrasados e à resolução do Transfer Ban. Era o segundo aporte da futura adquirente em pouco mais de um mês.

No fim de julho, a dimensão do impasse já havia ficado evidente. Em uma entrevista coletiva realizada no Orlando Scarpelli, o Conselho da SAF tentou explicar a situação à torcida. Eduardo Mafra afirmou que a negociação com a Clave/Lift seguia em andamento, mas não tinha prazo definido para ser concluída. O problema também afetava diretamente as receitas do clube: segundo Mafra, cerca de R$ 450 mil pagos pelos sócios-torcedores eram direcionados ao fundo de investimento para diminuir a dívida, dificultando ainda mais o acesso do Figueirense aos próprios recursos.

Eduardo Mafra na coletiva do conselho da SAf do FigueirenseFoto: Patrick Floriani/FFC/ND MaisEduardo Mafra na coletiva do conselho da SAf do FigueirenseFoto: Patrick Floriani/FFC/ND Mais

Promessas, expectativas e ruptura na PanSports

Setembro chegou sem a transição esperada. No dia 15, a SAF restabeleceu as negociações para rescindir com a Clave/Lift. Em 1º de outubro, Edson Silva publicou uma carta aos alvinegros para afirmar que seguia trabalhando pelo projeto e revelou dificuldades na busca por investidores. Segundo o empresário, acontecimentos após a escolha da PanSports haviam atrasado propostas, enquanto novas possibilidades ainda eram avaliadas.

A tentativa de encontrar novos caminhos chegou até Londres. Em 5 de outubro, Eduardo Mafra e Guillermo Vieira se reuniram com Edu Gaspar, ex-dirigente da CBF e do Arsenal e atualmente ligado à Gemcorp Capital. A conversa buscava aproximar o projeto da PanSports de possíveis parceiros e investidores.

No dia seguinte, veio a mudança mais significativa até então. Edson Silva anunciou sua saída da parceria entre Figueirense e PanSports. A decisão encerra, ao menos neste momento, um ciclo que começou com 57 votos favoráveis no Conselho Deliberativo e avançou sob a expectativa de uma rápida transição. Em quatro meses, a promessa de uma nova estrutura esbarrou em pendências jurídicas e financeiras que atravessaram todo o processo.

Linha do tempo da incerta SAF do Figueirense

  • 02/06/2026 – Conselho Deliberativo do Figueirense aprova a proposta da PanSports, com 57 votos favoráveis, três abstenções e nenhum para a concorrente Kactus Capital
  • 03/06/2026 – Empresário Edson Silva fala exclusivamente ao Jornal ND e projeta entre 30 e 60 dias para conduzir a SAF do Figueirense, com os próximos passos sendo questões burocráticas
  • 14/06/2026 – Primeiro aporte financeiro ao Figueirense – Clube recebe R$ 1,5 milhão da PanSports, mas cerca de R$ 300 mil foi retido pela instituição financeira, em razão de obrigações bancárias e saldos devedores vinculados à conta de titularidade da SAF que recebeu o aporte
  • 03/07/2026 – Representantes da PanSports e da SAF alvinegra se reúnem com representantes da Clave/Lift, com o objetivo de buscar um entendimento para a rescisão do contrato com o Figueirense
  • 14/07/2026 – Após perder votação para a PanSports no Figueirense, Kactus Capital fica próxima de assumir SAF do Avaí depois de sócios aprovarem constituição
  • 22/07/2026 – Segundo aporte financeiro ao Figueirense – ASFIG aprova garantia para conseguir adiantamento de R$ 3 milhões da PanSports e pagar os salários atrasados
  • 31/07/2026 – Conselho da SAF do Figueirense esclarece negociação entre PanSports e Clave/Lift em entrevista coletiva no Orlando Scarpelli – Eduardo Mafra fala que negociação não tem prazo para assumir, mas segue em andamento
  • 15/09/2026 – SAF do Figueirense reestabelece negociações para rescindir com a Clave/Lift
  • 01/10/2026 – Edson Silva publica carta expondo dificuldades em encontrar investidores e SAF do Figueirense rebate o empresário
  • 05/10/2026 – SAF do Figueirense se reúne em Londres com o empresário Edu Gaspar, representante da Gemcorp Capital, em conversa que busca aproximar o projeto da Pansports de possíveis parceiros e investidores
  • 06/10/2026 – Edson Silva anuncia saída da parceria entre Figueirense e PanSports



Fonte ==> NDMais

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