Zoho acelera no Brasil e aposta em IA para ampliar presença no mercado corporativo

Zoho acelera no Brasil e aposta em IA para ampliar presença no mercado corporativo

A Zoho encerrou o primeiro semestre com crescimento de 31,4% na receita no Brasil em relação ao mesmo período do ano passado.

O desempenho colocou o país como o terceiro mercado que mais cresceu para a companhia no mundo. Em novas receitas geradas pela entrada de usuários, o mercado brasileiro ocupou a oitava posição global.

Os números reforçam o peso do Brasil na estratégia internacional da companhia indiana especializada em Software as a Service (SaaS).

Fundada há 30 anos, a empresa registra receita anual global próxima de US$ 1 bilhão e tem valor de mercado estimado em aproximadamente US$ 12,5 bilhões.

Para Rodrigo Vaca, CEO da Zoho no Brasil, o avanço está relacionado não apenas à maior demanda por tecnologia, mas também ao amadurecimento das empresas brasileiras na adoção de software:

“O Brasil deixou de ser um mercado em que simplesmente replicamos uma estratégia global. É um mercado que exige entendimento próprio, investimento local e uma visão de longo prazo. Quando olhamos para o crescimento que estamos registrando, vemos uma combinação entre a maturidade das empresas brasileiras para adotar tecnologia e a nossa capacidade de adaptar a oferta às necessidades locais”.

Brasil ganha espaço na estratégia global

A operação brasileira possui uma posição diferenciada dentro da estratégia da Zoho na América Latina. A companhia estabeleceu uma estrutura própria no país e vem ampliando sua presença local diante do tamanho e das particularidades do mercado.

Em 2024, o CEO já classificava o Brasil como uma região estratégica e independente dentro da companhia. Agora, os resultados do primeiro semestre colocam o país entre os mercados de maior expansão da empresa globalmente.

“O Brasil tem uma característica muito particular: é um mercado grande, sofisticado e extremamente diverso. Existe uma oportunidade enorme tanto nas pequenas e médias empresas quanto nas grandes corporações. O nosso desafio é continuar construindo confiança e mostrar que tecnologia não precisa significar complexidade”, destaca.

A empresta aposta em um modelo de plataforma integrada, reunindo diferentes aplicações empresariais dentro de um mesmo ecossistema. A estratégia permite que os clientes iniciem a utilização por uma solução específica e ampliem gradualmente a adoção para outras áreas do negócio.

IA passa a influenciar decisões de tecnologia

O crescimento acontece em um momento de transformação do mercado global de software. A popularização da inteligência artificial generativa vem levando empresas a revisar seus investimentos em tecnologia, ao mesmo tempo em que aumenta a busca por produtividade, integração entre sistemas e retorno sobre os investimentos realizados.

A empresa vem incorporando recursos de IA ao portfólio e desenvolvendo modelos próprios, incluindo Small Language Models (SLMs). A estratégia é utilizar modelos mais adequados e eficientes para determinadas aplicações, em vez de inserir inteligência artificial indiscriminadamente em todos os produtos.

“A inteligência artificial está mudando a relação das empresas com o software. O ponto não é simplesmente colocar IA em todos os produtos, mas entender onde ela realmente gera valor, reduz complexidade e ajuda as pessoas a tomar decisões melhores. Estamos entrando em uma fase em que a tecnologia precisa ser cada vez mais contextualizada ao negócio”, explica.

Uma das principais frentes dessa estratégia é a Zia, plataforma de inteligência artificial da Zoho integrada às aplicações do ecossistema da companhia.

A proposta é que a tecnologia utilize o contexto e os dados disponíveis nos sistemas empresariais para apoiar tarefas, análises e decisões. Em vez de posicionar a IA como um produto isolado, a Zoho trabalha com o conceito de IA contextual, incorporando a tecnologia às ferramentas utilizadas pelas empresas.

“A IA não elimina a necessidade de conhecimento do negócio. Pelo contrário: quanto mais tecnologia temos disponível, mais importante é entender o contexto em que ela será aplicada. O nosso papel é fazer com que a tecnologia seja uma ferramenta para o negócio, e não mais uma camada de complexidade”, afirma.

A companhia também prevê a integração de modelos de inteligência artificial desenvolvidos por outros fornecedores às suas aplicações, ampliando as possibilidades de escolha dos clientes e reduzindo a dependência de uma única tecnologia.

Próximo passo é ampliar presença no Brasil

Após crescer 31,4% no primeiro semestre, a empresa pretende acelerar sua expansão no mercado brasileiro por meio da ampliação da base de clientes, desenvolvimento do ecossistema de parceiros e fortalecimento da marca no segmento corporativo.

A estratégia contempla desde pequenas e médias empresas até grandes organizações. Entre companhias de maior porte, a aposta está em uma entrada gradual, com a adoção inicial de aplicações específicas e posterior expansão para outras áreas.

“O resultado do primeiro semestre mostra que estamos no caminho certo, mas ainda estamos muito longe de onde podemos chegar. O Brasil tem potencial para ser um dos mercados mais relevantes da Zoho globalmente. Nosso foco agora é transformar esse potencial em crescimento sustentável, mantendo a proximidade com os clientes e entendendo cada vez melhor as particularidades do mercado brasileiro”, conclui.



Fonte ==> EconomiaSC

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