A coletiva de imprensa que foi realizada na manhã desta sexta (31), no Estádio Orlando Scarpelli, demonstrou muita transparência por parte dos atuais membros do conselho da SAF do Figueirense, em que o presidente Eduardo Mafra que representou os cinco membros, foi o que mais respondeu as perguntas dos jornalistas. E, não se furtou a responder nenhuma delas.
Apenas a questão do montante devido à Clave/Lift, que ficou sem uma resposta efetiva, talvez pela leitura que faço da questão sensível jurídica, de algo que possa até que ser resolvida via justiça. Mas, no mais, foram respondidos todos os questionamentos.
Antes da assinatura definitiva do contrato da SAF, o Figueirense ainda terá um caminho delicado pela frente. A coletiva concedida pelos cinco integrantes da Comissão da SAF deixou uma impressão clara: há confiança de que o negócio com a Pansports será concretizado, mas ninguém mais trabalha com a promessa de prazos. O discurso agora é de cautela, responsabilidade e segurança jurídica, algo compreensível diante da complexidade da operação.
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Desde que assumiu a condução desse processo, a comissão afirma ter buscado dois objetivos principais: restabelecer a transparência e pacificar as diferentes correntes políticas do clube. Não por acaso, seus integrantes reforçaram que estão em uma missão temporária, destinada a criar um ambiente favorável para a transição e, posteriormente, retornar ao papel de torcedores.
É uma mensagem que procura transmitir estabilidade em um clube que, nos últimos anos, conviveu com sucessivas turbulências administrativas. A evolução das conversas com a Pansports foi confirmada mais uma vez. A percepção passada é de que existe alinhamento entre as partes e confiança mútua.
Tanto que os dirigentes, representados por Eduardo Mafra afirmaram não enxergar qualquer possibilidade concreta de a negociação deixar de acontecer. Também trataram como boatos as especulações sobre eventuais saídas de integrantes da empresa. O principal obstáculo continua sendo o mesmo desde o início: a negociação com a Clave/Lift.
A credora, que aportou próximo de cerca de R$ 28 milhões no clube, ainda discute com o Figueirense o valor atualizado da dívida e a remuneração prevista em contrato. O clube considera um montante, a Clave/Lift outro. O ponto de partida segue sendo o valor efetivamente investido, mas ainda há divergências importantes.
Todos reconhecem que uma judicialização seria ruim para os envolvidos, razão pela qual as tratativas continuam acontecendo na tentativa de construir uma solução consensual. Inclusive, a garantia envolvendo o estádio deixará de existir caso haja acordo com a Clave/Lift.
Enquanto isso, a vida do clube não pode parar. A prioridade continua sendo manter o funcionamento do futebol e da estrutura administrativa até a efetiva venda das ações da SAF. A folha salarial, próxima de R$ 1 milhão por mês, continua sendo uma preocupação permanente, embora os salários de julho já estejam provisionados.
Os recursos que entram são destinados imediatamente ao cumprimento das obrigações com o elenco Alvinegro, enquanto o gerente de futebol, Túlio Guerreiro, administra as demandas do departamento de futebol.
Outro ponto importante revelado coletiva foi a busca conjunta de Figueirense e Pansports por investidores que possam garantir estabilidade financeira até o fim da temporada, enquanto o contrato não é assinado. A ideia inclui pequenos investidores e até torcedores interessados em participar desse momento de reconstrução.
Paralelamente, parceiros e doadores vêm auxiliando na manutenção do estádio, da fisioterapia e do futebol, ainda que os dirigentes reconheçam que praticamente todos os setores do clube necessitam de investimentos.
No aspecto esportivo, o transfer ban segue condicionado à situação financeira e aos desdobramentos da temporada. O entendimento interno é recuperar jogadores e ainda buscar a classificação antes de avaliar novas contratações.
Momento do Figueirense e o futuro adquirente da SAF é de busca por soluções
Figueirense ainda tem chance de classificação na Série C e afastou possibilidade de rebaixamentoFoto: figueirense santa cruz 2A impressão que fica é que o Figueirense vive uma fase de busca conjunta, Pansports e SAF Alvinegra por soluções, porém não menos complexa. A ansiedade do torcedor é compreensível, mas o próprio conselho da SAF do Figueira admite que criar expectativa por datas é um erro.
Em negociações desse porte, especialmente quando envolvem credores, patrimônio e segurança jurídica, acelerar etapas costuma custar caro. O maior desafio do clube, neste momento, talvez não seja convencer de que a SAF vai acontecer, mas garantir que ela aconteça da maneira mais sólida possível.
Uma transição bem conduzida pode representar o início de uma reconstrução consistente. Uma transição apressada, ao contrário, apenas transferiria problemas para o futuro.
E por ora, não dá para fazer agenda positiva e nem negativa sobre o futuro, após assinatura definitiva com a Pansports. Pois como a empresa não tem experiência em gestão de clubes de futebol, as avaliações serão feitas com os atos concretos que a mesma venha fazer no futuro, após entrar em definitivo na gestão e governança da SAF do Figueirense.
Fonte ND Mais