A mulher de 37 anos presa por se passar por uma adolescente de 12 anos em Joinville, no Norte de SC, conseguiu enganar uma família, na região de Pirabeiraba, e também membros de uma igreja da cidade durante mais de um ano.
Segundo a Polícia Civil, ela vivia na casa das vítimas havia cerca de 14 meses e criou uma rede de histórias para sustentar a falsa identidade. A família chegou a criar um vínculo emocional forte com ela e o objetivo era acolhê-la por ter passado por supostas “dificuldades e abusos na infância”.
De acordo com o delegado Rodrigo Gusso, responsável pelo caso, a investigação começou na última sexta-feira (29), quando uma das vítimas procurou a delegacia após receber um alerta de uma parente.
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“O homem foi até a delegacia dizendo que foi alertado por uma familiar que a adolescente acolhida não era uma criança e sim uma mulher adulta”, explicou ao ND Mais.
Ele não havia acreditado na informação, no começo, então começou a pesquisar na internet e encontrou registros e reportagens sobre uma mulher com quase 40 anos com antecedentes por casos semelhantes em outros estados.
Conforme a polícia, a suspeita possui antecedentes por golpes semelhantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
A partir da denúncia, a Polícia Civil iniciou diligências para confirmar a identidade da suspeita. Após o levantamento das informações, os agentes foram até a residência da família, em Pirabeiraba, onde realizaram a prisão em flagrante por estelionato e falsa identidade.
Como a família conheceu a mulher que fingiu ter 12 anos em Joinville?
Segundo o delegado, a mulher conheceu a família por meio de uma igreja. Ela procurou ajuda no local, alegou falsamente que era do Pará e contou uma série de histórias para sensibilizar os membros da congregação.
“O pastor acabou se sensibilizando com a história dela. Ela tinha falado que foi abusada, que passou por uma casa de prostituição onde foi obrigada a tomar hormônios, por isso tinha aparência física de adulta”, explicou.
Com isso a igreja ajudou a encontrar uma família para acolhê-la. “Então ela foi para casa desse casal. Mas, daí a família começou a ficar muito suscetível à ligação emocional que criou com ela. Esse laço se fortaleceu tanto que no momento da prisão a esposa não queria deixar a polícia entrar para levar ela, mas o marido autorizou”, compartilhou o delegado.
Mulher que fingiu ter 12 anos em Joinville e enganou família por mais de um anoFoto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina/ND MaisDurante o período em que viveu com a família, a suspeita teve todas as despesas custeadas pelos moradores da residência. Eles pagavam alimentação, roupas, tratamentos e outros gastos pessoais. “Eles chegaram a pagar ‘Mounjaro’ para ela, para combater a ‘obesidade infantil’”, disse Gusso.
Ainda conforme a investigação, a família chegou a considerar uma adoção legal “da adolescente”. A ideia, porém, nunca avançou porque a própria mulher alegava que o pai biológico a encontraria.
“Ela dizia que não queria que ele a encontrasse já que teria passado por essas supostas dificuldades na infância”. Esta também era a história que contava para evitar frequentar a escola.
Conduta infantilizada e prisão em flagrante
A polícia afirma que ela mantinha uma conduta infantilizada para reforçar a personagem, utilizando objetos e comportamentos associados à infância como chupetas, mamadeiras e cobertores para dormir. A família também chegou a fazer uma festa de aniversário de 12 anos para ela.
Durante o interrogatório, a mulher confessou os fatos à autoridade policial. Após a formalização da prisão em flagrante, ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça.
Fonte ==> NDMais