O primeiro debate entre candidatos ao Governo de Santa Catarina nas eleições de 2026 foi marcado por confrontos diretos, críticas à atual administração estadual e discussões sobre propostas para diferentes áreas. Promovio pelo Grupo ND neste sábado (8), o encontro reuniu João Rodrigues (PSD), Gelson Merisio (PSB) e Ralf Zimmer (PRD). O governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição, não participou do debate.
Ao longo do encontro, os candidatos discutiram temas como educação, saúde, segurança pública, Defesa Civil, saneamento, turismo, infraestrutura, cultura, combate à corrupção, feminicídio, tributação e relação com o governo federal. Questões eleitorais e políticas, como a possível candidatura da esposa de João Rodrigues e a chamada União do Sul, também provocaram embates.
Mais do que a apresentação de propostas, o debate foi marcado pela tentativa de cada candidato de estabelecer uma identidade diante do eleitorado. João Rodrigues buscou apresentar experiência administrativa e capacidade de gestão; Gelson Merisio concentrou críticas em gastos públicos e na atuação do governo estadual; e Ralf Zimmer procurou se posicionar como uma alternativa aos dois adversários.
Ausência de Jorginho Mello marca início do confronto
A ausência do governador Jorginho Mello foi um dos primeiros assuntos explorados pelos candidatos.
João Rodrigues e Gelson Merisio discutiram a decisão do atual governador de não participar do primeiro debate. A presença de Jorginho era considerada relevante pelo fato de ele ser o atual chefe do Executivo estadual e um dos principais nomes da disputa de 2026.
Sem o governador no estúdio, parte das críticas dos adversários foi direcionada à atual gestão. A ausência também fez com que decisões do governo estadual fossem discutidas mesmo sem a participação de um representante da administração para respondê-las.
O assunto voltou a aparecer ao longo do encontro, principalmente em discussões sobre investimentos, publicidade, Defesa Civil e relacionamento político.
Duodécimo coloca contas públicas no centro do debate
Um dos embates entre João Rodrigues e Gelson Merisio envolveu o duodécimo repassado pelo governo estadual aos Poderes e órgãos autônomos.
A discussão colocou em pauta o equilíbrio das contas públicas e a definição de prioridades para o orçamento de Santa Catarina. Os candidatos apresentaram visões diferentes sobre a relação entre o Executivo e instituições como Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público e Tribunal de Contas.
O tema também serviu para os dois candidatos discutirem a capacidade do futuro governador de controlar despesas e estabelecer prioridades para os recursos públicos.
Educação aparece como uma das prioridades
A educação foi discutida em um confronto entre Gelson Merisio e Ralf Zimmer.
O debate abordou os desafios da rede pública e a necessidade de melhorar a qualidade do ensino em Santa Catarina. A área também foi relacionada à formação profissional, oportunidades para os jovens e desenvolvimento econômico.
A discussão mostrou que a educação deve ocupar espaço importante na campanha, especialmente diante da necessidade de conciliar investimentos, qualidade do ensino e preparação dos estudantes para o mercado de trabalho.
Grupo ND organizou primeiro debate ao Governo de SC neste sábado (8)Foto: NDTV RECORD/Reprodução/ND MaisDefesa Civil e prevenção ganham força após eventos extremos
A Defesa Civil foi outro tema de destaque no debate, especialmente diante da recorrência de eventos climáticos extremos em Santa Catarina.
João Rodrigues e Ralf Zimmer discutiram investimentos para prevenção e resposta a desastres. O assunto também apareceu em um confronto entre Merisio e Zimmer, quando foram discutidos os efeitos do El Niño, a preparação do Estado e a necessidade de planejamento.
Merisio questionou gastos relacionados à publicidade e contrapôs os valores destinados à comunicação a investimentos em estruturas de prevenção e recuperação.
A discussão trouxe para o debate um dos principais desafios de Santa Catarina: como preparar municípios e estruturas estaduais para enchentes, deslizamentos, estiagens e outros eventos climáticos.
El Niño e comunidades indígenas provocam confronto
A discussão sobre mudanças climáticas acabou levando a um dos embates mais políticos do debate.
Gelson Merisio questionou Ralf Zimmer sobre a preparação do Estado para os efeitos do El Niño e também sobre a relação com comunidades indígenas.
O assunto envolveu uma discussão sobre a atuação do poder público e a necessidade de diálogo com as comunidades. Zimmer defendeu uma postura de diálogo e respeito aos direitos, enquanto Merisio utilizou o episódio para fazer críticas à atuação política do atual governo.
O confronto também mostrou como questões ambientais e climáticas podem se conectar a temas sociais e políticos durante a campanha.
Publicidade do governo vira alvo de críticas
Os gastos do governo estadual com publicidade foram questionados por Gelson Merisio durante o debate.
O candidato colocou em discussão a prioridade dada pelo governo à comunicação institucional diante de outras necessidades do Estado. A crítica foi relacionada principalmente aos investimentos que, na avaliação de Merisio, poderiam ser direcionados para áreas consideradas mais urgentes.
O tema permitiu que o candidato reforçasse um dos principais pontos de seu discurso: a defesa de maior controle sobre os gastos públicos e revisão das prioridades orçamentárias.
Relação com Brasília e rodovias
A relação de Santa Catarina com o governo federal também gerou confronto entre João Rodrigues e Gelson Merisio.
Os candidatos divergiram sobre a maneira como o Estado deve se relacionar com Brasília e buscar recursos para investimentos.
As rodovias federais foram utilizadas como exemplo da necessidade de articulação entre os governos. A infraestrutura viária tem impacto direto sobre o setor produtivo catarinense, especialmente em um Estado com forte atividade industrial, agropecuária e logística.
O debate colocou em lados diferentes duas estratégias: a defesa de maior independência política e a necessidade de diálogo institucional para viabilizar obras e investimentos.
Turismo é tratado como força econômica
O turismo apareceu em uma discussão entre João Rodrigues e Gelson Merisio.
Os candidatos destacaram o potencial econômico do setor e a necessidade de ampliar investimentos para aproveitar as diferentes características turísticas de Santa Catarina.
A discussão também passou pela possibilidade de fortalecer destinos fora da alta temporada e ampliar a movimentação econômica em diferentes regiões do Estado.
Saneamento entra na agenda de infraestrutura
João Rodrigues e Ralf Zimmer discutiram saneamento básico, uma área que envolve diretamente a qualidade de vida da população e a infraestrutura dos municípios.
A conversa abordou a necessidade de ampliar investimentos em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.
O tema também colocou em evidência a necessidade de articulação entre governo estadual, municípios e empresas responsáveis pelos serviços para avançar nos indicadores de saneamento.
Cultura e relação com o governo federal
Gelson Merisio questionou João Rodrigues sobre políticas culturais e sobre a relação que o candidato teria com o governo federal caso chegasse ao comando do Estado.
A discussão ampliou o debate para a atuação de Santa Catarina em áreas que dependem de articulação com outras esferas de governo.
Rodrigues defendeu a necessidade de diálogo institucional e apresentou sua visão sobre a atuação do Estado na área cultural.
Segurança e combate ao feminicídio
A violência contra as mulheres também foi tema do encontro.
Ralf Zimmer e Gelson Merisio discutiram políticas de combate ao feminicídio e medidas de prevenção.
O debate trouxe para o centro da discussão a necessidade de atuação conjunta das áreas de segurança, educação e assistência social para enfrentar a violência contra as mulheres.
A questão também permitiu aos candidatos apresentarem propostas relacionadas à proteção das vítimas e à prevenção de novos casos.
Combate à corrupção
Ralf Zimmer questionou Gelson Merisio sobre as medidas que pretende adotar para combater a corrupção em um eventual governo.
A discussão envolveu mecanismos de fiscalização, transparência e controle dos recursos públicos.
Zimmer aproveitou o questionamento para reforçar o discurso de renovação política e de necessidade de ampliar os mecanismos de controle da administração estadual.
João Rodrigues é questionado sobre candidatura da esposa
Um dos momentos de caráter mais político ocorreu quando Ralf Zimmer questionou João Rodrigues sobre uma possível candidatura de sua esposa.
O questionamento levou o debate para além das propostas de governo e entrou no campo das articulações eleitorais.
Rodrigues respondeu ao questionamento e defendeu sua atuação política, enquanto Zimmer utilizou o episódio para questionar a formação do grupo político ligado ao candidato.
O confronto reforçou a estratégia de Zimmer de explorar questões relacionadas à política tradicional e se apresentar como uma alternativa aos grupos que já ocuparam espaços de poder em Santa Catarina.
IPTU e União do Sul
Outro embate envolvendo João Rodrigues e Ralf Zimmer tratou da cobrança de IPTU.
Apesar de ser um tributo municipal, a discussão foi utilizada para abordar a relação entre Estado e municípios e questões relacionadas à política tributária.
Zimmer também questionou Rodrigues sobre a chamada União do Sul, proposta que defende maior integração política e econômica entre os estados da região.
A discussão colocou em pauta temas como autonomia regional, desenvolvimento econômico e relação com o governo federal.
O que cada candidato buscou marcar
Como foi o primeiro debate entre candidatos ao Governo de Santa CatarinaFoto: Reprodução/NDTV RECORD/ND MaisAo longo do debate, os candidatos adotaram estratégias diferentes.
João Rodrigues procurou reforçar a experiência política e administrativa como um dos principais atributos de sua candidatura. O ex-prefeito de Chapecó foi colocado diante de questionamentos sobre gestão, relação com o governo federal, saneamento, turismo, IPTU, Defesa Civil e articulações políticas.
Gelson Merisio adotou uma postura mais crítica em relação à administração estadual. Gastos públicos, publicidade, Defesa Civil, duodécimo e relação com Brasília estiveram entre os assuntos usados pelo candidato para questionar adversários e defender uma mudança na condução do Estado.
Ralf Zimmer buscou construir uma imagem de alternativa aos dois adversários. O candidato direcionou questionamentos tanto a Rodrigues quanto a Merisio e explorou temas como combate à corrupção, educação, feminicídio, Defesa Civil, União do Sul e políticas públicas.
Balanço do primeiro debate
O primeiro debate ao Governo de Santa Catarina expôs uma disputa que deve ser marcada não apenas por propostas administrativas, mas também por diferenças sobre o modelo de gestão do Estado.
Os confrontos revelaram três linhas principais. De um lado, João Rodrigues buscou utilizar a experiência política e administrativa para se apresentar como opção para o Executivo. De outro, Gelson Merisio concentrou parte de seu discurso na crítica aos gastos públicos e à atual condução do Estado. Zimmer tentou ocupar um espaço de renovação, fazendo críticas aos adversários e evitando se associar diretamente aos grupos políticos tradicionais.
A ausência de Jorginho Mello foi outro elemento determinante. Mesmo fora do palco, o governador esteve presente no debate por meio das críticas feitas pelos adversários à atual administração.
No conjunto, o encontro serviu como uma primeira demonstração das estratégias que devem orientar a disputa pelo Governo de Santa Catarina em 2026. Os candidatos tiveram oportunidade de apresentar propostas, mas também foram pressionados a responder a questões sobre suas trajetórias, alianças e posições políticas.
Com a campanha ainda em fase inicial, os temas que apareceram no primeiro confronto, especialmente infraestrutura, educação, segurança, Defesa Civil, contas públicas e relação com o governo federal, devem continuar entre os principais assuntos da eleição.
Fonte ==> NDMais